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Posts

Quarta-feira, Janeiro 30, 2008

:: Erik Magnus Lehnsherr 4:05 PM

Legacy and its boundaries…

Old pirates, yes, they rob i;
Sold I to the merchant ships,
Minutes after they took i
From the bottomless pit




Já dizia minha sábia mãe, que „o que interessa no final é o legado que deixamos”, pois ninguém nunca vai lembrar de nós como pessoas em sua essência, mas pelo que fizemos, fazemos e faremos, o que contribui à sociedade. Não importa se é somente àquele amigo que tanto se preza que o ato é dirigido, ou numa escala maior algo que trás benifício a toda humanidade, o importante é saber que se será lembrado, mas o como dependem desses atos (alguém aí lembra do Hittler? Claro que sim… pelo atos bondosos? Case closed). Esse é o principal ponto do novo filme do videocliptico Francis Lawrence (Constantine), baseado na obra de Richard Matheson, que além dessa discussão metafísica trás um punhado de ação, aventura e ghouls para agitar o coreto.

But my hand was made strong
By the and of the almighty.
We forward in this generation
Triumphantly.


A história conta em miúdos um horrível acidente causado por uma suposta vacina contra o cancer, criado pela Dra. Alice Krippin (Emma Thompson, numa pequena participação), que na verdade causa efeitos similares ao da raiva, mas num tom mais agressivo e de algumas mudanças fisiológicas (os contaminados tem uma degeneracão do pigmento da pele, ficando extremamente sensíveis a exposição solar, junto a uma regressão avançada do comportamento geral humano – perdendo capacidade de fala, senso de sociedade e com aumento exponencial do lado instintivo). A doença se espalha de maneira espantosa, ao ponto de num período de 3 anos acabar totalmente com a raça humana, deixando uns poucos imunes a contaminação numa sobrevida composta basicamente pelo medo de serem encontrados pelos contaminados. Acompanhamos somente um desses sobreviventes, sem a certeza de que existem outros, na cidade de Nova York. O Tenente Coronel Robert Neville (Will Smith), se culpa pelo modo como tudo terminou naquela realidade negra e sem esperança. Ele procura incessantemente por outros potenciais sobreviventes, sem muito sucesso, e luta contra a perda de sua sanidade num mundo totalmente vazio e silencioso. Por sinal é esse um dos pontos mais positivos do filme, Lawrence consegue passar todo esse sentimento de abandono e solidão do personagem de Smith em um posicionamento de camera fenomenal. As ruas vazias e ocupadas pelos animais selvagens, remanecentes do zoológico da cidade, somadas a necessidade de interação expressa por Neville remetem a todo esse “exílio” em que o personagem se coloca, ou na verdade é colocado. Os efeitos especiais não tem nada demais, quando os zumbis parecem extremamente irreais, talvez isso tenha sido feito de maneira proposital, uma vez que o sentimento de solidão aumenta com os personagens digitais, mas confesso que talvez uma mescla entre humanos e seres digitais deixariam a história mais interessante, numa contradição a solidão teríamos um pouco do sentimento de rebelião e da vontade de fazer o correto por parte de Neville, resultando numa redenção mais plausível no final.

Emancipate yourselves from mental slavery;
None but ourselves can free our minds.
Have no fear for atomic energy,
cause none of them can stop the time.


A atuação de Will Smith é sensacional. Nunca achei ele um super ator, devo confessar, mesmo com suas duas indicações ao Oscar. Mas ele é de certo o maior dos atrativos do filme. Toda a veracidade da situação de Neville está no peso de sua atuação, é impressionante os rompantes dados pelo seu personagem, inclusive quando baseado em errôneas suposições, ele se deixa enganar. Essas falhas que parecem tão inofensivas, para ele são definições de vida ou morte e por mais que ele as encare dessa forma, ele não consegue evitá-las e as aceita enquanto humano que se prende a isso na tentative desesperada de ser nada mais do que… humano. Esse jeito paradoxal de levar o personagem é fenomenal do lado de Smith. Claro que muitos vão acender o fato dele converser com manequins, com o seu cão e todos esses indícios de uma pré-esquisofrenia, mas pra mim as sutilezas são as mais interessantes. A presença de Alice Braga é pequena, mas confesso que interessante. Seu sotaque carregado não esconde que ela brasileira da gema, mas em momentos da história você se pergunta como aquela mulher e aquele menino (que entra no filme mudo e sai calado… não, mentira minha, ele sussurra “mom” num momento da película) conseguem sair de São Paulo e chegar a Nova York vindos da parte central do país… de qualquer maneira, são concessões que não tiram o brilho da história, ou da atuação de Braga que é muitíssimo interessante.

Wont you help to sing
These songs of freedom? -
cause all I ever have:
Redemption songs;
Redemption songs


Filme que vale demais a pena, seja pelas sutilezas, pelo modo cômico e verossímel de atuação do Smith, pela ação ou até mesmo pelo fato de ver um brasileiro atuando ativamente num filme hollywoodiano. A mensagem de uma construção de um legado é interessante e nos faz pensar, mesmo que de uma maneira mais rasa e superficial, no processo de construção e desenvolvimento de projetos, sejam eles pessoais ou não, como afetam a nós mesmo e os outros e o que estamos dispostos a fazer para revertê-los, caso seja necessário. Como eu disse, um pouco superficial, mas ainda assim interessante num mundo de extrema ou nenhuma profundidade. A única coisa que fica preso na garganta é o fato de agora americanos acharem que Bob Marley é algo que brasileiro desconhece completamente. Infâme.

This is Ground Zero. This is my site. I can fix. I can fix this” - Neville in I Am Legend


Terça-feira, Janeiro 22, 2008

:: Erik Magnus Lehnsherr 3:32 PM

Nominations: Fair or foe?



Pois é, mais um ano e mais uma lista de indicados. Eu confesso que estou atrasado esse ano e filmes como Atonement, Elisabeth: The Golden Age e The Gangster eu já deveria ter conferido... mas eu acredito que deva estar reparando esse imenso mal entendido por esses dias... ehehehehehe... de qualquer maneira, vou colocando as indicações nas categorias principais e a partir daí fazendo comentários (à moda antiga, à moda Smells...). Vamos lá:


Melhor Ator

* George Clooney - Conduta de Risco
* Daniel Day-Lewis - Sangue Negro
* Johnny Depp - Sweeney Todd
* Tommy Lee Jones - No Vale das Sombras
* Viggo Mortensen - Senhores do Crime

Deus do céu, Viggo Mortensen sendo indicado a um Oscar??? Tenho que confessar que eu jamais pensei ver isso um dia. O negócio é que a atuação do cidadão tem sido bastante elogiada em Eastern Promisses de David Cronenberg, então não é nenhuma surpresa ele está por aqui, mesmo que seja como azarão. O cacete mesmo está comendo entre George Clooney, Daniel Day Lewis e Johnny Depp. O primeiro porque tem sido elogiadíssimo pela atuação, mesmo que alguns aspirantes a críticos o chamem de caricato. O segundo é unanimidade no filme de Paul Thomas Anderson, e meu candidato e levar o prêmio (perdão aos fãs do terceiro) e o terceiro porque está merecendo levar um Oscar faz tempo, e aqui tem sua nova chance ao prêmio. Gostaria muito que Depp levasse, mas como falei, minhas apostas estão em Day Lewis. Tommy Lee Jones já tem o dele por The Fugitive, tá bom demais pra ele...


Melhor Ator Coadjuvante

* Casey Affleck - O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford
* Javier Bardem - Onde os Fracos Não Têm Vez
* Philip Seymour Hoffman - Jogos do Poder
* Hal Holbrook - Na Natureza Selvagem
* Tom Wilkinson - Conduta de Risco

Cassey Affleck é o felizardo do ano. Fez dois filmes que arrancaram elogios rasgados da crítica. O primeiro, foi o que o seu irmão, Ben Affleck, adapta o roteiro e dirige (Gone Baby Gone) e o segundo, esse pelo qual recebeu a indicação e tirou bonito o brilho de Brad Pitt. Javier Barden, em sua segunda indicação, tem a chance de levar o careca dourado, mas devido às más críticas recebidas por Love in Time of Cholera eu acredito que ele esteja minado. Hoffman vem de um Oscar já levado recentemente e pra mim essa indicação soa como prêmio de consolação por não estar na categoria principal por The Savages, então acho que ele também está minado... Holbrook é um velhinho legal, mas não acho que ele leve. Daí vem o meu favorito, no trabalho soberbo em Michael Clayton, Tom Wilkinson. Na verdade esse cara está merecendo um prêmio desde sua atuação em In The Bedroom e aqui tem a real chance de levar. O problema é que a categoria de coadjuvantes é conhecida pela surpresa... vamos ver no que dá.


Melhor Atriz

* Cate Blanchett - Elizabeth: A Era de Ouro
* Julie Christie - Longe Dela
* Marion Cotillard - Piaf Um Hino ao Amor
* Laura Linney - The Savages
* Ellen Page - Juno

Cate Blanchett é outra que está dando pulos de alegria, mas nem tanto, com a dupla indicação que recebeu esse ano. O nem tanto vem de seus votos serem divididos dando em merda e ela acabando por não levar nenhum dos dois (ela está na categoria coadjuvante)... Não bastasse isso, ela está sendo indicada por um papel em que já interpretou e recebeu outra indicação exatos 10 anos atrás. Não contesto aqui o talento de Cate, pois ela é uma atriz magnífica, sem sombras de dúvidas, mas é muita carga para uma indicação só. Em contra partida temos a vencedora do Globo de Ouro, Julie Chiste (a minha favorita ao prêmio), num filme internalista e extremamente pesado dirigido por Sarah Polley (aquela loirinha, amiga de Katie Holmes em Go - ou Vamos Nessa). Ja oscarizada, Christie presenteia com uma interpretação limpa e cheia de vigor. Por mim, só pelos trechos em que vi, ela já merece levar. Cotillard está bem no filme que conta a vida de Edit Piaf, mas eu tenho minhas dúvidas se ela leva... Linney tem uma de suas melhores atuações em The Savages, mas acredito que sua indicação foi uma compensação por A Lula e a Baleia, de modo que ela também não leva. Agora quem ameaça de verdade na minha opinião é essa novata, conhecida por filmes fortes e intensos (Hard Candy - em que destrói a psiquê de Patrick Wilson - e An American Crime - filme baseado em uma história real, em quem uma dona de casa mantém a baba de seus filhos presa no porão de sua casa), Ellen Page. Sua interpretação em Juno é tão forte que a crítica é quase unanime em elogios para a garota. E acho que a maioria dos marmanjos aqui vão lembrar que ela é a mesma Kitty Pride que enfrentou Juggernaut em X-Men: The Last Stand e venceu... ehehehe.. mesmo assim ainda fico com a Christie.


