Todo mundo sabe por aqui que música sempre fez parte do cardápio do Smells, mas chegou a hora de colocar isso de forma mais efetiva (e assim ganhar mais posts safados enquanto escrevo os que vocês lêem em doses homeopáticas de tão grandes que são, hauahuahuahua). Dessa forma, vou estar colocando aqui toda semana, um clipe, apresentação ou whatever, que me chamou a atenção nesses últimos meses no campo musical... O primeiro deles você confere embaixo, que é da banda (não sei nem se posso chamar disso, mas anyway...) francesa Justice, que a exemplo do Pink Floyd nos anos setenta, pegou um punhado de pirralhos (ingleses, uma vez que eles inicialmente se difundiram na Grã Bretanha) cantadores e colocou-os pra bravar a música deles... o negócio é que para o clipe a galera teve uma idéia, não muito original é verdade, mas fuderosamente efetiva... quer saber o que é? Dá uma olhada na estrovenga aí embaixo.
Uma curiosidade: A música D.A.N.C.E. foi feita e dedicada a Michael Jackson, por tudo que ele representa. Eu me pergunto se o fato de se ter crianças liderando a canção é apenas coincidência ou uma pequena alfinetada no ídolo pop (todo mundo sabe que Jackson é o ultimate Bicho Papão desde a década de 90). Quem sabe isso não é um dos melhores "morde e assopra" do século 21? ;-)
"Stick to the B.E.A.T. Get ready to ignite" - D.A.N.C.E. by Justice
A escuridão. Engraçado como nós, mesmo em diferentes escalas e parâmetros, tememos o que ela representa. Seja numa rua, tempestade, caverna, casa antiga, pesadelo... Sempre tememos o que ela pode trazer, damos a ela uma forma física inexistente, uma vez que não existe a segurança de ver o que ela realmente nos reserva, ou pior, por exatamente saber o que trás consigo. É numa escuridão pessoal, trazida ainda pelo impacto de se presenciar o primeiro assassinato, que um jovem (nem de perto ordinário) de 15 anos se encontra naquele parque vazio, vazio ao ponto de que ele gostaria que seus pensamentos estivessem, pois a dor e o impacto pareceriam tão menores, caso acontecesse. Não que a presença de provocadores causassem menos dor, talvez o prazer de puní-los, execrando o sentimento de frustração, canalizassem alguma satisfarção momentânea, em especial quando um deles faz pouco caso dessa mesma dor que agora se transforma em fúria. Mas tudo se transforma, quando a escuridão retorna materializando-se de forma tão real quanto dolorosa, trazendo a tona todo esse medo e frustração na forma de seu alimento. Levando embora o fio de esperança que ainda resistia por trás da necessidade de compreensão, mas ainda assim liberando o desesperado desejo de se manter de pé, afim de apostar no último feixe de luz que ainda lhe é reservado, nessa aposta de se manter vivo até o ponto em que tudo será compreendido e que a escuridão não mais pertubaria. É aqui que o protagonista, da série aclamada por J. K. Rowling, se encontra no início da narração de seu quinto ano no mundo fantástico comandados pela Hogwarts School of Witchcraft and Wizardry. É meus caros, estamos falando de Harry Potter and the Order of the Phoenix.
