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Segunda-feira, Abril 28, 2008
I Hate to Love you
Bem, respondendo a provocação direcionada pelo meu querido amigo (espírito de porco) Luwig, venho colocar os filmes que público, crítica (ou ambos) odeiam e eu simplesmente os acho sensacional. Sendo sincero, acredito que a minha lista foge um pouco disso, ficou mais numa lista de filmes que a grande maioria acha esquecível e eu simplesmente os acho fenomenais. Bem, lá vem a saraiva e podem encher o balde dos coments que eles estão aqui pra isso. Só um parênteses, antes que eu esqueça, os que vão compartilhar essa mais uma corrente blogosa são: Miguio, Vicky, Yan, William e André Logan, huahauhauhauahua… o bom dessas desgraças é sempre colocar outros em mals lençóis. Mas vamos ao que interessa:
G.I. Jane
Quando todo mundo escuta falar desse filme, pensa que é mais um supercine de uma mulher que come o pão que o diabo amassou para ser reconhecida enquanto minoria, num mundo masculino, machista e chauvinista, e que ainda é passada para trás pelas suas “colegas de trabalho“. Pois bem, apesar da mão pesada de Ridley Scott (que pra mim é um excelente diretor de imagens e histórias fortes, mas que é um verdadeiro retardado quando a questão é nuances), ele consegue passar com suas imagens impactantes mais que simplesmente o cliché, a la supercine, citado acima. Ele envolve uma trama política bem amarrada, com características do individual e coletivo de uma maneira sutil e ainda arranca uma tremenda atuação de Demi Moore. A mulher aproveitou o embalo das cirurgias plásticas, e condicionamento físico, em que se submeteu para fazer (a bomba) Striptease, e conseguiu passar com uma veracidade formidável, todo o sofrimento físico de Jane. Mas esse não é o ponto forte da atuação. Pra mim as nuances em que ela submete Jane são muito bons, o ódio contido num esforço sem limites, a raiva traduzida na vontade de fazer o que era certo, quando todos esperam (inclusive a senadora que a colocou em tudo isso – numa brilhante atuação de Anne Bancroft) que ela falhe vergonhosamente… tudo isso beirando o caricato, mas ainda assim passando por cima dele. Outro ponto interessante é ver Viggo Mortenssen em seu primeiro papel de destaque. Filme que muitos acham esquecível, mas que pra mim teve um grande impacto. Diração forte, mas interessante, roteiro coerente e longe do bla bla bla que sempre fez parte e Hollywood (para isso é só assitir Homens de Honra) e ainda atuações acima da média. Quem sabe todos aqui não o assitam novamente?
Bringing Out the Dead
Todos aqui sabem que eu detesto Nicholas Cage. O cara é uma atuação com uma cara de “dor de cabeça” constante, que ele pensa que é de homem bonzinho. É simplesmente bisonho. Pra mim ele conseguiu sair disso somente em duas ocasiões: Despedida em Las Vegas (em que ele na verdade estava embriagado o tempo inteiro) e nesse filme de Martin Scorcese (que muitos nem lembram que é dele). A história de Vivendo no Limite (título assombroso que o filme teve por aqui) é bem louca, mas ainda assim um deleite para os amantes do cinema alternative (mesmo que tenha cara de blockbuster wannabe). Cage vive um paramédico chamado Frank, que não consegue mais trabalhar na ambulância em que é designado, simplesmente porque todos a quem ele tenta atender, morrem em suas mãos (por mais simples que o caso possa parecer). Como se isso não fosse o suficiente, ele ainda é atormentado pelos fantasmas de todos a quem ele falha em salvar. Com essa carga em suas costas, ele tenta de todas as maneiras ser despedido, mas nunca é atendido. Então, por que não pedir demissão? Simplesmente porque o personagem não tem força de vontade o suficiente para isso. Sendo sincero, eu acredito que esse seja um dos personagens mais complexos da carreira de Cage, de certo ele exagera em algumas cenas e Scorcese o deixa, mas é um fato inestimável de que outro talvez não desse conta dessa tridimensionalidade bizarra que Frank carrega. Apesar do roteiro traduzir demais o que cada fantasma representa e explicar (mesmo que sutilmente) o porque de cada um estar ali, ele tem um argumento válido, e extremamente interessante, cercando as inseguranças medos e maneirismos do personagem principal. O final é ainda mais interessante, mesmo que durante muito tempo se fique voando em relação ao que realmente aconteceu. Um filme que arranca comentários e discussões ao final da exibição, o que é extremamente válido.