Melhor Atriz Coadjuvante

* Cate Blanchett - I'm Not There
* Ruby Dee - O Gângster
* Saoirse Ronan - Desejo e Reparação
* Amy Ryan - Gone Baby Gone
* Tilda Swinton - Conduta de Risco

Nessa segunda indicação, Blanchett tem mais chances de levar seu segundo Oscar (pra quem não lembra ela levou já um pelo não tão legal, The Aviator, no papel de Katherine Hepburn) de atriz coadjuvante. Dessa vez sua interpretação do cantor Bob Dylan têm sido elogiada aos extremos de dizer que é a melhor coisa do filme. Não assisti The Gangster, mas acho que Ruby Dee não oferece tanto problema para as suas concorrentes. Em contra partida, Saoirse Ronan, se sai como a única do elenco de Atonement (Keira Knightly e James McAvoy, que eram dados como certos nas indicações foram sumáriamente eliminados) a receber a indicaçâo. Isso pode direcionar para uma agradável surpresa para o filme de Joe Right. Amy Ryan leva o filme de Ben Affleck ao pódio, num elogiadíssimo ano para o fraco ator... quem sabe ele não senta na cadeira de diretor e agrada mais que do lado de lá da câmera? Não acredito que ela leve, mas como já disse anteriormente, o Oscar é cheio de supresas. E por último, mas não menos importante, a minha aposta do ano: Uma atriz que já deveria ter ganho o prêmio há tempos (na verdade desde de The Deep End) e aparece numa das mais fantásticas atuações do ano, ao lado de Tom Wilkinson, no mesmo Michael Clayton. Pra mim o prêmio é de Tilda Swinton :-D


Melhor Animação Longa-Metragem

* Persepolis
* Ratatouille
* Tá Dando Onda

Aqui eu preciso mesmo comentar? Persepolis é bom, na verdade fantástico, mas não chega aos pés de Ratatouille. E Tá Dando Onda, pra mim está só pra contar na lista, porque as outras animações do ano foram sofríveis... O prêmio é de Remy.


Melhor Direção

* O Escafandro e a Borboleta
* Juno
* Conduta de Risco
* Onde os Fracos Não Têm Vez
* Sangue Negro

Por mim quem leva esse aqui é Paul Thomas Anderson, que já deveria ter sua careca dourado desde Magnólia. Em There Will Be Blood, o cara faz um dos melhores filmes do ano, sem sombra de dúvidas, mas como eu ainda não vi, vou ter que ficar no que li a respeito (inclusive o roteiro). Ele é minha aposta, mas enfrenta um páreo duro, em especial no que diz respeito aos irmãos Cohen. O fato de Joe Wright não ter sido indicado me causou surpresa... Atonement merecia essa indicação também. Correm por fora Tony Gilroy, Jason Reitman (por Thank You for Smoking) e Julian Schnabel por The Diving Bell and the Butterfly. Como eu disse, o páreo é duríssimo.


Melhor Filme

* Desejo e Reparação
* Juno
* Conduta de Risco
* Onde os Fracos Não Têm Vez
* Sangue Negro

Esse também vai ser difícil de pitacar sem ter assitido a todos eles... Na opinião desse humilde blogueiro, There Will Be Blood e No Country for Old Men sâo os mais prováveis ao prêmio. De longe... Atonement aparece também como favorito, mas confesso que não figurar nas categorias principais (ator, atriz e diretor) fez com que o filme perdesse força para a premiação, deixando de ser o franco favorito. Mesmo assim ainda é possível que ele leve, justamente pela injustiça cometida nas indicações. Michael Clayton tem chances, mas como é um filme mais de interpretações e diálogos, acredito que não leve. Juno é o azarão e de certo a maior das surpresas... tenho uma tendência a apostar nele, mas fico com There Will Be Blood, só por causa de PT Anderson!!! :-D


Melhor Roteiro Adaptado

* Desejo e Reparação
* Longe Dela
* O Escafandro e a Borboleta
* Onde os Fracos Não Têm Vez
* Sangue Negro

Aqui eu acredito que Atonement encontra sua maior chance de levar o prêmio (claro que nas categorias técnicas como Figurino, direção de arte e fotografia ele tem chances fortes também), mas o fato de ter um texto tão forte e absolutamente atual, o leva para o topo da lista e ao meu preferencial nessa categoria. Away From Her é o meu do coração, gostaria muitíssimo que Sarah Polley levasse o prêmio (isso mesmo, além de dirigir ela também adaptou a bagaça), mas acredito que ela terá outras chances, num futuro próximo. A briga entre There Will Be Blood e No Country For Old Men, continua aqui... e The Diving Bell and the Butterfly entra como azarão, mas nem por isso fraco na categoria.


Melhor Roteiro Original

* Juno
* Lars and the Real Girl
* Conduta de Risco
* Ratatouille
* The Savages

Aqui eu estou com Reitman. Juno merece o Oscar de roteiro original, em especial pelo fantástico bom humor com que retrata um tema tão sério (gravidez e adoção na adolescência). Lars and the Real Girl, ficará somente na indicação, apesar de uma elogiadíssima atuação de Ryan Gosslin. Ratatouille seria o meu do coração, mas não acredito que animaçôes tenham muitas chances esse ano... Michael Clayton, tem grandes chances, assim como The Savages, mas nâo acho que batam Reitman.

Bem esses são os meus pitacos nas categorias principais. Quem quiser ver a lista completa dá uma passada no Omelete, que lá está tudinho, ou ainda no site oficial da Academia de Ciências Cinematográficas de Hollywood. Comigo vocês podem concordar, discordar e dar os seus pitacos, os comentários estão aí pra isso... ehehehehehe!!!! E aí??? Quem leva?? E por sinal, quem mais acha que essa festa vai ficar na praia, a exemplo do Globo de Ouro??

" - Your parents are probably wondering where you are.
- Nah... I mean, I'm already pregnant, so what other kind of shenanigans could I get into?
" - Lines of Juno


Quinta-feira, Janeiro 17, 2008

:: Erik Magnus Lehnsherr 3:07 PM

The Movies I Suposed to Have Talked About



Sim, eu sei, eu sei… durante todo esse hiato que o smells se encontrou, vários filmes ficaram sem resenha, comentários (por menor que tenham sido) e tudo que vocês quiserem chamar. O negócio é que apesar de não ter traduzido tudo que vi na tela grande (e pequena também) para a tela do seu computador, todo o acervo de opiniões e discussão de alguns filmes assombraram a cachola desse que vos escreve durante todos esses meses (tipo, sabe quando a Vampira tem aquelas tretas de vozes o tempo todo ficarem corroendo o juízo dela? pois é, mais ou menos aquilo ali). Em todo caso, aqui vão alguns (porque colocar tudo seria uma tremenda de uma sacanagem), pelo menos os que mais me empolgaram e os que mais me deixaram decepcionado:

The Bourne Ultimatum



Quando se fala em filmes de espionagem, o primeiro nome que se vem a cabeça é o de James Bond (JB). O personagem de Ian Flaming seduziu a todos na cadeira dos cinemas mundiais da mesma maneira com que ele seduzia suas mulheres fatais, agarrando-as com um braço, enquanto destruia um plano de manipulação ou conquista mundial com o outro. O negócio é que o público engoliu isso durante anos, até que caindo nas próprias armadilhas, a franquia se degolou nos anos 80. Mas aí chega um outro esperto e a revitaliza, trazendo de volta todo esse espírito, mas num Bond mais falível, que sentia a idade, tinha uma conciência maior dos perigos ao seu redor, mas sofria de uma síndrome de adrenalina, muitíssimo clara nos sorrisos estranhos de Pierce Brosnan. Aí vem Doug Liman em 2002 e resolve trazer um segundo espião literário para as telas. Os pequenos gafanhotos poderiam me perguntar, mas o que há de diferente entre esse e os milhares de Bonds genéricos que já tentaram adaptar para o cinema em todos esses anos? A diferença é total, a começar pela perda da glamourização que o mundo da espionagem, do inatingível Bond oferecia. Jason Bourne (JB again), é um homem que acorda um dia sem saber de porra nenhuma sa sua vida, colocando a mão na cabeça e dizendo “fudeu”, até que descobre que pode dar cabo de um metido a Bruce Lee com o dedo midinho da mão esquerda. O cara vai a procura de quem é, e está cagando se o mundo tem aquele excêntrico da vez correndo atrás de seu milhão de dólares (menção honrosa a Austin Powers), ele quer saber quem foi que o sacaneou, ele quer respostas, e vai atrás usando tudo que ele não sabia que aprendeu, mas que desenvolve muitíssimo bem. Tudo que encaixa perfeitamente no mundo da espionagem. Enquanto Bond usa esse universo como droga de sua sede de adrenalina, Bourne é dragado a ele e tem que aprender rapidinho a dançar conforme a música. Interessante??? Ainda não é nada. Como eu disse no início, Liman começou tudo, trouxe Matt Damon para encarnar o personagem das obras de Robert Ludlum e fez um filme memorável. Nada que gritasse por prêmios da academia de artes e ciências americana, mas ainda assim algo a que prestar a atenção e de certo algo que refrescava toda esse universo que estava de muletas há tempos. Com uma excelente aceitação de crítica e público, se pensou “por que não adaptar o segundo volume da série?” afinal de contas, Bourne ainda procurava por respostas. Dessa vez Paul Greengrass comandou a parade de “The Bourne Supremacy”, e com sua genialidade cinematográfica, trouxe Bourne a outro nível, o fazendo um dos maiores personagens cult dos últimos anos. Mas o trabalho não havia terminado, pois qual o sentido de se ter uma história baseada num homem sem passado, se as respostas nâo chegam até ele? Bem, isso tudo é finalizado em The Bourne Ultimatum. Finalmente as histórias envolvendo o personagem convergem ao ponto em que ele descobre quem era e o que ainda resta desse cara dentro de si. Esse é o maior atrativo do segundo JB, ele é um personagem falível, que amou, perdeu muito com isso e ainda sofre por causa dessas perdas. A humanidade de Bourne é o que motiva ele, e o que imediatamente o conecta ao público do lado de cá da tela. Um filme fantástico, que merece ser assistido numa sessão de cinema, depois de uma retrospectiva dos exemplares anteriores. Talvez, pra uns (os mais desavisados), até um modo de matar o tempo enquanto a nova temporada de “24 Horas” não chega a tv com o terceiro JB (aka Jack Bauer).