No mais fechado exemplar da série cinematográfica, David Yates consegue o impossível: dar coerência e ligar todos os pontos de um complexo, e longo, livro (mais de 700 páginas) em pouco mais de duas horas, com o bônus de insinuar claramente os mais importantes pontos da trama. Confesso que meu respeito foi ganho logo no início o transformar a fuga de Harry e Dudley numa corrida nervosa, de câmera tremida, dando aquela realidade incômoda que em geral fazem parte dos filmes alternativos mais cabeças. A batalha contra os dementadores, e o conseqüênte resgate do garoto de sua "prisão" muggle foram mostrados de forma breve, mas efetiva o suficiente para o expectador sem nenhuma familiaridade com o universo potteriano tivesse as informações necessárias para o desenvolver da trama. Daí em diante, Yates comanda com maestria o roteiro, que se mostra exepcionalmente limpo e bem desenvolvido por Michael Goldenberg (numa eficiente substituição a Steven Kloves - roteirista dos quatro primeiros e dois últimos), imprimindo não só sua marca como excelente contador de histórias, mas como fenomenal condutor de atores (essa eu vou deixar para comentar num parágrafo seguinte). Se concentrar nas nuances políticas, sempre podres quando são necessárias para satisfazer o desejo de perpetuação do poder (na pele do Ministro da Magia, Cornelius Fudge e de sua inquisidora - termo escolhido não por acaso - Dolores Umbridge), foi um pulo do gato a mais, mostrando que ao mesmo tempo que agora a batalha de Harry será contra um sistema autoritário e envolto em mentiras, e que a sujeira que lhe é mostrada, nada mais é que conseqüência da mesma escuridão em que se vê envolto. O personagem aqui traduz toda essa frustração na forma de uma fúria que não consegue, muitas vezes, controlar. Fúria essa que vem na certeza de que está sendo mantido nesse escuro de forma proposital por pessoas que detêm o poder da informação, mas lhe negam na licença de poupá-lo de mais sofrimento do que ele já sofreu.
O Harry que se vê na tela, mesmo que se mostre zangado em muito tempo de filme, ainda assim é muito mais contido que no livro, deixando a impressão de adolescente reclamão (vistas por muitos na versão escrita - eu discordo) para a de um pré-adulto frustrado numa linha muito sutil, mas bem embasada. Uma vez que todos nós perdemos a inocência, adentrando na compreensão do joguinho sujo que é a política, temos que tomar uma decisão e Yates, mais uma vez, mostra de forma clara e lúcida a aceitação do personagem ao seu papel de líder. Isso não só acontece explícitamente, como de forma sutil (Harry sempre tomando a frente e chamando o ataque para si, pedindo aos outros que fiquem atrás dele, caminhando na posição frontal no finalzinho da película seguido por vários estudantes da escola) deixando tudo muitíssimo mais interessante. E por falar em nuances e sutilezas, o ganho da obra vem justamente delas (coisa que Chris Columbus, em especial, deveria aprender a respeito). A forma como vários personagens secundários ganham maior importância na trama, vem delas. Em especial o envolvimento de Ron Weasley e Hermione Granger (lançado desde os tempos de Afonso Cuáron, no já longinquo Prisioneiro de Azkaban), o crescimento de Neville Longbotton e seu sutil envolvimento com Luna Lovegood (numa interação explêndida de "watch eachothers back" no Mistery Departament) e a importância de Ginny Weasley para o futuro da franquia, insinuando o quão poderosa ela já é (e ainda o será - lembrem-se que ela é a sétima filha do sétimo filho de uma longa linhagem de bruxos) além de indicar seu futuro com relação ao próprio Harry Potter (podendo ser sutilmente visto em olhares da personagem). Ponto para o próximo exemplar da franquia que está nas mãos do mesmo hábil diretor, que também se mostrou mestre em comandar cenas de ação e efeitos especiais, com o maior destaque a batalha no Ministério (que ficou absolutamente orgásmica de tão boa).