Dancer in the Dark
Amantes do cinema (cinéfilos de plantão) estão carecas de saber quem é o diretor polêmico e de filmes fortes, que se tornou o dinamarques Lars Von Trier. Depois de ter estourado durante o movimento Dogma95, ele resolveu entrar com uma segunda empreitada de tema tão polêmico (talvez até um pouco maior) que seu antecessor (The Idiots). Dancer in the Dark é o deleite dos críticos e o horror do público. De imagens e roteiro fortes, o filme narra a história da inocente imigrante do leste europeu, Selma (vivida de maneira absolutamente brilhante por Björk), que trabalha dia e noite em uma fábrica para tentar salvar seu filho de uma doença genética, a própria a tem, que o deixará eventualmente desprovido de suas capacidades visuais. A história dura e sofrida de Selma é contrabalançada por sua identificação com musicais hollywoodianos. A personagem sofre de um complexo de Alice, em que se draga para um universo ao maior estilo “sete noivas para sete irmãos”, mas os universos colidem no momento em que a história toma um rumo mais drástico e engole completamente o universo fantasioso de Selma a jogando numa realidade feia, dura, agressiva e sem o mínimo de compaixão. É impressionante como Von Trier consegue seu objetivo de violar todo aquele universo fantasioso, que engloba os americanos, na minha humilde opinião, uma maneira agressiva de mostrar a hipocrisia do cinema daquela indústria e como ela é frágil ante a realidade em que muitos vivem dia-a-dia. Intenso e de certo uma obra que não agrada a todo mundo, mesmo que seja genial. O final é tâo chocante que muitos da sessão onde eu estava, oito anos atrás, ficaram estáticos em seus assentos, ou simplesmente debandaram num choro nervoso e de alívio daquela tensão que em nada lembrava o cantarolar de Doris Day. Vale a pena para ser visto em dias masoquistas de extrema felicidade. E algo que eu não mencionei foi a presença sempre marcante de Catherine Deneuve.
Assassins
Sim, sim. Eu sei. É um filme do Stalone e ainda com Antonio Bandeiras. Mas o que eu posso fazer? O filme, IMHO, é simplesmente genial. E sabe o que é engraçado? Só tem peixe grande no filme (ou pelo menos pretensos e propensos). A direção de Richard Donner (Superman), o roteiro é dos irmãos Wachowski (Matrix), e as estrelas (errr..) são Sly Stalone, Antonio Bandeiras e Julianne Moore. Mas onde está a genialidade dessa bagaça, além desse povo todo? Explico. Os Wachowski simplesmente pegaram a mesmice que envolvia todos os filmes de ação dos anos 90 (quem aqui não viu: O Especialista, O Demolidor e Juiz Dread – com o próprio Sly, e mais uma carrada de filmes sem sentido com o Swarza, Steven Segal, Jean Claude Van Damme e adjacencies) e consguiu criar um plot que envolvia espionagem, perseguição, politicagem e ainda explosão a dar com o pau. A genialidade está justamente em envolver todo esse conteúdo num roteiro simples, sem buracos e que não agridiu a inteligência do espectador. Pra mim, um dos maiores exemplares do cinema pipocão já feitos naquela década e prelúdio da virada que esses filmes viriam a sofrer (sutilmente é verdade) no final da mesma década. Comentar mais, seria mergulhar num poço sem fundo.
