The Simple Life
Galera, mil perdões pelo abandono do blog nas últimas semanas, mas vocês já leram esse chororô antes e vão ter que engolir esse aqui de novo... ehehehehehe!!!! O problema é que estou escrevendo um papper para (se Deus e Nossa Senhora Com Pena dos Pobre Doentes que Trabalham Finais de Semana, quiserem...) ser publicado num futuro próximo. Fora isso, passei por certo tipo de probleminha pessoal, coisa de quem é adolescente ainda e tá de namorico, acha que ama, vê que não está valendo a pena, chama na xinxa e verifica que o negócio era mais frágil do que se pensava... Pois é, moving on e não perguntem por detalhes. O hip hop tá apertado, tem semanas que tenho 3 ensaios e a coisa promete se agravar... mas sabe até que eu gosto, mesmo que seja pra chegar todo arrebentado em casa. E ainda sou consultor geral para assunto aleatórios e psicólogo de plantão 24 (porque se você não receb ligação de madrugada para conversar durante duas horas, não está fazendo juz ao seu trabalho de "tratador da psiquê bípede")... Com toda essa bagaceira ocorrendo ao mesmo tempo, eu ainda estou me reservando tempo para ver series novas que aparecem na rede para se conferir (guardem os nomes
Pushing Daisies e
Lipstick Jungle) e tirar do atraso séries que eu estava curioso pra ver e me encontro no momento mais viciado que o Ozzy na década de 80. O nome da bagaça?
Brothers and Sisters!!!! Com direito a elenco estelar e tudo (Sally Field, Calista Flockhart, Rachel Griffiths, Rob Lowe, Ron Rifkin, Balthazar Getty e Josh Hopkins), se tiverem a oportunidade de assistir confiram e me digam se viciaram também depois do terceiro episódio. Ah, e teve uma que eu vi numa levada só, que também vale muito a pena:
30 Rock, mas vou advertindo que essa é uma comédia mais cabeça (o que quer que isso possa soar para quem já assistiu) e não é todo mundo que vai morrer de amores, de qualquer jeito vale uma conferida.
E enquanto eu não tenho tempo pra escrever sobre as séries que terminaram em maio e já vão começar em setembro, os indicados ao Emmy, o trailler do Homem de Ferro (caralhoso!!!!), a ida de Mark Millar e Brian Hitch ao Quarteto Fantástico 616, a segunda temporada de Heroes (e sua cria Origins, dirigida por Kevin Smith), outra
Crise na DC (cacetada, isso não acaba mais não???), a derrocada de
Stardust no Cinema, o antagônico caminho dos Transformers no cinema, o filme de Sex and the City (com direito a Mr. Big no elenco da trama e o destino dos mutantes da Marvel em Messiah Complex, vocês ficam com os meus 8% de viagens pelo mundo que roubei, na cara de pau, do Blog da
Virág e da
Vicky (mais links à esquerda, por favor...). E agora eu vou jantar que eu tou morrendo de fome e é nove e meia da noite deste lado do oceano... detalhes, detalhes, detalhes...
E antes de terminar, não sei se a galera aqui está sabendo, mas a Rede Record vai criar sua própria novela baseada em X-Men, ou melhor, em Heroes (no final o balaio é o mesmo...). Caminhos do Coração (tinha que ter nome tosco...), vai estrear em breve, em horário nobre e vem com penca de querer roubar na cara de pau a audiência da Globo... tem até cartazinho cheio de "pra quê isso?", dá só uma olhada...
Eu acho que somente eu mesmo quem não estou consumindo drogas... se continuar assim, vou ter que começar para me encaixar na sociedade atual novamente... fala sério!!!! se quiserem ver mais cartazes (sim, tem mais dessas coisas toscas com chamadas que dão dores no testículo esquerdo de qualquer um...)
clica aqui, que foi de onde eu surrupiei a tosqueira.
"
You choose to hate me and I don't even know why" -
Kitty (Calista Flockhart) in Brothers and Sisters
"I know you'll be a sun in somebody else's sky"
Caramba, eu não acredito que já faz tanto tempo. Tanto tempo se passou desde que eu me encontrava no segundo ano colegial, e devido a problemas pessoais (briga severa com o meu pai - teenager, you know...) tive que mudar de colégio e, por conseqüência, de horário (da manhã para a tarde). Foi aí que uma rádio nacional chamada
Transamérica, até então considerada uma rádio para adolescentes que não curtiam muito o cenário musical local, ou nacional, tomou conta da vida desse pacato cidadão, na época apenas um fluorent adolescent de 15 anos, e o apresentou ao gênero que o seguiria durante tantos anos, na verdade com cicatrizes até hoje sentidas: o Grundge. Tudo começou, claro, com o
Nirvana de Kurt Colbain, mas logo se extendeu às novas bandas que abraçavam o gênero. Umas ficaram pelo caminho por motivos diversos (Como o próprio Nirvana e o Blind Melon perdendo seus vocalistas para inexplicáveis suicídios), outras terminaram e voltaram, mas eu nunca vou esquecer o momento em que pela primeira vez tive o albúm de cada uma delas em mãos. O sentimento único que percorreu os olhos, inquietos pela excitação, e as mãos tremidas e suadas que seguravam no momento um deles que possuia uma imagem levemente borrada, de cor meio púrpura, e que mostravam braços unidos para o início da batalha, que era se firmar enquanto rockband, naquela época. O álbum que eu menciono? Ten, primeiro trabalho profissional do
Pearl Jam. Mas por que diabos eu estou descrevendo, de forma tão florida, uma época que ficou tanto tempo atrás no passado (afinal 1992 não é mais uma criança e debutou esse ano)? Porque todos o conjunto de sentimentos descritos acima regressaram a este que vos fala, no momento em que ele chegou a Düsseldorff e escutou os primeiros acordes ressoarem da garganta levemente bêbada (levemente é ser bondoso) de Eddie Vader. O show do Pearl Jam estava começando.