The Brave One



Nós brasileiros, sabemos como ninguém as injustiças de cidades que crescem de maneira desordenada e com grandes diferenças sociais. O aumento da criminalidade resultante de governos faltosos e incompetentes. Mas nem de longe sabemos como é sofrer o resultado de uma agressão direta extrema, caso não tenhamos passado por ela nós mesmos e sobrevivido. E quando falo de sobrevivência, não me dirijo somente ao fato de ter escapado do episódio com vida, mas o do constante e duro exercício que é recuperar a auto-estima e se livrar do sentimento de impotência e constante medo de ter que enfrentar algo semelhante num dia futuro. Muitos encaram esse exercícios de forma diferente e é um desses “modos“ de encarar essas agressões que Neil Jordan aborda em seu último filme, The Brave One. Jordam passeia pela vida de Erica Bain, uma radialista nova iorquina que exata em seu programa os sons peculiares da grande cidade, também chamada de maçã do mundo. Ele caminha em leves passos na transformação da pacata Bain, numa vigilante que encontra uma maneira de vencer seu medo na obscessiva caçada a criminosos, não importando seu grau de criminalidade. O medo, angústia e satisfação culposa é transmitido de maneira forte e impecável por Jodie Foster, em mais uma interpretação digna de indicação ao careca dourado. É impressionante como ela consegue passar todo o desespero de Bain no momento em que recebe a notícia de que perdeu seu noivo (numa cena brutalmente realista), o choro contido em lágrimas de uma dor quase insuportável, e caminha lentamente em sua metamorfose para a mulher que de forma nervosa inicialmente, mas que lentamente parece saber aonde chegar, tira vida de foras da lei da grande cidade. Seu antagonista, vivido por Terrence Howard, é igualmente brilhante na atuação. Sua sagacidade e busca por provas do que desconfia durante todo o filme é impressionante, e carregada de maneira densa, mesmo que bastante sóbria… um trabalho perfeito. O filme é bom, mas perde um pouco por não colocar um dilema moral mais apurado na personagem principal. Não me levem a mal, eu não acho que filmes devem trazer sempre mensagens positivas, ou sequer trazer mensagens (eu sou fã do David Lynch, ehehehehe…), mas soa um pouco forçado pra mim, alguém inteligente e sensível como Bain não se sentir mal de uma maneira moral mais apurada. O fato de ir contra a lei, de ter o dilema de saber que está fazendo algo hediondo, mas que reconforta sua dor de uma maneira em que não consegue parar daria a personagem uma tridimensionalidade muitíssimo maior, e catapultaria o filme para um de melhores do ano. Culpa do roteiro, que não trabalha isso de maneira efetiva e de Jordan que não colocou suas sutis mudanças enquanto diretor. Mesmo assim, é um filme que vale a pena.


The Golden Compass



E finalmente a maior das decepções de 2007. Pelo amor de Deus, eu achei que a indústria cinematográfica tinha aprendido com os erros de Eragon (que filme de fantasia, fraco e sem conteúdo não ganha prêmios e muito menos faz bonito em bilheteria), mas eis que chega uma segunda cagada (que tinha a pretenção de ser uma trilogia, mas hoje em dia duvido) para, quem sabe, eles aprenderem a lição. Bem, como enumerar os diversos erros cometidos por A Bússola Dourada? Vamos começar do início. O filme tem a pretenção de se dirigir ao público infantile, algo que eu não concordo (afinal de contas o texto de Philip Pullman é muito mais complexo do que algo que caberia num filme infantil), mas acredito que é até um ponto válido, uma vez que o produto supre ao que se propõe. Mas o que acontece aqui é um texto picotado e confuso para crianças, de modo que não cabe a eles compreender o que está Rolando no filme. Então o filme passa imediatamente ao público adolescente, certo? Errado, pois este tipo de público curte a aventura desenfreada, seguida de muitas cenas de ação, romance e todos esses elementos clichês e descomplicados que nós enquanto adultos adoramos meter o pau. O problema é que existem nuances políticas demais no filme, a ação é lenta e inconstante, e romance? Faça-me o favor: totalmente zero. Daí deveria ser um filme que nós adultos deveríamos apreciar, correto? Errado de novo, pois o texto é nojento com frases feitas com o efeito deslocado e mediocre. O roteiro picotado é sentido e demora a engrenar. A narração inicial ajuda numa contextualização da história, mas poderia ser descartada se houvesse um mínimo de coerência entre as cenas, de modo a conectar tudo numa descoberta da protagonista sobre o que realmente estaria acontecendo ao seu redor e seu papel em tudo isso. Pois é, fica muito bonito quando eu falo, mas foi algo que o diretor (que por sinal também é roteirista) não teve o bom senso de fazer. Eu sinceramente me pergunto até hoje o que Ian McKellen deve ter pensado quando dublou as frases horrorosas que seu personagem (tão rico no universo de Pullman) acabou falando na versão final do filme. Eu fiquei constrangido em diversas ocasiões e simplesmente não conseguia acreditar no que estava sendo dito. Nicole Kidman conseguiu me mostrar somente duas coisas com o filme: 1) de que precisa urgentemente achar roteiros mais interessantes para interpreter, pois por mais que seu talento seja impressionante, eles acabam comprometendo sua performance, e foi exatamente o que aconteceu aqui; 2) de que ela precisa parar de usar botóx, uma vez que eu fiquei extremamente preocupado com o fato de que a testa dela não mexeu durante todo o primeiro ato em que atuou e isso é bizarro… ela está deixando de ser uma bela mulher, para se tornar um boneco plástico a exemplo de um de seus filmes (The Stepford Wives). Dakota Blue Richards, começa cambaleante, mas depois ganha a simpatia do público. Não que ela consiga provar a que veio, mas pelo menos não deixa a peteca cair. A única que me deixou bem com a atuação, mesmo que tenha sido breve (talvez por isso não tão comprometedora) foi Eva Green. Sua beleza e sutileza na atuação foi a chave para seu sucesso, ela não exagera nas expressões, mas nem por isso as economiza, pouco, mas eficiente. E Daniel Craig não merece comentários, eu sempre achei o cara meio bonecudo mesmo… No final, The Golden Compass é algo que merece um grandioso desprezo, que deveria estar nas mãos de um diretor mais hábil, que não deveria ter saído do papel nesse momento, que deveria ter tido o mesmo cuidado e amor que O Senhor dos Anéis teve alguns anos atrás… enfim, é algo que matou totalmente uma trilogia que merecia uma chance especial no cinema. E a exemplo de Eragon, vai ficar somente na primeira parte… Uma pena para quem esperava uma continuação e graças a Deus que isso aconteceu, quem sabe ele não retorna daqui a 10 ou 20 anos nas mãos de alguém que realmente saiba como tratá-lo devidamente… ou não.

"I will serve you in your campaign until you have a victory" - Uma das poucas boas frases ditas por Lorek em todo o filme



:: Erik Magnus Lehnsherr 2:57 PM

The Movies That I Suppose to Have Talked About - Part 2

A continuação do extenso e infame post que começa acima, esse teve que ser dividido porque o Blogger estilou a quantidade de caracteres... hauhauhauhauahua!!!!

The Simpsons - The Movie



O filme segue a genialidade da série de tv, que adentra nesse momento a sua decimal-oitava temporada (é amigo, não é pouca merda não… é penico cheio). Diálogos interessantes, aquele jeitinho sarcárstico de colocar a piada no lugar certo, além da demência habitual dos personagens. O problema é que com tudo isso, o filme ainda soa como um episódio maior da série, que por acidente caiu na tela grande. E isso é reforçado pelos vários exercícios de meta-linguagem e interação com o expectador que os personagens apresentam (em especial na fase final do filme). Mas aí vocês perguntariam? Isso quer dizer que o filme é uma porcaria? Pelo contrário. O filme é muito bom e relembra a galeria de melhores episódios do produto televisivo, a pena fica por conta da falta de grandiosidade, que muitos (inclusive eu) esperavam. No mais é entretenimento certo, com direito a cenas já clássicas (a música do Spiderpig é um verdadeiro sucesso aqui na Europa ainda por esses dias). Vale demais a pena, e mostra que apesar da maior idade, a série ainda tem fôlego de sobra (claro que tem gente que vai comparar com produtos tipo: Family Guy, Drawn Together e American Dad, mas isso fica pra um outro post).