As atuações são as melhores de todo o conjunto em celulóide, até aqui. Em especial no que diz respeito aos protagonistas, vemos uma evolução significativa. Daniel Radcliffe foi sempre considerado por mim o link mais fraco, mas ele surpreendentemente evoluiu de forma tal que passa a ser um dos melhores atrativos da película. Pela primeira vez o vemos confortável no papel de Harry, inexplicavelmente ele se tornou expressivo e imprime sutilezas aos sentimentos do mago com a famosa cicatriz. Diferente do filme dirigido por Mike Newell, Emma Watson encontra-se menos careteira e volta a seu estatus de mais promissora do grupo. Quem também surpreende é Rupert Grint que vê o lado cômico de seu personagem diminuir consideravelmente tendo que reinventá-lo numa postura mais dramática, e o consegue em berço esplêndido. O desempenho do irrepreenssível elenco de apoio se torna então mais interessante e efetivo, certo? Certíssimo. Gary Oldman, David Thewlis e Alan Rickman estão acima de qualquer análise crítica, e os gêmeos James e Oliver Phelps (a saída deles de Hogwarts é uma das melhores coisas do filme) e Natalia Tena estão impecáveis. A caracterização de Evanna Lynch é assombrosa. Impressionante como a personagem de Luna Lovegood encontrou uma interprete (dizem por aí que não é interpretação) de tamanha compatibilidade. Tenho que arriscar também um pequeno comentário em cima da atuação extraordinária de Imelda Stauton, que nos faz odiar a sua Dolores Umbridge sem nenhuma culpa. Ela capturou a essência da personagem de maneira tão absolutamente perfeita, que sua risadinha irritante e seu jeito sádico e histericamente autoritário nos faz ter calafrios. Outro que me impressionou foi Michael Gamble, que pela primeira vez dá estilo a Dumbledore, aproximando-o da personalidade que estamos tão acostumados a ler nos livros, e não resumindo-se a uma caracterização pessoal e idiotizada (como ocorreu em especial em O Cálice de Fogo). A cena de sua fuga de Hogwarts, usando Fawkes é uma das melhores de todo o filme, e nem vou comentar sua batalha com Lord Voldermort (em mais uma atuação inspirada de Ralph Fiennes), que passou não só uma impressão física e mágica, mas conseguiu também elevar para um lado de domínio pessoal do próprio personagem, de força de vontade de uma forma quase explícita. Perfeita, absolutamente perfeita.
É engraçado, mas até então os diretores escolhidos para a franquia do bruxinho, conseguem colocar em tela algo que, em muitos aspectos, superam seus antecessores (não que tenha sido muito complicado para Afonso Cuarón superar o retardamento mental de Chris Columbus), colocam um tipo de toque pessoal na película, ao mesmo tempo que incorpora as nuances do filme anterior e seguem fiéis a bibliografia de onde tomaram parte. O negócio é que a franquia cinematográfica cresceu junto com os livros, numa evolução que, confesso, achei que seria difícil de acompanhar. Os primeiros exemplares vieram com um toque infantil e cheio de detalhes picotados, o terceiro evouiu desenvolvendo aspectos nos personagens que não costumamos ver nos livros, ou pelo menos não damos a atenção devida, o quarto foi quem deu o primeiro passo a vida adulta em celulóide da saga, e o quinto mostrou como maestria como esse mundo adulto pode ser cruel no manipular de suas sutilidades socio-políticas. Confesso aqui todo o meu entusiasmo com a franquia, afasto o meu medo do grande trabalho realizado por Yates e ainda coloco fé no que vem por aí com o Enigma do Príncipe (quando o próprio diretor já mencionou que aqui o assunto é explosão de hormônios). Peço mil perdões pelo texto de fanboy descrito aí em cima, mas infelizmente não deu para evitar, afinal de contas expectativas preenchidas são tudo que alguém que leu um livro espera de uma adaptação cinematográfica, concordam? Ou seria melhor esperar algo do naipe de Hannibal? No way, I wonder be with the wave of this magic wand.
“ I am ahead, I am advanced. I am the first mammal to make plans” – Do The Evolution by Pearl Jam
Lost in a Celuloid String (Or Conversation with the Golden Bald - The End)
E sempre chega aquele momento em que eu tenho que escrever um post com uma carrada de filmes, uma vez que eu nunca consigo dar conta de escrever um para cada dos que assisto. O problema é que alguns ficam no limbo por tanto tempo que acabam com o prazo de validade vencido (espero pelo menos ter chegado antes dos lançamentos em DVD). Outros (em especial os de arte) demoram tanto a chegar no circuito brasileiro que a lembrança vaga de que estiveram por aqui algum dia faz com que vocês vão e assistam (yeah, right... eu sou o super-fodástico-comentarista de cinema, só eu mesmo pra acreditar nisso), nem que seja pra meter o pau (na melhor das intenções) depois. Sem mais delongas, lipa na chulipa (essa foi podre, eu admito…).