Claro que tivemos problemas para chegar ao local em que deveríamos estar para o show, mesmo que tenha tido um acesso muitíssimo fácil (com direito a ônibus levando diretamente da estação de trem para o estádio onde o show seria realizado). Uma fila imensa se encontrava à frente da entrada, ainda faltando cerca de duas horas para o início do concerto. Claro que quando chegamos todo o conceito de "fila" se desfez, a galera começou a furar tudo, e se amontoar, mas de maneira organizada, como se estivessemos em umas 5 filas juntas, e claro que eu me encontrava no meio. Conseguimos entrar no final do show de uma das bandas de abertura, que descobrimos depois se chamar
Futureheads. Depois de um pequeno intervalo conferimos o show de uma segunda banda, que imediatamente reconheci umas das músicas como
Stella was a Driver…,
Say Hello to the Angels e
The Lighthouse. De quem se tratavam? Isso mesmo, o
Interpol estavam abrindo o concerto do Pearl Jam... como se uma boa banda já não fosse o suficiente. O warm up do Interpol deu uma grinada na galera, mas o que eles queriam mesmo era a sobremesa. Por volta das 10 da noite Vader entra no palco com sua garrafa de conhaque em punho (4 foram consumidas durante todo o show), fazendo toda a galera irao mais completo e absoluto delírio. Numa só voz, centenas de pessoas começaram a gritar e cantar em coro os acordes de
Sometimes. As canções foram colocadas uma atrás da outra, sem qualquer resposta da banda, aos gritos, muitas vezes histéricos dos alemães, numa média de idade de 30 anos, dados a cara hiff de guitarra, a cara batida da bateria, a cada melodia emanada na voz rouca do já embriagado vocalista. E assim continuou até se atingir os primeiros 40 minutos de show, quando silêncio foi quebrado para uma sucessão de agradecimentos e leves devaneios sobre como os fãs fazem a banda. Mas isso foi somente o início...
Depois de um punhado de músicas totalmente "b side" para os que não eram profundos conhecedores do som do grupo, mas isso se altera no momento em que
Alive se vê dedilhada no violão, em que
Son, she said, have I got a little story for you. What you thought was your daddy was nothin but a... ecoam no pequeno estádio é engolida pelos gritos de exaltação dos presentes. Incrível o impacto da canção, mas nada comparado ao que vinha depois com
Black. A primeira conseguiu um coro fantástico, é verdade, mas a segunda, que já contava com diversos cartazes e faixas que exigiam a sua reprodução, foi ovacionada durante quase todos os seus 10 minutos de execução. O modo como a letra ecoava era deslumbrante, se sentia aquele frio no estômago a medida que
Sheets of empty canvas, untouched sheets of clay. Were laid spread out before me, as her body once did ia delineando aquele blast of voices. E só para constar, tivemos direito a longo cantarolar na fase final da canção, à luzes baixas, que diminuiam a medidas que os segundos consumiam o repetitivo acorde, até tornarem-se quase sussurros aos olhares orgulhosos de Vader, cuja única luz no recinto iluminava num feixe quase sólido tamanho seu destaque naquele momento. De certo palavras não são suficientes para descrever tudo isso, uma nova forma de linguagem seria necessária para colocar em algo audível, mais audível que a própria música que falava por si só... simplesmente fantástico.
Me estender na descrição seria um martírio longo e pesado, uma vez que a idéia é eternizar o momento único na mente desse pobre e deslumbrado fanboy. Existem canções que falam de nossos ídolos, falam com eles e sobre eles, expressam seus sentimentos mais escondidos e criam esse elo de identificação inexplicável, pois nem que tenha sido uma única vez (de forma pesada, ou mais branda) passamos por tudo aquilo descrito naquelas letras e que são injetadas na nossa corrente usando as melodias. Mas tenho que confessar a vocês que não existe nada melhor do que conferir isso dito ao vivo, à cores e como se fosse uma conversa de bar. Deslumbre de fã? Pode até ser. Em todo caso vou me reservar a esse pequeno delírio, porque se um dia houver outro, ele com certeza voltará à superfície.
“
And now my bitter hands, chafe beneath the clouds of what was everything” -
Black by Pearl Jam