Hannibal Rising



Eu não sei o que é essa epidemia de estar fazendo retcons ou prequels ou que diabos você quiser falar, que anda assolando Hollywood por esses dias, mas eu venho por meio desta pedir a todos os produtores que parem com isso… pelo amor de Deus, eu acredito que a franquia liderada pelo magnífico O Silêncio dos Inocentes já maculada ao extreme. Não é segredo para ninguém que o original dirigido por Johnathan Demme é o meu filme preferido de longe. O cara conseguiu dissecar num filme policial investigativo a psiquê dos personagens principais de maneira sutil, interessante e clara, de modo a se tornar um dos melhores exemplares cinematográficos de envolvimento psicológicos da história do cinema. O modo como Clarice Starling e Hannibal Lecter se envolvem é tão peculiarmente envolvente que os personagens se completam num envolvimento sentimental fantástico, e que em nada exige traduções físicas ou fonéticos… o expectador simplesmente consegue tocar a tensão e o fascinio de ambos. Verdeiramente uma obra-prima. Mas aí vem Thomas Harris, escritor da obra em papel que deu origem a versão em celulóide, e inventa de fazer uma continuação. Bem até aí tudo bem, se o material liberado pelo escritor não tivesse sido tão pobre no quesito que alçou a obra anterior ao auge: O envolvimento dos personagens. Tudo bem, o livro era uma merda, mas aí poderiam fazer um filme consertando isso, certo? Errado. Chamaram pra conduzir a bagaça Ridley Scott, que é genial com imagens, mas uma verdadeira tora quando se trata de nuances. Daí o cara terminou por cagar ainda mais a série. Mas tem problema não, pra fazer com que tudo não fosse pro ralo, Brett Ratner resolveu refilmar Red Dragon (que já havia sido filmado antes por Michael Mann - antes da indicação ao Oscar - e cronologicamente se situa antes de OSDI), e deu mais uma vez dignidade a série. Mas tudo deveria ter acabado aí certo? Errado de novo, pequeno curumim. O jegue do Harris resolveu que era a hora de contra a história por trás do Lecter (uma vez que um personagem tão amado, mesmo que seja declaradamente um psicopata cannibal, ainda chamava tanto a atenção, em parte por causa da fantástica atuação de Anthony Hopkins em OSDI), colocando o porquê dele ser o que é hoje, dar um background para o personagem, sabe? Background é o meu maranhão… eu fico puto da vida com esse negócio de dar explicações para ações de psicopatas… caralho, o fascinante do Lecter é ele agir por impulso. O cara é o genro que toda mãe queria ter: Psiquiatra conceituado, culto, de um gosto impecável e ainda com um senso de humor inigualável, com o pequeno porém de ser um maníaco homicida. Dar razões para o como Lecter age é um tremendo insulto a inteligência de quem aprendeu a amar o personagem. Uma tremenda idéia de jegue. Mas até aí tudo bem, o escritor resolveu fazer, quem sou eu para reclamar… o problema é que a obra cinematográfica é tão furada quanto o exemplar de papel. O filme não chega a ser a miséria que Hannibal foi, mas chega bem juntinho. Primeiro, porque não contamos mais com Anthony Hopkins pra levar o filme nas costas; Segundo, porque o diretor, apesar de talentoso não tem moral nenhuma pra opinar numa obra que exigia muito mais tratamento psicológico do que uma historinha de “boo” aqui e ali. E terceiro porque a escola do elenco ficou meio a desejar. A única que se salva é Gong Li. O protagonista, Gaspard Ulliel, é bem talentoso, mas óbvio que não conseguiu carregar um personagem complexo como Lecter nas costas. E Dominic West eu não nem comentar, porque pra mim esse cara tinha que ter desistido da carreira de ator há muito tempo (acho ele um canastra desde que o vi pela primeira vez em Sonho de Uma Noite de Verão, com Calista Flockhart). O filme é bom então? Não, é uma porcaria. Caça-níquel safado até o talo, mas que de certo vai agradar os menos exigentes. Infelizmente eu não me enquadro nessa categoria.


Rocky Balboa



Silvester Stalone, um descendente de italianos fincado em Nova York, jamais pensou que depois dos filmes soft-porn que tinha feito, lá na primeira parte da década de 70, iria se lançar ao estrelato com um filme que ele mesmo escreveria, sobre um cara bronco, de um subúrbio da Filadélfia, que num golpe de sorte vê sua única perspectiva de vencer como lutador de boxe, se tornar realidade. Por essa Stallas recebeu duas indicações ao prêmio da academia, além do de atuação o cara teve seu talento reconhecido como escritor. Mas aí o cara decidiu que uma maneira fácil de ganhar dinheiro seria fazer filmes de ação e simplesmente se tornou sensação dessas coisinhas cheias de testoterona, explosão e sexy ladies que tomam conta dos cinemas até hoje. O cara reinou absolute durante mais de uma década, chegando ao salário de 20 milhões de doletas no início da década de 90. O problema é que por mais que o cara seja bom, a idade sempre chega e claro que isso não seria diferente para o nosso Rocky. Depois de uma década de ostracismo e de um vergonhoso curriculum, Stallas resolveu voltar as origens. No início eu tenho que admitir. Achei que ressucitar a franquia do Balboa era uma tremenda idéia de anta. Fala sério, depois de um primeiro exemplar promissory, tocante e extremamente interessante, veio uma enxurrada, com mais 4 continuações, de filmes que só caiam em qualidade de roteiro e direção, e isso sem falar que o Stallas velhaco não enganava mais ninguém. Fala sério, o cara vencer o Dolph Loungred??? Mas Sly resolveu persistir, escreveu o roteiro, conseguiu a grana e encarou a direção do sexto, e ninguém sabe se último, Rocky. Eu tenho o prazer de anunciar aqui que eu rasguei a boca de maneira indiscutível, paguei a minha lingual e gostei do filme bagarai. Stallas é um diretor somente mais ou menos, mas ainda assim, conseguiu fazer um filme sensível, que em nada lembra aqueles caça-níqueis porradeiros da década de 80. Os clichés estão lá, mas são usados por ele para dar veracidade a história, tudo soa de uma maneira tão incrivelmente real, que é impossível não se emocionar em algumas passagens. Claro que nem tudo são flores, sem tem a parte mela-cueca na obra (todas as cenas com o Milo Ventimiglia), mas isso fica embaixo da pilha, quando comparado com o resto (em especial, no embrace que o personagem dá na sua origem, apostando em seu carisma como seu ponto mais alto, sempre). Algo que vale demais a pena, em especial para quem soube apreciar tudo que o primeiro exemplar, aquele mesmo de 1976, ofereceu. Espero que o Rocky seja agora, finalmente, deixado em paz, pois esse de certo foi o melhor desfecho que o personagem poderia ter.


Ratattouile



É um fato inegável que a qualidade dos filmes Disney caíram no decorrer dos anos. Acredito que o ultimo filme de animação que a casa do Mickey me deixou realmente interessado foi “O Corcunda de Notredame” há longínquos 12 anos. Uma pena, mas o fato é que os tempos mudaram e o jeito simplório e inocente Disney de enxergar o mundo não evoluiu com o passar dos anos. Na verdade eu chego a arriscar que sua visão ainda continua em 1937, quando pela primeira vez chegava aos cinemas o já clássico “Branca de Neve e os Sete Anões”. Nâo se enganem, eu também acho uma pena que essa parte da inocência infantil tenha se perdido no decorrer da última década. Talvez tenha sido a evolução da vida virtual, essa sede de informações e dinamismo que hiperage em cima dos infantes de hoje em dia, os fazendo ver o mundo de uma maneira completamente diferente da nossa, mas tudo isso seria somente eu no meu achismo. O fato é que a alternative para a casa do Mickey continuar no negócio, foi se agarrar com unhas e dentes no que antes era somente uma parceiria pioneira para se colocar a primeira obra inteiramente digital nos cinemas. Se agarrar a Pixar. Dona dos personagens que cultivaram as crianças na última década (as tratando como seres pensantes, finalmente), a empresa da luminária deu a luz a seu ultimo projeto no verão desse ano. O nome da bagaça? Ratattouile. A história do ratinho que vence o sistema em que vive para se tornar um chef de cozinha é simplesmente fenomenal. O plot politico-social envolvido (característica dos filmes pixar desde Toy Story), somado a uma sensibilidade e criatividade geniais, nos presentearam com a melhor animação do ano (na minha modesta opinião). Num ano fraco desses exemplares digitais (Shrek 3 foi legal, mas nem de longe chega junto de seus precursors), Brad Bird (diretor de Os Incríveis) constrói uma fábula, ambientada na cidade luz, de tolerância, auto-aceitação e persistência dignas do fabuloso senso de humor com que os diálogos dessa obra são moldados. Simplesmente fascinante. Não só valeu a pena a primeira vez que vi, como a segunda, a terceira…

"Ahhhh... Paris, France! Home of the finest restaurants and the greatest chefs in the world" - By Remy in Ratatouille


Sábado, Janeiro 12, 2008

:: Erik Magnus Lehnsherr 3:43 PM

"But What the Hell Happen?" (or an Almost Return)



E aqui o Smells retorna às operações, que espero tenham um mínimo de normalidade daqui em diante. Bem, muitos devem estar se perguntando o que diabos aconteceu para que eu deixasse o blog abandonado durante quase seis meses (sim, sim, eu estou sendo bondoso, na verdade foi mais que isso) e não ter ou terminado a bagaça de vez, ou simplesmente encher o blog de posts "enche lingüiça", que ninguém ia ligar mesmo... Bem, como todos sabem eu coloco uns posts safados de vez enquando (sabe como é, todo ser humano tem seu dia de preguiça descontrolada e sente que tem que fazer algo para provar pra si mesmo que não é preguiçoso - ir de encontro a um crime capital é sempre algo que levanta), mas simplesmente colocar por colocar e fazer isso de uma maneira sequencial me dá nos nervos... Mesmo que ninguém se importasse (o que eu acho difícil - mas eu estou me achando mesmo...), eu me importo e não quero manter um blog somente por manter. Mas aí você pergunta: "por que então não terminar tudo e voltar em uma outra ocasião?" A resposta não é simples, mas eu vou tentar explicar assim mesmo (como idiota que sou). O ponto é que se eu terminasse o blog de uma vez, de certo eu não retornaria num futuro próximo... tenho diversas outras coisas em que me concentrar no momento, e do desatachamento da vida virtual, por completo, me livraria de qualquer intenção de mantê-la novamente... é como um casamento que você quer fazer valer, mas que precisa de vez enquando de um tempo. Depois você tenta voltar com uma terapia de casal, rezando que dê certo (pois é, vocês estão na minha terapia de casal... huahauhauhaua).