Shrek, The Third
Mais um fechamento de trilogia que fica aquém do esperado. Num ano em que Spiderman e Piratas do Caribe decepcionaram tantos, chega o ogro mal educado com um fio de esperança que se parte tristemente. Não estou dizendo que Shrek é ruim, pelo contrário, ainda rende muitas gargalhadas e tem cenas memoráveis, mas infelizmente cai no que lutou tanto no primeiro e segundo filmes para evitar: a velha fórmula clichê. Não preciso lecionar ninguém aqui na inventividade do primeiro exemplar da série, simplesmente caindo a pau nos sistema Disney de fazer animações, e mostrando todo um novo (e inteligente) horizonte, numa forma de fazer cinema que já estava cansada e se fazendo necessário reciclar. Andrew Adamson transformou o monstro em herói, tirou a maior onda com a cultura pop em geral (o que é Matrix?) e ainda entregou uma "moral da história" exemplar para qualquer pai assinar embaixo. No segundo o mesmo Andrew resolveu brincar com o outro lado, tranformando dessa vez os usuais heróis em vilões, mostrando o quanto o famoso "Happilly Ever After" podia ser imbecil nas mãos de cabeças tão vazias, além de ainda tirar mais uma ondinha básica com a cultura pop, dessa vez de uma maneira mais abrangente (Far Far Away é uma Hollywood onde a população é essecialmente britânica). Mas aí o cara resolve alçar novos vôos e vai brincar de ser Peter Jackson no universo Narniano, o problema é que ele deixou a batata quente para os produtores resolverem e, claro, acabou nas mãos de dois carinhas de personalidade beeeeem menor, (Chris Miller e Raman Hui, primeiro grande filme de ambos). O cara infelizmente não soube fazer, acabou filmando um roteiro sem a mesma inventividade dos dois primeiros, com amontoados de clichês e piadas escatológicas sem muito sentido (a escatologia no primeiro e no segundo sempre tinham uma razão de existir). Mas depois de meter o pau desse jeito, como é que o cidadão tem a cara de pau de dizer que o filme deve ser assistido? O negócio é que mesmo não sendo a melhor obra cinematográfica do cinema moderno, o terceiro Shrek ainda diverte, e muito. E acredito que essa é seu principal propósito, entreter. Gargalhadas serão dadas, mesmo que não sejam com o mesmo sabor doce da pespicácia dos anteriores e isso faz valer o ingresso. Justin Timberlake não compromete, podem ficar sossegados, mas tenho que informar que o Donkey e o Puss in Boots perdem muitíssimo espaço, em especial por causa das histórias paralelas. Mesmo assim Branca de Neve, A Bela Adormecida e Bela fazem valer essa perda. No geral um filme que vale o ingresso, mas a exemplo de tantos outros, é esquecido ao final dos créditos. Uma pena para algo que começou com a quebra de tantos parâmetros e paradigmas.