Secrets and Lies
Bem, o último da lista é um odiado pelo público. Não sei o porquê de todos o odiarem tanto, mas o fato é que todos (sem excessão) os amigos que já conversei sobre Segredos e Mentiras, que viram o filme, o acharam chato, monótono e que não acrescentou nada. Eu discordo sumariamente dessa opinião. O filme de Mike Leigh (Topsy-Turvy e O Segredo de Vera Drake) é de certo bastante analítico. Ele entra no centro de uma família problemática e disfuncional. Uma mãe completamente omissa com um irmão que sempre encoberta seus erros e uma filha mimada beirando seus 30 anos. O negócio é que baixa de parachutes uma segunda filha, fruto de uma aventura da perturbada mãe em sua adolescência, procurando pela família a que sempre esteve curiosa em conhecer. O filme se passa praticamente em um cenário, com esse encontro dentro da casa a personagem de Brenda Blethyn (que aqui recebeu sua primeira indicação ao Oscar) e a claustrofobia do lugar, mesmo que seja amplo e claro (constratando com as reviravoltas e passado aparentemente sujo dos personagens), causa o impacto de enclausuramento dentro de todos os segredos ali contidos e das decepções que cada um deles deve enfrentar a cada minuto que o filme passa. É uma história bonita contada de maneira, talvez, extremamente metódica e por isso se mostre cansativo para alguns. Marianne Jean-Baptiste é a maior das revelações do filme, com uma interpretação clara, contundente e extremamente segura. A atriz recebeu sua única indicação ao oscar de coadjuvante pelo filme, uma pena que ela se limite somente a estar na série Without a Trace atualmente. Vale demais a pena, em especial para os que amam o cinema enquanto arte (cinéfilos viciados como eu… ehehehehehe), mas não aconselho aos aversos a dramas e filmes mais analíticos, pode ser uma leve tortura.
“ Secrets and lies! We're all in pain! Why can't we share our pain? I've spent my entire life trying to make people happy, and the three people I love the most in the world hate each other's guts, and I'm in the middle! I can't take it anymore!” – from Secrets and Lies
Quarta-feira, Abril 16, 2008
“..come on, come on. Jump a little higher...”
Será que devo comentar sobre o lance dos 14 comentários do post anterior? Hummm… melhor não, uma vez que metade deles foi feito por mim… Bem, moving on, faz tempo que eu não falo de filmes aqui. Milhares de perdões, mas está ficando difícil não só ir ao cinema, como sentar e colocar no papel (ou melhor no documento do word) todas as análises que passam à vários quilômetros por hora na minha mente demente. De qualquer forma, mesmo que tardio, eu nunca deixo o lance padecer… dessa forma:
Jumper
Quem aqui nunca se imaginou com super-poderes? Não importa a época, o fato é que todas as pessoas nesse planeta, já se colocaram na pele de algum herói criando aquela sequência de eventos com raios saindo das mãos ou olhos, voando em algum momento ou até mesmo viajando de um lugar para o outro na velocidade do pensamento. Pois bem, um dos mais recentes exemplares cinematográficos nas salas tenta retratar justamente isso. Como seria acordar com o poder de viajar para qualquer lugar com um só pensamento? Como nos comportaríamos? Como usaríamos esse poder? Pois bem, vamos ao monte de perguntas não respondidas que Jumper se mostrou.
O novo de Doug Liman consegue ser bem menor que seu filme anterior (Mr. and Mrs. Smith). O roteiro é fraco e cheio de furos e os protagonistas (infelizmente, exceto por Jamie Bell) entregam um trabalho caricato e cheio de clichés. Culpa do roteiro? Talvez, mas acredito que se Jamie se saiu bem, porque os outros não se sairiam? Pergunta idiota quando a resposta é talento. Mas isso a gente engloba mais tarde. Num mundo onde pessoas conseguem quebrar as leis da física de tempo e espaço, o roteirista (o em geral bom David Goyer, de Batman Begins) se perde numa conjunção de perguntas não respondidas e personagens unidimensionais. E o pior é que Liman aceita. O universo de Jumper é criado ao redor de David (personagem de Hyden Christenssen) e sua recém descoberta habilidade. Ele usa o poder para ganho próprio (como 99.9% da humanidade o faria) e se torna independente aos 14 anos. Claro que isso afeta o caráter falho de um jovem já dono de uma bagagem de rejeição e abusos com uma idade tão pequena. E o problema reside justamente aí. O roteiro em momento algum define se David é mal caráter, um bom jovem debaixo da casca da ferida ou se é mais tridimensional tendo aspectos de ambos. As escolhas morais são feitas em cima de sua sweetheart de infância (vivida pela fraca Rachel Bison) e elas jamais mostram uma indicação para onde David está se movendo (se para frente na recuperação de seu caráter ou para trás adentrando ainda mais o “lado negro da força“. Não que o filme tivesse que abordar isso, mas ele se obriga a todo momento não sendo nunca conclusivo. Com isso a espinha principal do filme se perde e, claro, faz com que todas as estórias secundárias atreladas a ele se tornem desinteressantes. A direção preza pela ação e aventura no final, mas aí o filme já perdeu a meada e já não se presta mais atenção em nada que não seja efeito especial e o fato de que muito foi cortado de última hora na sala de edição e que o filme poderia ter muito mais conteúdo se os produtores tivessem gostado do que viram.