Mas então o porquê da demora? Bem, numa bem resumida eu vou tentar explicar aqui o que aconteceu:

1) Para os que não sabem, eu estou no momento fazendo um doutorado em Química dos Polímeros em Basel, na Suíça. Mas apesar da pomposidade do que a frase anterior tenta passar, eu sofri como um cão até chegar nesse ponto que eu estou no momento. Simplesmente porque meus papéis brasileiros encontraram um burocrata suíço sem muita noção, que resolveu estudar muita legislação e pouca relações humanas... no final de muita discussão eu perdi a quebra de braço e tive que fazer um mestrado (ou mais ou menos um) em que eu pegaria dados do trabalho que tinha realizado até então e prepararia uma dissertação (com direito a defesa...);

2) Eu deveria ter escrito essa dissertação entre julho e agosto e defendido no meio de setembro, mas entre correções e discrepâncias eu me encontrei adiando e adiando e adiando o bagulho, de modo que minha defesa só ocorreu no último dia 19 de dezembro. Enquanto eu escrevia, era simplesmente impossível pra mim encarar um computador para escrever naturalmente aqui no blog... de modo que eu pensei, diversas vezes, em deletar a conta e simplesmente terminar com minha vida virtual (afinal assim eu não me sentiria culpado), mas uns amigos (incluindo Luwig e o The Batman, Marlo) me incentivaram a não fazê-lo, pois eu poderia simplesmente usá-lo como cano de escape, se assim eu precisasse. Bem, não usei, tentei encarar o stress (que foi muito) e agora não me arrependo de ter mantido tudo no ar.

3) Tentei retomar a escrita enquanto estive no Brasil durante três semanas, mas foi simplesmente IMPOSSÍVEL!!!! Primeiro porque eu tinha que trabalhar por lá também (fiquei pouco mais de uma semana fazendo experimentos na universidade federal), segundo porque eu conheço gente demais em Recife, e isso tornou inviável quaisquer tentativas de ficar em frente ao computador e quando eu o fiz foi pra responder e-mails :-p. E terceiro, enquanto eu tinha sol, mar e água de coco fresca depois de um ano sem, fica complicado ter que abidicar no meu tempo livre disso pra escrever sobre "o quanto estou sofrendo aqui na frente do computador enquanto poderia estar em porto de galinhas", dessa forma o ensaiado retorno foi também adiado...

Bem, no geral foi isso que aconteceu. Espero que os fiés visitantes de outrora continuem passando por aqui quando puderem, e que se surgir algum novo, que goste do que está sendo proposto no blog, que por sinal deveria estrear com template novo também, mas quem ficou de me ajudar (leia-se fazer) o template pra mim me deu um bolo (né, Marianne??? hauhauahuahua), mas acho que em algumas semanas eu volto de cara nova por aqui também... Valeu mesmo galera a paciência, cobranças e, em especial, a preferência. Se deliciem, ou metam o pau, nos quatro posts que estão aí embaixo e ainda essa semana eu publico mais três ou quatro com direito a séries, filmes, Buffy, Sandman e Viagens... sim, muitas viagens... Valeu!!!! E Feliz Natal e um excelente início de ano novo a todos (bem, atrasado sim, mas antes tarde do que nunca... ;-))

PS: o fotolog também está sendo atualizado, quem quiser dar uma passada, é sempre bem vindo (www.fotolog.net/ericmagnus)

"plus ça change, plus ça la meme chose" - Charles Xavier



:: Erik Magnus Lehnsherr 3:06 PM

It’s magic. We don’t have to explain it…



ESTE DESABAFO POSSUI SPOILERS, SE VC QUER PRESERVAR AS SURPRESAS PARA AS EDICÕES DO ARANHA, PASSE PARA OUTRO TEXTO.

Estive lendo um artigo bastante interessante umas semanas atrás, falando sobre a evolução dos personagens de quadrinhos, e como cada um deles evoluiu dentre as famosas eras (de ouro - situada nos anos 50 - , de prata - que pega os personagens na década de setenta - e a contemporânea que engloba o que foi feito a partir dos anos 80). É engraçado pegar textos das eras passadas e verificar a evolução dos textos e roteiros… verificar o quanto tudo era inocente em cada uma delas, evoluindo e englobando temas polêmicos (como o caso da série do Lanterna e o Arqueiro Verdes, em que um de seus sidekicks se mostra envolvido com drogas), mas nunca agredindo a inteligência de seus leitores, por mais mirabolantes e polêmicos que se mostrassem. Pois é, em compensação temos um exemplo claro de quando o leitor tem sua inteligência subestimada nos anos 90 (ou boa parte dessa década), com um exaltar ilimitado dos desenhos e imagens estáticos para os quadrinhos em geral, ilustrando histórias sem conteúdo algum, ou plots e subplots copiados sem um mínimo de originalidade. Mas por que eu estou falando essa baboseira toda por aqui? Somente para introduzir (no bom sentido) e embasar a mais nova agressão e falta de respeito a inteligência leitores e colecionadores de quadrinhos nessa década. A completa falta de senso e o sentimento de “peru de engorda” trazido pela saga One More Day, que retrata um momento bastante delicado do personagem Homen-Aranha, da Marvel Comics.

Para os que estão mais por fora que bunda de índio do que está rolando, eu vou dar uma sumarizada:

1) J. Michael Straczynski, produtor de séries de tv como Babylon 5, é convidado em 2001 para ser escritor e roteirista da revista Amazing Spiderman, carro chefe das publicações do herói aracnideo na editora chamada de casa das idéias. Isso foi recebido com comemoração pelos leitores, uma vez que o personagem passava por uma seqüência de arcos infelizes e absurdos – vide saga do clone;
2) Straczynski polemiza a revista fazendo alterações na premissa do aranha para aproximá-lo do personagem que estava sendo criado nos cinemas… Em um retcon muitíssimo do safado, ele afirma que os poderes do Aranha são mágicos e que não foi acidente nenhum o que aconteceu com o Parker, ele estaria destinado a ser mais um da linhagem de homens-aranha criados por uma entidade (hã?!?!). Com isso Peter passou a produzir sua própria teia e sobreu outras transformações. Apesar do background forçadíssimo, a história era muitíssimo bem escrita pelo JMS, assim os fãs engoliram a contra-gosto, mas ainda assim engoliram a história;
3) O prelúdio das cagadas: JMS queria fazer de Peter Parker pai de duas crianças com sua high school sweetheart Gwen Stacey. O problema foi que o editor Joe Quesada (guarde esse nome pois vc vai odiá-lo no próximo parágrafo) vetou o fato de Peter ser o pai, mas sugeriu que outro ocupasse o posto. Resultado: Ele fez de Norman Osborne (o Duende Verde) o pai e transformou de uma só vez a Gwen numa whore de primeira linha e despedaçou o coração dos fãs em relação a personagem (que sempre teve em sua morte o divisor de águas na perda da inocência de Parker, saber que ela teveum caso, e filhos, com um homem que possuía um histórico deslumbrante de loucura foi a gota d’agua);

Acredito que com esses três pontos até os não entendidos (de quadrinhos) se encontram aptos a compreender o tom de ironia e revolta que acompanha o restante do texto. Pois bem, para quem não sabe, o nosso querido amigo da vizinhança casou-se com Mary Jane Watson (aquela ruivinha das histórias, tá lembrado?) na Segunda metade da década de 80, ilustrando um crescimento no personagem junto ao seu público. A vida de Peter naturalmente evoluiu para a de um adolescente que trabalhava como freelancer para a de um adulto com um trabalho xexelento (ele ainda era fotógrafo do Clarim Diário) e que ganhava menos que a esposa (que era uma modelo de sucesso na época). Mudança de foco, mas ainda o mesmo Peter cheio de problemas, dúvidas e contato com o leitor – já que todo mundo passa por esse tipo de merda quando cresce também, algum dia. O negócio é que o Joe Quesada citado acima, saiu dizendo a Deus e o mundo que o casamento do personagem tinha sido um erro editorial e que o fato dele ter crescido fechava o personagens para novos leitores (que na cabeça torpe do mané, são adolescentes SEMPRE). Ele vinha dando entrevistas dizendo que o casamento do Aranha deveria ser terminado permanentemente, mas que era contra o divórcio e que matar a conjuge do aracnídeo também não era uma alternativa. Peter não deveria ser divorciado ou viúvo, ele deveria voltar a ser sol-tei-ro. Como como assim Bial? Como fazer algo assim, uma vez que o cara já casou? Acabou-se, é para na saúde e na doença, na alegria e na tristeza… e maior ainda até que a morte os separasse. Bem, Quesada tinha outros planos… E que planos seriam esses? Bem, se você tem um problema que não pode ser resolvido de maneira alguma pelo método convencional, o que fazer então? Apelar para a Mágica, certo? Pois é meu caro, o cara resolveu apelar e acabou o casamento na base da mágica e é aqui que o caldo entorna e a merda começa a feder…