The Queen
Esse é um oscarizado que eu estava devendo há pelo menos 3 meses. Bem, o que importa é que chegou. Tenho que fazer menção a uma piada que uma amiga minha soltou (tá vendo Poly, ganhou citação de novo) e concordar com o fato de que "Tony Blair pagou pelo roteiro desse filme". O cara é o maior chupa ovo da rainha que eu já vi na vida, mas isso não importa, vamos a obra que é melhor. O filme tem razão de ter tantas indicações à edição passada do Oscar: Tem um roteiro muito bem escrito, linear, equilibrado entre fatos históricos e momentos de ficção (mesmo que muitas vezes romantizado ao extremo) e ainda conta com um tema extremamente delicado que foi a morte da Princesa Diana em 1997. Mas esse roteiro tinha tudo pra dar errado caso o diretor não tivesse o quilate de Stephen Frears (Mrs. Henderson Presents, Ligações Perigosas e Alta Fidelidade), que não só deu identidade e sofisticação a história (caminhando na corda bamba da bajulação da realeza e verossimidade), como conseguiu fazer algo que parecia impossível: dar alma a família real britânica. Mas o mérito não fica somente com o diretor, a escolha de Helen Mirren para o papel de Elisabeth II foi essencial. Não sei o quanto a atriz estudou para dar vida a figura da Rainha, mas o trabalho foi impressionante. O modo como ela anda, a cena em que vemos ela interagindo com seus súditos e em especial como tem que lidar com o ego dos integrantes da realeza (com destaque para o vil e indegustável príncipe Philipe e a própra Rainha Mãe) são de tirar o chapéu e deixam o seu Oscar muitíssimo bem entregue. Outra escolha muito bem acertada pelo diretor, foi a de trazer imagens reais, em especial de Diana, para dar um ar documentário a obra, mesmo que claramente seja de ficção. O Tony Blair de Michael Sheen é também impecável, nada de extremamente impressionante, mas muitíssimo competente (pelo menos no que diz respeito ao contexto da obra). Um filme que vale a pena ser visto, e revisto, mesmo para os que não curtem o modo mais lento "Frears" de conduzir.
Goya's Ghost
Eu não sei se já falei dessa criança por aqui, eu tenho a impressão que sim, mas como sou alma sebosa, e sei que o filme está para estrear nos EUA e ainda não tem previsão no Brasil eu vou falar de novo para manter na memória de vocês. Milos Forman entra no perigoso mundo da inquisição da idade média, tratando um caso de conivência política e abuso, anexado a umas das milhares de injustiças cometidas durante aquele período. A história narra a prisão da filha (Natalie Portman) de um influente e riquíssimo senhor feudal na França do século17. Este, vendo que a única coisa que não poderia transpassar seria a igreja, entra em choque com a entidade quando promove o mesmo tipo de tortura em que sua filha está envolvida à um outrora aliado, ligado ao clero (vivido por Javier Barden). A garota sofre as maiores torturas físicas e psicológicas que poderiam ser impressas a alguém, e claro, enlouquece no processo que dura anos atravessando a revolução francesa. A segunda parte do filme vai a 15 anos no futuro onde a personagem de Portman é finalmente libertada, completamente ausente de suas faculdades mentais e inicia um processo torpe de rendenção por parte do character de Barden, que, claro, se finaliza da maneira mais errada que ele poderia esperar. Mas o caríssimo leitor poderia perguntar: Bial, e onde danado entra o Goya na história? Ele é o elo condutor entre os personagens (uma vez que ele quem faz o contato entre o personagem de Barden e a familia de Portman), e é vivido de maneira muitíssimo eficiente por Stellan Skarsgård. A direção de Forman é dura e segue uma linha sem esperanças. Ainda assim é uma direção grandiosa e espero que seja reconhecida nas premiações futuras. Muitos falam e comentam da nudez de Natalie Portman, sim ela aparece nua nas cenas de tortura, mas a interpretação dela é muitíssimo mais explícita que qualquer full frontal. Impressionante em todas as fases e papéis que ela interpreta (sim ela interpreta mais de um). E Javier Barden dispensa quaisquer apresenções, conduzindo competentemente o cardeal de fé imoral e fidelidade falha em todos os aspectos. Uma obra que vale ser conferida, mesmo que eu tenha quase certeza que vá passar somente no circuito alternativo obscuro brasileiro. Uma pena.