Pode ser que a culpa de Jumper ser tão raso seja do roteiro, mas de certo a equivocada escolha de Hyden Christenssen como protagonista auxiliou no processo de declínio do personagem. O cidadão é extremamente inexpressivo e em momento algum se oferece para dar uma personalidade mais definida a David. Quando é ganancioso Hyden não se mostra sedento pelo que quer, quando quer ser herói ele não encontra o tom para sentir a culpa que um passo desse leva… enfim, o cara é uma porta. Com uma participação menor, mas igualmente importante, Rachel Bison segue pelo mesmo caminho. Ela se contenta com o fato de ser a mocinha em perigo e mesmo quando tenta ter personalidade falha vergonhosamente. Se ela gritasse mais ganharia mais pontos, mas ela consegue ser somente apática… me perguntei várias vezes se a menina sofria da “síndrome do stress pós-traumático”, mas acho que é somente falta de talento mesmo. Um que eu evitei comentar até então, mas que também só está ali pela grana é Samuel L. Jackson. Está certo que o roteiro é fraco e não deixa claro a motivação de seu personagem para caçar os flamigerados jumpers (por que diabos o cara resolve fazer isso? Trauma de um evento passado que o fez odiar os mutantes? Simplesmente um seguidor religioso insano que acredita numa purificação da espécie humana? E de onde vem a grana pra manter tal organização? Os aparatos tecnológicos? Alguma ligaçâo governamental? Por que não usar os caras como espiões ao invest de matá-los? Como eu, disse diversas perguntas sem respostas…), mas porque diabos um ator do calibre dele se enfiou num roteiro desses? Ele faz o que pode, transmitindo um ódio pela espécie que é palpável. Mesmo assim, a ausência de motivações o deixa unidimensional, já que é impossível conectar com um personagem que não se compreende. O único que se sai bem na composição é o Griffin de Jamie Bell. No final das contas ele é quem te chama a atenção. É dele que se quer saber mais a respeito, quando um mínimo de informação de sua vida de perseguições e perdas é revelada. Bell eclipsa tanto Christenssen que quando ele sai de cena eu tive vontade de sair do cinema, pois o que aconteceria ao final eu já sabia. Outra digna de nota (mesmo que tenha tido somente duas cenas rodadas) é a Mary (curiosa escolha de nomes) de Diane Lane. Aparentemente ela é uma importante personagem do universo, tendo pleno conhecimento do que os mutantes teleportadores são, tendo sido ativa em algum tipo de atividade que os envolvia. Mas o filme não nos deixa explorer isso, se torna somente um auxílio para que David faça sua transição a herói confrontando um passado tão vazio quanto ele. Uma pena.
Infelizmente eu achei o filme (como todos podem perceber) bem aquém do que eu estava esperando. Acredito que hoje em dia se prezar por um desenvolvimento mínimo dos personagens se faz necessário para qualquer tipo de filme, e é o que tem acontecido na maioria dos filmes indo ao cinema atualmente. Pena que Jumper não é um deles. É somente um acidente de percurso de um diretor acima da média, com um ator que deveria seguir outra profissão (Christenssen) e mostrar o quando um ex-aspirante a bailarino pode ser versátil (Bell). Um filme esquecível, que não vai ter diferença nenhuma de assistir no conforto da sua casa quando sair em DVD, esquecível num movimento de teleporte.
Vantage Point
Cada pessoa adiciona algo a uma história maior. Ninguém é gratuito ao ponto de não mudar um evento, uma junção deles ou até a vida de alguém. Todos fazem a diferença e ver a história do ponto de vista de cada indivíduo ajuda a compreender melhor a composição, a tornar verossímel o processo de justiça ou simplesmente tornar uma storytelling mais interessante, sempre descobrindo novos fatos. Essa é justamente a fórmula usada por Vantage Point, que vi umas semanas atrás em Londres (no dia que perdi meu vôo, mas essa história eu conto outro dia).