Não sei se todo mundo lembra aqui também, mas Parker revelou a todos, na frente de câmeras de tv, que era o Homem-Aranha. E esse foi um dos pontos altos da Civil War que redefiniu o statos quo dos heróis da Marvel no ano passado. O evento que revelou a identidade secreta do herói, foi um fatores que o levaram a uma mudança completa do modo de pensar e de agir naquele universo, foi uma segunda perda na inocência do sempre crente Peter, que tornou-o mais negro (literalmente, como na saga Back in Black) e o re-inventou. Pois bem, eu achei o movimento extremamente arriscado, uma vez que somente artistas competentes teriam o gabarito de escrever histórias de um personagem que possuía uma galeria de vilões tão ampla e que tinha evoluído de uma maneira tão pesada em apenas alguns meses. Não que se tornasse difícil escrevê-lo, mas ele já não mais pertencia ao clã de personagens inocentes, ele agora era negro e adulto, mesmo com as piadinhas características de sua personalidade. Bem, o fizeram correr pra cima e pra baixo pra que o cara pudesse proteger a família dele dos inúmeros inimigos que possuía, mas como já havia sido previsto por todos, alguém teria que pagar o preço pela escolha adulta do Peter. Nesse caso sua idosa tia: May Parker. Não me entendam mal daqui pra frente, acho que May sempre foi alguém importante na vida do Peter. Sempre deu a ele um caminho a seguir e o mostrou, mesmo quando não sabia de sua identidade, que escolha tomar e o lado que ele sempre deveria estar. Eu só acredito que todos que se tornam adultos em algum ponto, devem deixar o seu ninho e aprender a andar com as próprias pernas. Peter ensaiou fazer isso várias vezes e a primeira morte de sua tia (sim, essa seria a segunda) marcava o ponto de crescimento do jovem herói. O negócio é que resolveram transformar a velha em mais uma da linhagem do Wolverine e a mulher se tornou imortal… Ela sobreviveu a um incêncio (com direito a desabamento) de sua casa, inúmeros sequestros e eu não quero nem apontar a quantidade de ataques do coração que ela já deveria ter passado. O fato é que durante a fuga de Peter, May acaba por ser atingida por uma bala e fica em estado extremamente grave no hospital. Mesmo apelando para tecnologia e fatores mágicos de seus aliados e inimigos (incluam aí Doutor Estranho e Homem de Ferro), Peter não obteve sucesso em achar uma solução que pudesse fazer com que May saísse incólume de uma intervenção cirúrgica (e assim que eu acabar de escrever isso vou contabilizar o número de “healers” existentes no universo Marvel). E aqui chegamos na encruzilhada da merda que acabou de acontecer. Para salvar a vida de sua querida tia May, Peter só encontrou solução em Mefisto, que representa o demônio no seu universo. Em troca de uma May bonitinha, curada e sem nenhum vestígio de bala no corpo, o cara teria somente que desistir de toda a sua vida com Mary Jane, seu casamento e relacionamento. Assim, tudo seria apagado da existência com um pedaço da alma do cara sabendo o que ele perdeu, mas tornando-o solteiro, livre e desempedido. Mas claro que mais algumas exigencias foram feitas, já que a mulher do cara resolve tartar tudo com o diabo cara a cara mesmo, por que não? Ele teria sua identidade secreta de volta e Mary Jane deveria ter poderes se transformando numa super-heroína chamada de Jackpot (essa última mantendo um segredinho bem seboso que todo mundo já descobriu).

Pois bem, para um leitor leigo isso soa até bonitinho né? E por que tanto alarde então? Somente 20 anos de quadrinhos feitos para o Aranha foram apagados da existência. E o pior é que agora diversos personagens da história do aracnideo, que assumiram seu próprio status no universo Marvel, se encontram afetados de diversas formas, em particular no que diz respeito a Norman Osborn e Venom (suas motivações estavam em cima de um Peter cuja a identidade eles sabiam, mas como Mephisto magicamente deixou a mente de todos meio enevoada, como fica o lance de Gwen Stacey ter morrido?? Afinal de contas ela morreu somente depois de Norman ter descoberto que Peter e o aracnídeo eram a mesma pessoa. E o simbionte? Ainda sabe que Peter e o Aranha eram um só?). Personagens que há muito haviam perecido, retornaram ao convívio do herói além de termos um retorno de sua identidade secreta e um misterioso conflito com sua antiga esposa, Mary Jane. E o buraco vai mais embaixo ainda, uma vez que todo o envolvimento do personagem na Civil War foi comprometido bem como a própria saga que cuminou na morte de um dos mais importantes personagens da editora: O Capitão América. Aí todo mundo resolve perguntar: “mas Quesada, além dessa sacanagem toda que você resolveu fazer com a gente - somente 20 anos de quadrinhos foram colocados como algo que nunca aconteceu – como é que você vai explicar toda essa lambança?” e o cara vem com uma que é clássica e perfeita: “Estamos lidando com magia. Não temos que explicar nada. Aconteceu e pronto”. Pois bem meu caro leitor, com saco o suficiente para chegar nesse ponto do que foi escrito, o que você acha dessa declaração? Devemos somente sorrir e achar que magia resolve tudo (inclusive os fãs de Harry Potter) ou ficar putos da vida com essa tremenda falta de sensibilidade e respeito com o leitor que acompanha um personagem por tantos e tantos anos? Bem, nem precisa responder realmente, eu já sei que agora o Aranha faz parte de um universo completamente aparte do restante dos heróis, cortá-lo da minha lista de leituras vai ser mais fácil ainda. E a controvérsia nem fica somente por conta dos leitores, mas pelas declarações do próprio escritor da saga, que se dizia contra o que foi feito explicando que mesmo com magia, regras deveriam ser seguidas dentro de um cenário de ficção-científica coerente e que modificar a vida de uma pessoa ao bel prazer, sem nenhuma proposta plausível de explicação ia de encontro direto ao que o cara acreditava. Mas o JQ nem quis saber, mudou o que quis da história do Strazas e publicou na cara de pau. Resultado, o cara conseguiu o que quis e ainda uma publicidade polêmica de quebra-galho, já que JMS pediu para que seu nome fosse retirado dos créditos da história. Parabéns Quesada, você com certeza vai conseguir atrair leitores mais novos, mas esse velhaco aqui cansou de ser maltratado por esse amontoado de palhaçadas editoriais. E eu pensando que ler Chris Claremont atualmente era o pior que poderia me acontecer…

"Even Magic has to obey rules. Every science-fiction writer knows that" - J. Michael Straczynski



:: Erik Magnus Lehnsherr 3:03 PM

The Day After Tomorrow…



ESTE TEXTO POSSUI SPOILERS, ENTÃO SE REALMENTE SE IMPORTA COM O QUE ESTÁ ACONTECENDO NO UNIVERSO MUTANTE ATUAL E QUER PRESERVAR AS SURPRESAS, FAZ O FAVOR DE LER O TEXTO DE BAIXO... :-D

O ano foi 2005. Depois de um rebuceteio inimaginável (Wanda Maximoff, também conhecida como A Feiticeira Escarlate), decide que a fonte de seus problemas, em sua perturbada mente incapaz de destinguir realidades, seria a forma de vida mutante e, inadvertidamente, apaga o gen reponsável por extraordinários poderes em seres igualmente fenomenais, de 90% dessa população. O resultado foi uma redução drástica da facção mutante em nível mundial, controlados pelo governo americano e uma perseguição aos que haviam perdido os poderes (que agora se tornavam seres expatriados - uma vez que eram rejeitados pelos seus antigos companheiros e não aceitos pela nova classe a que pertenciam). Nesse meio tempo os mutantes passaram por perseguições de todos os lados, até encarar o retorno dos purifiers (facção anti-mutante, que acredita que esses são os causadores dos males do mundo - sim, sim, eles são fanáticos religiosos). Despois de uma vasta busca, descobriu-se que a raça mutante estaria fadada a extinção, já que além de apagar o gene dos mutantes do planeta nenhum registro de um novo nascimento, ou manifestação de poder mutante foi registrado. Isso até agora, e é aqui que começa a nova fase dos heróis mutantes da Marvel… numa saga curiosamente chamada de Messiah Complex.

Bem, o primeiro nascimento mutante foi registrado por Cerebra desde o M-Day. Com isso os X-Men, claro, vão ao encalso do milagre que pode ser a salvação para a agonizante espécie mutante. Chegando lá eles encontram vestígios de uma verdadeira chacina, ponto extremo de uma batalha que se descobriu ser entre purifiers e Carrascos. Como cada um deles aparentemente tem uma agenda própria que inclui um “pior para esse bebê” e com o histórico dos Carrascos no esforço para a eliminação de todo e qualquer mutante ou registro que pudesse ter acesso ao futuro (Blindfold, Cable, Os diários de Sina), os representantes da classe mutante saem numa desesperada corrida contra o relógio para reaver a criança. No caminho, antigos colaboradores acabam por tropeçar no meio do caminho e indicar uma agenda própria para essa criança, como se não bastassem os que abertamente já querem bagunçar o coreto. Morte e problemas acumulam no meio do caminho, e claro uma grande separação entre as mentes do grupo ocorre, de forma que todos tem maneiras diferentes de encarar o problema. Mesmo que a saga ainda não tenha chegado ao fim, uma ruptura é esperada, a exemplo do que aconteceu com o Vingadores no fim da Guerra Civil.

Mas de onde vem esse nome de complexo de Messias? Afinal de contas muitos do universo mutante podem ser considerados como sofredores desse mal, como exemplo temos Magneto, Sinistro, Apocalipse e o próprio Charles Xavier. Mas muitos outros assumem o papel durante a saga, se auto-imaginando, de forma direta ou indireta, salvadores de um futuro que se mostra cada vez mais negro para esta raça. Estamos no anti-penúltimo capitulo da saga e até agora todo mundo dentro dela se mostra com esse tal complexo… Mas os que mais chamam a atenção são Sinistro, e supreendentemente, Bishop. Enquanto um quer deter o conhecimento desse temido futuro para si, o outro, que já tem o gosto amargo dele na garganta que evitar que aconteça de todas as formas possíveis e acredita que essa mudança ocorre na exterminação dessa criança. Claro que o messias do título pode também se referir exclusivamente ao bebê e ao evento que o conecta ao futuro negro previsto para a raça mutante. Mesmo assim, isso promete ser explicado somente nas edições seguintes que planejam fechar a epopéia.