Perfume: The History of a Murderer
Esse é outro que há tempos foi lançado e eu só comentei em resenhas alheias. Acredito que a última película de Tom Tykwer (Corra Lola Corra, Paraíso) já tenha chegado em DVD no Brasil, o que faz o meu atraso ainda mais grave, mas de qualquer maneira vamos aos comentários. Filme interessante, bem dirigido, apesar de um pouco longo. Narra a história de Jean-Baptiste Grenouille (numa performance bem intencionada de Ben Whishaw), personagem de origem e passado sureal, que desenvolve o mais aguçado (Wolverine sai perdendo aqui) sistema olfativo de toda a humanidade, uma vez que ele mesmo não possui cheiro característico nenhum. O cara consegue destinguir quaisquer odores, do mais suave ao mais intenso. Infelizmente, dada as circunstâncias surreais mencionadas, desenvolve um comportamento compulsivo-obscesivo, que logo constrói um sociopata. O trigger é acionado no momento em que ele sente pela primeira vez o odor dos perfumes, sua suavidade e como ele poderia ser criativo na construção do odor perfeito. O boticário com quem aprende, vivido de maneira magnífica por Dustin Hoffman, vendo a oportunidade de dinheiro fácil, ensina tudo que sabe a Grenouille, inclusive mencionando que o odor perfeito seria o conjunto da essência de 12 seres humanos. Jean-Baptiste se apaixona pelo cheiro de uma mulher ruiva, mas quando ela acaba morta por acidente, ele vê odor desaparecer a medida que seu corpo esfria. Não seria nada estranho se ele não pensasse imediatamente que teria que arrumar uma maneira de manter o odor ativo de alguma forma para possibilitar uma extração. E assim começa a caça por 12 belas mulheres para produzir a essência perfeita. Aqui o filme cria um clima de thriller maior, partindo para a caça de Grenouille a evitar que ele mate sua próxima vítima (pois o claro desaparecimento de jovens belas da cidade acaba chamando a atenção não só da polícia, mas como de todos os pais do condado francês em que Grenouille age). A história conta com um narrador, que procura expressar o que se passa na cabeça do protagonista, uma vez que o personagem usa uma linguagem corporal submissa, tem timidez extrema e pouquíssimas expressões faciais. Apesar de um pouco pleonástico às vezes, eu gostei do uso do narrador, que nunca procura explicar os atos do personagem, mas fazer com que o espectador visualize em seu contexto doentio. Película que merece ser vista, com certeza.
“I've been abra-cadabra'd into a Fancy Feasting second-rate sidekick!” – By Donkey in Shrek, The Third
A Bit of Rock for the Fürher - part 3: The Night of the Living Dead
Inicialmente peço mil perdões pela demora na atualização do blog, mas o trabalho estava pesado, mais viagens entraram no processo, o treino de hip hop pegou pacas agora em junho e o resto de tempo livre, que eu estava tentando disponibilizar pra mim mesmo, eu entreguei a minha vida pessoal (pois ninguém é de ferro). Isso acabou sacrificando um pouco o blogoso aqui, mas não “priemos cânico”, pois tem um monte de post pra vir daqui pra o fim da semana, no maior estilo Eight Rules de outubro passado, o problema é que não deu pra finalizar, pelo menos não todos, mas dois já entram na roda. Valeu as cobranças, as piadas e o prestígio. Espero que ninguém tenha vasado no meio tempo (comentário que dá margens para piadas, mas foi feito no melhor das boas intenções) :-p Valeu, e aí vai o terceito relato.
Aqui foi o dia que resolvemos abrir mão de alguns dos shows para turistar em Nuremberg, caramba ir pra uma cidade e nem fazer o favor de conhecer é um pouquinho demais, né? Decidimos ir até o centro fazendo todo aquele roteiro turístico:
Praça principal - confere;
Catedral - confere;
Tomar chocolate quente e ir num banheiro decente - confere;
Girar a argolinha dourada dos pedidos (não perguntem) - confere;
Andar pela parte velha da cidade - confere;
Achar a fonte mais fuderosamente louca que eu já vi na vida e tirar foto com ela - confere;
Sair correndo feito doido e almoçar um McDonalds em 10 minutos pra não perder o show do Kaiser Chiefs - confere.
Mas devido a minha pressa, eu me sinto um pouco arrependido de não ter visto uma cidade tão importante, historicamente falando, de uma maneira mais analítica e calma. Bem, não é tão longe assim, dá pra ir uma outra vez, quem sabe ano que vem? ;-) Sem mais enroladas, porque senão eu passo o resto da tarde escrevendo sobre as mazelas, e esqueço do mais importante: Músicaaaaa!!!