Com um formato que lembra muito a telesérie 24, Vantage Point se destaca pelo mesmo fato que o torna um pouco cansativo: A mesma cena exibida por diferentes pontos de vista. Com um início fantástico (a carga dramática do evento se passando com a transmissão jornalística numa excelente atuação de Sigourney Weaver e Zoe Saldana) o recurso usado para contra a história começa a se tornar um pouco cansativo depois da quinta repetição, mesmo que traga sempre algo de novo a história, o fato de retrocedermos ao mesmo ponto em todas as vezes que um personagem tem exposto a sua visão da história se mostra um pouco incômodo. Acredito que o diretor do filme notou que isso estava cansando e a partir do terceiro ato do filme abandona o recurso e torna a história linear. De qualquer maneira o elenco fenomenal (composto por William Hurt, as já citadas Weaver e Saldana, Mathew Fox, Dennis Quaid e o oscarizado Forest Whitaker) ajuda a carregar o filme de forma dinâmica e com uma vasta leva de pontos de interpretação. O mais interessante é o modo como o filme é conduzido, cheio dessas reviravoltas que fazem a alegria da galera que adora esses filmes de ação, mas de uma forma interessante e sempre mostrando que o que vemos nunca é realmente o que parece. É ação, mas não desacerebrado. Ponto positive para o diretor Pete Travis.
O elenco, como eu já disse, é um primor. E mesmo que uns ajam como protagonistas, todos são nivelados na história com extrema importância. Até mesmo os mais desconhecidos do grande público como Eduardo Noriega, Saïd Taghmaoui e Edgar Ramirez brilham nos seus personagens trágicos, mas ainda assim totalmente tridimensionais. Os atores mostram que tempo de tela não é o essencial para mostrar motivações e backgrounds, um pouco de talento e uma direção mais concisa é o suficiente. Sigourney Weaver tem uma participação pequena, mas se mostra a mesma grande atriz de sempre às vésperas de seus 60 anos. William Hurt renasce das cinzas recuperando o prestígio que deteve nos anos 80. Suas atuações mais recentes chamam não só a atenção, como prezam pela qualidade, mesmo que em alguns projetos ele caia nas armadilhas do mesmismo. Mas a surpresa mesmo fica por conta de Matthew Fox (o Jack Sheppard de Lost), que consegue carregar o as reviravoltas do roteiro com maestria. Nada que chame demais a atenção, mas ainda assim que é válido para o curriculum do rapaz.
No mais Vantage Point está longe de ser um filme inesquecível. Tem seus pontos positivos, é bem verdade (como não ser um filme de ação-política desacerebrado), mas ainda assim não apresenta nada que não tenha sido trabalhado antes em qualquer outra mídia. De qualquer maneira consegue divertir e fazer com que o sábado à noite não pareça chato ao ponto de se apelar para humorísticos sem graça. Garante a validade do ingresso e ainda mata as saudades de quem está com síndrome de abstinência de programas do estilo “Chloe, do you copy?”.
"... and the world will follow after" - Accidentally in Love by Counting Crows
Sexta-feira, Abril 04, 2008
The Pine Bluff Variant
Mais de quarenta anos! Esse foi o tempo que durou mais ou menos a Guerra fria, período em que União Soviética (hoje desmembrada em diversos outros países, cujo o mais famoso se chama Rússia) e Estados Unidos gritavam a mundos e fundos que tinham armamentos nucleares apontados uns para os outros. Mas o conflito não se resume somente a esse fato de quem mijava mais longe com armamentos nucleares apontados uns aos outros (sem piadas com relação a essa sentence, não tive tempo de reescrever), era algo muito maior de embasamento ideológico, que misturava coalisões militares com jogos psicológicos e muita, mas muita, espionagem. Foi nesse cenário que muitos dos grandes heróis do cinema se criaram e perduraram (tendo no mais famosos deles James Bond), na campanha occidental de mostrar ao mundo como o comunismo era mau. Somente mentes perversas e cheias de ódio poderiam acreditar em algo que pregava uma igualdade imposta (uma crítica leve a ambos os lados). Pois é exatamente o que Brian Bendis ressussita nesse mês da abril na Marvel Comics. Esse sentimento de que ninguém deve ser digno de confiança no maior e mais amplos dos cenários. Nada de conspirações pequenas dentro do cenário politico interno, o negócio aqui é conspiração intergalática, com direito a espiões em todos os canvas. Finalmente o evento final dos últimos 5 anos de eventos Marvel: Secret Invasion.