Outra coisa curiosa se mostra no uso de personagens extremanente interessantes do universo mutante, mas que até então não tinham tido um papel tão importante, como são o caso de Maddrox e Lyla que possuem um papel fundamentalíssimo no desfecho da saga, e X-23 que deixa o status de “clone de Logan” para comprar briga de gente grande… pra ser sincero eu sempre achei a personagem uma bucha sem tamanho, mas confesso que me encontro impressionado com ela, em especial depois de seu confronto com Lady Deathstrike. Outro ponto que merece ser abordado está na definição de Ciclope como líder absoluto, ocupando o lugar de Xavier de maneira completa. Ele coordena, delega, grita e executa. Já estava na hora, pra ser bem sincero. O cara simplesmente foca o problema e tenta eliminar, de uma maneira ou de outra, as eventuais distrações, inclusive no que diz respeito a Cable (que é o filho de Ciclope com Madelyne Pryor) e seu próprio mentor, que sempre quer meter o bedelho, mas está a todo momento levando revés. Vampira foi eliminada da saga, uma vez que se encontra em poder dos carrascos e em coma profundo, devido a total disfunção de seus poderes. O que foi um golpe de mestre de Carey, uma vez que a presence dela seria uma fácil fonte de distração do foco principal (uma vez que Gambit é uma importante presença no mainstream da história) e evita saídas fáceis com personagens poderosos demais. Por sinal, eu estou adorando o fato de ser usado pensamentos rápidos e resoluções interessantes para o término dos confrontos, uma vez que eles sempre representam perigo de vida e morte eminetes para todos que participam. Tirar fatores de desbalanço do tabuleiro, como Exodus (quando Noturno o teleporta para longe o suficiente da batalha de modo a neutralizá-lo) é algo que sempre pensamos, mas que roteiristas em geral acham fácil demais para colocarem em suas histórias. A presença aberta e forte do grupo mirim de X-Men também é curiosa… depois de um massacre fenomenal aos estudantes, estes foram reduzidos consideravelmente e encaram o confronto de maneira irresponsável com mortes ocorrendo a todo momento. A falta de compreensão o mundo ao redor, somados a coragem exarcebada é mostrado como um fator mortal para os guris e, diferente, de todos os grupos mirins anteriores, estes realmente passam pelo colo da irmã mais nova de Sonho.

Muitos estão reclamando das histórias dos X-Men há anos, e não é pra menos, tudo no que diz respeito a eles parece já ter sido contado ou simplesmente não empolga, com poucos casos isolados (Astonishing X-Men). Mas eu posso dizer que o modo como Carey, Brubaker e Peter David estão conduzindo tudo, se mostram excepcionais desde a saída de Morrison do universo X. A idéia de longe não é original, misturando elementos de Children of Men, com clichês de sagas anteriores dos próprios filhos do átomo. Em todo caso, eles agora tem uma excelente linha narrativa, que dá um propósito menos banal a todos esses clichês citados. Mas curioso mesmo vai ser conferir o status quo da equipe após a saga. Uncanny X-Men é a única revista que vai continuar de pé depois disso, e a velha e boa mistura de personagens vai acontecer novamente, mas agora com um propósito bem interessante. Lembra quando eu citei a cisão ideologica que deve vir por aí, pois bem isso vai acontecer entre os dois líderes da equipe, Charles e Scott, em que Charles, finalmente não aguenta mais se submeter aos destratos, que são frutos diretos de sua pisada na bola em Deadly Genesis, e o modo de agir de Ciclope o força a repensar seu sonho o afastando da mansão que criou com tanto suor e lágrimas. Os componentes das diferentes equipes se mostrarão divididos e alguns ficarão, e outros partirão com seu antigo mentor. Um curioso grupo já surgiu, e vai perdurar depois que essa bagaça acabar, e sera a equipe de Logan, a X-Force, que sera um braço da equipe de Ciclope para resolver problemas de “execução” rápida e eficaz. Retornos também são prometidos, e os mais polêmicos se encontram em Magneto (que anda sumido desde antes da Guerra Civil) e Jean Grey, em mais uma de suas ressureições, mas agora num cenário completamente diferente do que ela se encontrava. Afinal de contas Scott e Emma vão muitíssimo bem, obrigada. Como ficará tudo depois disso, ninguém sabe, em fevereiro começa o novo amanhã dos mutantes, mas se isso é bom ou ruim… hummm… eu prefiro comentar quando elas saírem.

"I can not have this distraction right now, please I ask you to leave" – by Scott Summers



:: Erik Magnus Lehnsherr 2:59 PM

Smells like a Soundtrack




Ano chegando ao fim, músicas de natal nas propagandas televisivas, e toda aquela papagaiada que faz você gastar aquela grana pra comprar presentes, inclusive para si mesmo. Bem, final do ano é o momento de fazer listas, algumas delas baseadas em momentos marcantes do que se passou outras, sem a mesma profundidade, mas não é todo mundo que está ligando. Então caindo no cliché, e saindo na maior cara de pau, aqui vai a primeira das listas do ano passado: Músicas Que Marcaram o Ano, mas vamos fazer diferente e colocar 15 músicas que fizeram parte do universo smelliano esse ano (ou melhor, do ano passado)… Top 10 já tá com validade vencida…


Smells Like Shit – the Soundtrack (2007)

01 – Books From Boxes – Maxïmo Park (O início do ano foi pesado pacas, e não melhorou muito desde então… OK, OK também não posso ficar reclamando. Mesmo assim, essa aí deu uma força pesada nas horas certas);

02 – Say it Right – Nelly Furtado (no vacuo da anterior);

03 – My Love – Justin Timberlake (essa foi a que marcou a volta ao Hip Hop… foi parte da audition, do show, e ainda é o meu toque oficial no cellular-cheio-de-pra-quê isso);

04 – The Way I Are – Timbaland (a batida dessa música é fuderosamente contagiante);

05 – When The Sun Goes Down – Arctic Monkeys (essa vai mais pela melodia levemente melancolica e o fato de que o Arctic Monkeys se tornou a minha banda favorita esse ano);

06 – Billy Jean – Ian Brown (porque se existe uma regravação que um dia funcionou, é essa);

07 – Gimme More – Britney Spears (“it’s Britney bitch”… a mulher foi a maior contorcionista do cenário musical mundial. Eu nunca tinha visto alguém meter os pés pelas mãos tão “di cum força“ quanto a Britney Spears. Mas o pior é que a música chiclete dela é muito massa pra o velho dancefloor);

08 – Fluorescent Adolescent – Arctic Monkeys (Essa bateu comigo o ano inteiro, me identificou em vários momentos. E eu já disse que virei fã do Arctic Monkeys?);

09 – Foundations – Kate Nash (porque reflete um momentinho “que merda” que eu passei na minha vida pessoal esse ano… não vale apenas citar, mas dêem uma sacada na letra que ela se auto-explica…);

10 – You Know That I’m No Good – Amy Winehouse (porque depois do momento “merda”, você se sente na merda e só sai da merda quando apronta merda… não entendeu nada? Não precisa entender);

11 – Mothers, Sisters, Daughter and Wives – Voxtrot (porque depois que se sai da merda – o momento merda durou bagarai – o legal é ir de encontro ao movimento castrador atual, pra depois cair em si e notar que esse tipo de “movimento castrador” é coisa de quem está tomando chá de smurff-amoras… última fase antes do “move on”. Música perfeita);

12 – D.A.N.C.E. – Justice (fala sério 02. Essa canção teve o melhor clip de 2007. Fuderosamente fantástico… no momento que eu vi pela primeira vez, pensei que estava tendo um barato sem ter tomado nada… ehehehehe… e a galera já começou a imitar: Kanye West);

13 – Supermassive Black Hole – Muse (música no maior estilo: “foda-se mode on”. Sexy, de batida envolvente, massacrante e suave ao mesmo tempo… uma das melhores do ano);

14 – Back to Black – Amy Winehouse (porque essa música na verdade é sobre renascimentos…);

15 – When Did Your Heart Go Missing – Rodney (Porque o ano tinha que terminar com uma música que fosse o maior dos paradoxos… melodia pra cima e letra de roedeira, essa música do Rodney é perfeita pra não se levar a sério em momento algum e é o que muita gente deveria fazer mais por esses dias…) ;-)


Menções honrosas

Que deveria constar mas não deu: Worried About Ray – The Hoosiers;

Que nunca entraria, mas merece o crédito: Teenagers – My Chemical Romance;

Das que não entraram para eu não ser chamado de fanboy: A Certain Romance, Brainstorm, Choo Choo, Teddy Picker, Fake Tales of San Francisco, Dancing Shoes – Arctic Monkeys;

Da série “zombies” (forças da natureza morta): Island in the Sun – Weezer; Push it, I’m Only Happy When it Rains – Garbage; Not Gonna Get Us – t.A.t.U; Bohemiah Like You – Dandy Warhols; Ordinary World – Duran Duran; The Boy is Mine – Brandy and Monica.

Das pops demais: Whatever you like – Nicole Scherzinger; What Goes Around, Comes Around – Justin Timberlake; Rockstar – Nicleback; I Got it from my mama – Will.I.Am; Don’t Stop the Music – Rihanna; Irreplaceble – Beyoncé; No One – Alicia Keys.

Das pop de Menos: Stay in a Lane – Teairra Mari; Bombay – Timbaland; Clothes off – Gym Class Heroes; Young Folks – Peter, John and Björn; It’s Ain’t a Scene, It’s Arms Race – Fall Out Boy; 1 2 3 4 – Feist; Delivery – Babyshambles.

Das alemãs Kaputt, Soundso – Wir Sind Helden; Tanz Der Moleküle – mia; Zerrissen – Juli; Cut Off The Top – Beatstakes; Was dein Herz Die Sagt, Alles Roger – Sportfreunde Stiller;

Das brasileiras desenterradas: Reconvexo, Brincar de viver – Maria Bethânia; Folhetin – Gal Costa; Astronauta de Mármore – Nenhum de Nós; Beija Eu, De noite na cama – Marisa Monte; Tesoura do Desejo – Alceu e Zizi; London, London – Caetano; Final Feliz – Jorge Versilo.

Da série “curtains closed“: The flight of the bumblebee – Vanessa Mae.