Kaiser Chiefs
Bem, como todo mundo ficou sabendo ali em cima, eu voltei correndo do centro da cidade para não perder o show do Kaiser, que foi uma das mais felizes descobertas musicais desse ano, ao menos pra mim. As letras muitíssimo bem humoradas e cheias de uma verdade irônica não podiam passar desapercebidas, taí que eles se tornaram o segundo no posto de banda do ano, pra mim, abaixo do Arctic Monkeys (claro). O show segue a mesma tendência que dá identidade a banda. Infelizmente eles não cantaram uma das minhas músicas favoritas “Everyday I Love You Less and Less”, mas estavam lás as pérolas Predict to Riot, Ruby, Modern Way e The Angry Mob. Fantásticas e levantaram a galera sem nenhum tipo de esforço sobrenatural. A pena ficou somente no quesito tempo, porque pra mim o show foi curtinho demais (somente uma hora e quinze minutos), mas serviu pra deixar marcado para uma Segunda oportunidade (é óbvio que eu vou num segundo show deles).
Mando Diao
Eita bandinha sem identidade própria. Ou melhor que pensa que tem uma. Pra mim esse foi o concerto mais deplorável de todo o festival (hummmm, eu acho que já disse isso antes… anyway), pensem numas músicas rasas, gritadas, e uma attitude de banda de high school no primeiro concerto no prom. Pois é, foi exatamente essa a sensação que eu tive ao contemplar a maravilha. Em qualquer caso, uns poucos gatos pingados se divertiram e o sofrimento, no geral, foi mais rápido e indolor do que realmente aparentava. Mas essa aqui entrou na minha lista negra. Mando Diao, never again.
Beaststeaks
A grande surpresa dos três dias de concerto. Eu não pagava nada pra essa banda original de Berlin, que canta em inglês, e que oferecia nos canais musicais umas músicas gritadas interessantes, mas nada que me fizesse virar fâ. Pois é, o que um show não faz pra mudar a opinião de uma pessoa. O negócio é que o som gritado tem toda uma razão de ser, e se torna audível e proveitoso a medida que cada uma das canções do grupo vão sendo apresentadas. Os caras inovam e inventam misturando o punk rock, característico do grupo, com dance, techno, Hip Hop e até ragge, sem em nenhum momento perder a identidade do som que fazem. Fuderoso!!!! Músicas como Jane Became Insane e Cut Off The Top, entraram na minha lista de favoritas. Indico mesmo, até porque o rebolado do vocalista Arnim Teutoburg-Weiss é pra deixar qualquer latino no chinelo de tão estiloso. O cara dança e tem ginga sem apelar… fuderoso… ehehehehehe!!! Vale a pena, em especial para os qua acham que o Green Day está muito pop esses dias. ;-)
Smashing Pumpkins
O show do dia, de longe. Tenho que confessar que meus pensamentos estavam voltados, minutos antes do início do concerto, para o fato do Smashing Pumpkins voltar de uma maneira fraca e se diluir caindo no esquecimento provocado pela sua dissolução mais de sete anos atrás. Afinal de contas, eles não traziam nada de novo, e por mais que 1979, Disarm e Tonight Tonight fossem fuderosas, elas não seguram 10 anos de ausência de uma banda de rock alternativo. Mas, felizmente, eu me enganei redondamente. E eles nâo só seguraram as duas horas e meia de show com a nata do que foi produzido nos seus quarto últimos álbuns, como ainda jogaram músicas novas (que serão lançadas no novo album da banda em outubro) e fizeram um agá de guitarra com mais de vinte minutos levando a galera ao delírio. Ninguém mais se importava com a falta de interação do vocalista Billy Corgan (é, nesse festival os vocalistas são tímidos em sua maioria, ou simplesmente estão cagando), traduzindo sua timidez numa expressão corporal digna de qualquer Clark Kent, todos só queriam curtir o som que fizeram parte de sua adolescência de maneira tão marcante (sim, a maioria da galera nesse concerto tinha passado de seus 25 anos já fazia um tempo). No mais, celebrem o retorno da banda, mesmo com aquele agá de quatro versões de um mesmo album com músicas diferentes, ou mesmo Paris Hilton na capa do primeiro single, vale demais a pena e falo isso não como um former fã, mas como alguém que está e queixo caído, ainda, com algo tão fantástico. O melhor dos fechamentos para qualquer festival. Melhor que isso só se fosse o The Cure, ehehehehehe!!!!