O negócio anda sendo discutido há meses nos forums mundiais. Isso acontece desde que se descobriu que a ressussitada Elektra (ninguém sabe se há alguns anos ou a que foi novamente ressussitada na saga Enemy of State do Mark Millar em Wolverine - eu aposto nessa) era na verdade uma safada de uma Skrull disfarçada. Mas antes de continuar, muitos dos que não conhecem quadrinhos devem estar se perguntando “O que diabos são os Skrulls?”. Este que vos fala explica:
Os Skrulls são seres de uma raça intergalática que é conhecida por seu poder transmorfo (traduzindo: assumir a forma de qualquer pessoa, coisa ou ser - exatamente como a Mística dos X-Men funciona). Eles eram conhecidos por sua capacidades de espionagem, minando impérios por dentro e os destruíndo para assim conquistá-los. Com isso O Império Skrull cresceu de forma intenssa ao longo dos séculos se tornando um imenso conglomerado de planetas. O porém sempre foram seus inimigos mais diretos, Os Krees. Raça que nunca se deixou dominar pelos morfadores e que cuminou numa grande guerra que acabou com a queda do Império Skrull. Os morfadores ainda enfrentaram um outro baque tendo seu planeta imperial consumido por Galactus o que fez com que um império já em frangalhos se depedaçasse totalmente.
O negócio é que a raça perdurou, e somos levados a encarar que eles perduraram aqui, entre nós, durante todos esses anos. Culpando os heróis terrestres (que tiveram participação no plano de queda da império Skrull), eles resolveram usar seu poder básico se infiltrando no decorrer dos anos em todo o planeta em aparentemente todas as facções heróicas. A única coisa que ainda está no ar é: como eles permaneceram indetectaveis até agora? Pois por mais que eles assumissem a forma de qualquer ser terrestre, eles jamais foram capazes de reproduzir poderes, odores (para o que já haviam pensado em Wolverine ou qualquer outro “farejador”) ou ondas mentais, uma vez que nem os telepatas do planeta foram capazes de perceber a diferença (e aqui se encontra incluso Charles Xavier).
Bem, respostas surgirão no decorrer dos próximos 8 meses (looooonga), tempo de duração da saga completa. Mas eu não seria um blogueiro se não apresentasse minhas conjecturas a respeito do ocorrido, ou tal qual minhas opiniões ao redor das sagas passadas e que cuminaram no “mess it up” que passamos no momento. Pois bem aí vão algumas:
1) O escritor da saga, o já citado Brian Bendis, diz que sugestões de que os Skrulls estão no planeta vêm sido plantadas desde a queda dos Vingadores, com o enlouquecimento da Feiticeira Escarlate. Relendo Avengers Disassemble, verifiquei que num episódio lambança muito, mas muitíssimo bem tramado, Janet Van Dyne “deixa escapar” que a Feiticeira Escarlate teve filhos apagados de sua memória. Pra mim Janet é a primeira suspeita. Ela esteve muitíssimo ausente nos últimos anos, voltando a aparecer desde “disassemble “ somente na nova equipe de Stark. Ou seja, a mulher é uma Skrull que plantou a primeira semente da discórdia. Atrelado a isso temos a Guerra Secreta de Nick Fury que se passa entre os eventos de disassemble e a criação dos Novos Vingadores. É fato que Fury estava na verdade correndo atrás dessa invasão que ele sabia estar ocorrendo há tempos. Uma vez que nâo tinha em quem confiar, o ex-grandão da S.H.I.E.L.D. resolveu viver nas sombras até expor a bagaça toda, infelizmente ele está atrasado.