Songs at my funeral: "Many Rivers to Cross" by Jimmy Cliff, "Angel" by Aretha Franklin, and I've always had this fantasy that some beautiful, tearful woman would insist on "You're the Best Thing That Ever Happened to Me" by Gladys Knight. But who would that woman be?” – Rob Gordon in High Fidelity



:: Erik Magnus Lehnsherr 2:56 PM

Secret Wars



Lembro-me bem daquele 11 de agosto de 2002. Levantei, diferente do habitual, às 6 da manhã num dia em que não deveria ter aula. Às sete, já me encontrava atrás de uma certa quantidade de gente em uma fila, para aproveitar a queima de estoque uma livraria bastante conhecida da cidade. Assim, que me foi permitida a entrada às 10 da manhã, aproveitei para comprar vários livros, dentre eles 4 de uma série que chamava a atenção de muitos de meus amigos, mas que eu insistia em ignorar, afinal de contas a premissa de um pré-adolescente num universo fantástico me soava bastante infantil. De qualquer maneira, levei os quatro exemplares de títulos inusitados (Pedra filosofal? Prisioneiro de onde? Cálice de fogo?), mas para compensar uma remota, mas insistente, culpa tratei de levar em conjunto uma enciclopédia de mitologia e a trilogia do anel, do mestre Tolkien (que fazia muito mais sucesso entre os nerds que comigo andavam que aqueles livros infantis que eu insistia em levar no momento). No mesmo dia me apeguei ao primeiro, mesmo com um receio desgraçado de chegar ao quarto, que apresentava mais de quatrocentas páginas. Mesmo assim, iniciei com a fé dos crentes de que mesmo que fosse ruim, as cento e cincoenta páginas passariam rápidas e indolores (trauma de alguns anos antes ter livro as poucas mais de 50 páginas de A Pata da Gazela, de José de Alencar... extremamente boring para um adolescente de 14 anos). Apesar de levemente decepcionado ao final do terceiro dia de leitura, e final da primeira obra (aos 24 anos fica difícil não achar decepcionante se prender a temática e narrativa que soava tão infantil), achei que a narrativa da autora tinha algo de único. Intrigado, resolvi que continuar não seria um fardo tão pesado, mas ao final do segundo nada me prendia ainda ao universo fantástico que ela descrevia de maneira até levemente rasa, mas ainda assim envolvente por causa de sua intensa narrativa, a mulher não dava espaço pra ninguém respirar e ainda deixava ganchos de curiosidade plena para o capítulo seguinte. Mesmo que um pouco cético quanto ao motivo que viciava a tantos, dei uma nova chance ao terceiro exemplar da franquia literária. E aqui comecei a reconhecer que o que estava ocorrendo mesmo era uma auto-negação, eu já me encontrava viciado e não admitia. O terceiro exemplar foi finalizado nos mesmos três dias que levei para ler o primeiro, nada demais se não fosse considerado que o número de páginas havia dobrado. É interessante fazer essa retrospectiva de como se deu toda a jornada, uma vez que o fim chegou. Ter o último volume, a última história, a aventura final daquele garoto que cresceu sob a veloz curiosidade dos nossos olhos e viciou a tantos de uma maneira quase religiosa. A jornada chega ao fim em Harry Potter and the Deadly Hollows.

No sétimo e último exemplar, J. K. Rowling continua afiada e com aquela narrativa, descrita acima, fluente e dinâmica. Como poucos, ela consegue prender desde o início, com uma sequência de tirar o fôlego e conduzir a curiosidade do leitor dentre as mais de 600 páginas até um epílogo que merece uma descrição mais detalhada abaixo. A jornada de Potter agora o leva ao mundo adulto, chegou a hora de chamar as responsabilidades para si e assumir seu papel enquanto antagonista direto de Lord Voldemort. Para isso, ficou claro no exemplar anterior, que ele precisaria destruir todos os fragmentos da alma do temido bruxo, espalhados por seu mundo mágico e sem nenhuma pista de seu paradeiro. Mas como fazer isso, sem nenhuma pista ou indicação do como ou onde? Não se sabe. A única certeza é que precisa ser feito, esse caminho cheio de decepções, incertezas, dúvidas e decisões é que Rowling escolhe embasar o final de sua epopéia. Apesar de muitíssimo bem arquitetado, sua história, pela primeira vez, entra num caso de ostracismo irregular. Com a intenção de mostrar o caminho da frustração ao jovem adulto Harry, Rowling passa alguns capítulos mostrando os protagonistas da história (Ron e Hermione inclusos sempre, como se sabe) mostrando a falta de direção de Harry, a necessidade de se focar no problema, as decisões erradas que podem ser tomadas, caminhos falsos a serem seguidos e que confiança é algo de deve ser cedida a poucos. Apesar de totalmente justificada, a iniciativa perturba um pouco a linearidade da leitura, que já era costumeira dos exemplares anteriores, mas de maneira alguma deixa a saga desinteressante, pelo contrário, somente reafirma o crescimento da storytelling junto com o personagem principal. Apesar de impressionado com o crescimento gradual da história, me reservo o direito de dizer que o meu favorito de toda a franquia, ainda é O Cálice de Fogo, com a sua massiva transição da perda da inocência.

Os personagens seguem o mesmo ritual de crescimento já citado. O amadurecimento recai sobre alguns, enquanto que para outros, e cito aqui o protagonista incluso, ele vem de maneira mais tardia e do modo mais duro, ao maior estilo Virginia Woolf de escrever: com a dor da perda. Harry demora a entender sua verdadeira missão, mesmo que tenha certeza de que esteja ali para lutar contra Voldemort, o problema é que essa é somente uma parte do que ele deva fazer. Em todo caso, seu temperamento “over the top” continua persistente, mesmo que ele veja que em nada ajuda, muito pelo contrário. É quase uma redenção aos eventos de A Ordem da Fênix. Ron também demora a cair em si nesse quesito, e isso lhe custa uma inesperada ausência em uma boa parte da história. Hermione é quem permanece enquanto elo de ligação, sem ela tudo cairia antes mesmo da fase conceptiva. Ela é o modo como a escritora entrega o seu “meninas amadurecem primeiro”, iniciado desde a época de O Cálice de Fogo. Outros personagens que valem a pena ser citados variam entre Neville Longbotton, Ginny Weasley, os gêmeos Fred e George, Luna Lovegood e claro, Albus Dumbledore, que mesmo tendo empacotado no exemplar anterior, é extremamente onipresente em toda a obra. Partindo para os atos que compõem o livro, de certo o segundo e terceiro são os mais interessantes, mesmo que muito se passe desde o início (com duas mortes pesadas e importantíssimas tanto no campo de poder, quanto no sentimental para Harry), é com a visita a Godric’s Hollow que tudo começa realmente a andar e tomar forma. A passagem na casa dos Malfoy é para deixar a todos em estado de êxtase e não largar o livro durante os dois ou três capítulos que a compõem. E a batalha final, nos campos de Hogwarts, não deve deixar a cabeça dos leitores tão cedo, não só pela sua brutalidade, mas pelo modo como tudo é desenvolvido e vai acontecendo sem o mínimo controle de Potter. Quanto a isso eu tenho somente um porém, na verdade dois. Todos sabemos que apesar de um extreordinário personagem, Harry sempre teve um balanço imenso entre habilidades e sorte. Infelizmente, Rowling quebra um pouco essa regra fazendo com que a “casualidade” benéfica que o envolve se torne forçada em diversos momentos. Sem personagens para contar no apoio das informações, JK faz com que estas brotem dos lugares mais improváveis, tornando o artifício incômodo. Para a grande maioria dos fãs isso não faz a mínima diferença, mas é algo que eu não consegui ficar entregue. Podem me chamar de pentelho. E o segundo é a função do epílogo colocado ao final da obra. Para mim, infelizmente, ele foi completamente desnecessário e teve somente que cumprir com a quebra de correntes da autora com seu amado personagem. Ela não mais teria que escrever nada sobre aquele universo, pois tudo que se precisava saber ali já estava traduzido. Uma pena, de verdade.

É como o sorvete que termina no último mastigar da casquinha. Aquela lembrança do dia do aniversário no final da festa. Aquela tristeza escondida, bem no centro do peito, doendo um pouquinho, mas ao mesmo tempo sussurrando que o final chegaria. Deu dó acabar com o exemplar, doeu mesmo saber que não teremos mais, por mais que tenha sido satisfatório ler ele inteiro. Mas é assim, todas as coisas boas devem chegar ao um final, que seja para evitar banalização, que seja para fazer com que os leitores dêem o devido respeito, que seja para contar somente uma boa história. Ler sobre Harry Potter e sua universo fantástico me fez voltar ao mundo da leitura, mesmo que quando eu tenha iniciado já não fosse mais criança. Hogwarts era um lugar de fuga para pensamentos, ou até mesmo inspirações ocasionais. Os personagens tornaram-se amigos, companheiros, modelos, conselheiros, merecedores de citações ou somente estatística, mesmo assim tiveram um peso tão enorme quanto cada palavra traduzida ao meu cérebro pelos meus ávidos olhos, que sempre as procurava com uma velocidade digna dos corredores escarlarte da DC. Mas valeu a pena. Sem sombra de dúvidas, algo que ainda ficará na memória de muitos durante muito tempo, que fará novas gerações agraciarem o gosto das palavras, num mundo de informação digital. Algo que os filhos dos filhos vão contar na beirada da cama de seus filhos, alterando um ou outro detalhe aqui e ali, mas ainda assim visitando o mundo Hogwartiano, na plenitude permitida, na homenagem merecida. O agora da Rowling se escreveu para o sempre, e a ela eu saúdo com um brinde de cerveja amanteigada. É o meu agradecimento, e a minha forma de dizer: “Adeus Harry”.

"And for more than 20 year he didin't felt any pain in that scar" - from Harry Potter and the Deadly Hollows


Quarta-feira, Janeiro 09, 2008

:: Erik Magnus Lehnsherr 8:51 PM

Tá Chegando



Opa galera, só avisando rapidinho que o Smells volta em atividades normais nesse sábado, dia 12/01, com algumas resenhas que estou tentando finalizar e senso de humor peculiares desse ser que vos fala. Espero que a paciência de vcs não tenha esgotado nesses quase seis meses de enrolação e abandono (se fosse pedido de casamento eu estaria fodidinho da silva).

Abraços e até sábado

"It's Magic. We don't have to explain it" - By Joe Quesada (a.k.a. The Antichrist)




Not Much is Needed to Rule...


I Just Heard That...