2) A House of M foi também um acidente de percurso causado pela mesma Feiticeira Escarlate. Mas acredito que Vanda foi novamente vítima de manipulação por outro falso vingador. E esse seria seu irmão Pietro. Acredito que a House of M foi o primeiro evento que saiu do controle dos morfadores invasores. Ao pronunciar o feitiço “No More Mutants”, Vanda fez com que todos que tinham sido protegidos pelo encanto do Mago Supremo, Dr. Estranho, esquecessem quem realmente eram e assumissem a identidade de quem estavam substituindo. Essa afirmação pode ser falha, pois o que Vanda fez na verdade foi somente apagar da mente de todos os eventos daquele período de realidade alternativa, mas como não sabemos os métodos que os verdosos de queixo engilhado estão usando para modificar sua estrutura básica para não serem detectados, isso pode ser uma das explicações para o efeito paranoia que terminou no primeiro número da série (lançada essa semana). Suspeito número 2: Pietro (e mais metade do universo marvel).
3) A Guerra Civil foi o ponto mais alto de todas as lambanças que aconteceram desde a queda dos primeiros Vingadores. É simplesmente impossível não conectar todos os eventos até então. O problema com a lei de registros de super-humanos veio com a revelação do que seria o M-Day, arquitetado pelo Homem de Ferro, que só veio ganhar com a cagada dos Novos Guerreiros em Stanford que foi o estopim para que a guerra entre heróis se iniciasse. Mas ao contrário do que muitos pensam, não acho que Stark seja um Skrull, muito pelo contrário. Acredito que a queda de Stark vai estar justamente no alto ponto de que alguém brilhante e visionário se deixou manipular por uma raça de transmorfos aparentemente menos dotada de inteligência que ele. A vingança veio a galope. Os Skrulls aqui se aproveitaram da tensão e da confusão criada pelos eventos passados. Aposto que a participação deles aqui foi mais de minar o que já havia ocorrido do algo realmente mais direto. Sem suspeitos diretos.
4) A World War Hulk foi outro passo não muito calculado dos Skrulls na minha opinião. Eles s’o sentaram para ver o que acontecia enquanto o Hulk resolveu balancer o coreto de quem mandou ele pro espaço. Muitos heróis se omitiram aqui, e acredito que essa omissão teve razão de ser. Na minha opinião a de menor impacto. Sem, suspeitos. Hummmm… talvez somente um: Leonard Samson (don't ask).
5) E por último, mas não menos importante, a saga mutante Messiah Complex. Mas muitos vão se perguntar “má comassim? Os mutantes vivem em um universo a parte no momento, eles não tem nada a ver com os Skrulls” aí é que eu acho que vocês se enganam pequenos gafanhotos. De certo os X-Men sempre foram os heróis mais frágeis de todo o universo Marvel. Primeiro pela vigilância constante em cima de serem mutantes, uma raça já tida como pária e que sofre constante descriminação por parte dos humanos. Os heróis ficaram ainda mais visados depois da revelação de Xavier em público na era Morrison. Apesar de não acreditar que Xavier é um Skrull, eu acredito que desde o House of M os mutantes foram sacaneados às favas… Todas as equipes dizimadas, morte de diversos estudantes (24 de uma só vez pelos purifiers) e os remanecentes desmantelados em sua totalidade. Existe um Skrull de certo ali dentro, só não se sabe quem. Minhas suspeitas: Emma Frost, Colossus e Missil.
Bem depois de todo esse debate, que se mostra bem menos enérgico que a defesa ideológica ocorrida durante a Guerra Civil, pelo menos partida desse que vos fala, o evento em pauta não se mostra menos interessante por causa disso. É engraçado como as coisas mudam de maneira intensa e dinâmica saindo de debates em conflito, mais de um ano atrás, para descrença, disconfiança e paranoia com a presença dos Skrulls. O background ainda é bastante politico, mas de uma forma menos intensa e, porque não dizer, verborrágica. É como sair da brincadeira da figura escondida nos diagramas para um “onde está wally?”, mas ainda assim manter a diversão e, o mais importante, o tom cerebral sendo contruído no universo Marvel atual. Não que eu aprove tudo esteja sendo feito (é muita cara de pau minha falar de cerebral quando temos uma pocilga tão recente quanto One More Day), mas ainda assim eu curto o levantar dos textos inteligentes e a enterrada total dos anos 90. É engraçado como a DC anda fazendo o caminho inverso, tendo textos individuais excelentes (Lanterna Verde, Batman e Superman passam pelas suas melhores fases em anos), mas ainda se enrolam de maneira fenomenal com as Crises da vida. Talvez seja melhor esperar antes de falar, mas enquanto isso não rola, em quem você confia mesmo?
“All the lies leads to the Truth” - The X-Files
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