“You can never ever leave without leaving a piece of youth - By Smashing Pumpkins
A Bit of Rock for the Fürher - part 2: Planet of the Apes
Acredito que todos sabem o tipo de loucuras que acontecem nesses festivais (sim, sim, seus pais tem razão em sentir falta do Woodstock), o problema é que muitos dos participantes perdem o fio da razão (se é que algum deles já teve isso algum dia) e cometem as mais malfadadas piruetas, de fazer inveja a qualquer saltimbanco, muitos até no sentido literal da palavra. Aqui vão alguns exemplos:
1) Os lagos do Zeppelinfeld tornaram-se depósito de cerveja no primeiro dia, o que não é nenhum problema, exceto pelo fato de que o lugar também se tornou o mais popular mictório masculino (e vez por outra feminino) a ponto de perder a transparência da água até o terceiro dia de evento. Claro que isso jamais seria suficiente e na nossa saída do local o que vimos mesmo foi um monte de sacos de dormir e barracas inteiras abandonados dentro do lago. O lugar virou o lixão da muribeca em 3 dias.
2) Bem, não dá pra negar que aproaches alemães são criativos. Nos três dias de festival eu levei checadas que não me deixaram vermelho porque a cor não permite (inclusive causando inveja alheia - não vou entrar em detalhes porque perde o sentido, LOL), fui entrevistado por um mané sem noção (que só faltou perguntar a cor da minha cueca), cada bêbado maluco que passava curtia com a minha cara e me dava um "gimme five" (eu definitivamente tenho ima pra doido) e ainda levei nota 10 pelo grupo de garotas que estava dando notas pra quase todos os caras que passavam na entrada do acampamento, mas tenho que confessar que a melhor de todas aconteceu no terceiro dia quando eu, de repentelho, senti algo na minha perna e qdo fui olhar pra ver o que era, tinha alguém chegando a batata da minha perna. Depois do "que porra é essa" ter passado pela minha cabeça, fui ver o que a doida (que ainda estava embriagada pra completar o pacote) tava fazendo ali, e ela veio com uma palavras enroladas que no final eu entendi parecer ser legal a minha perna enquanto eu dançava. A menina era até gatinha e eu até encararia não fosse o fato que ela quase vomitou duas vezes em mim (somente conversando) e resolveu regredir uns muitos anos e começou a dar cambalhotas do tipo estrelinha no meio da galera. Preciso dizer mais nada não, né?
3) Criaturas embriagadas quando não tinham nada o que fazer inventavam de ser criativos. No primeiro dia eles eram criativos somente com vestes aberrantes (o que você faz quando vê três marmanjos vestidos somente com a parte de baixo de um biquininho de estampa de leopardo? Eu corri pra longe) e maneiras inventivas de consumir mais álcool, além claro de chamar uma tal de Helga durante a noite inteira (até coisa de seis da manhã), mas tudo foi ganhando um upgrade bizarro a partirdo momento que presenciamos no segundo dia coisas como uma meia molhada dependurada em uma árvore, controlada com um barbante e com algum tipo de coisa nojenta dentro (num debate rápido deduzimos que fezes eram perfeitamente cabíveis naquela brincadeirinha sebosa) atingindo pessoas que eram convidadas a passar fazer a "dança da cordinha" e lógico o sentimento de se estar em Beirute no ápice da guerra no terceiro dia, quando os banheiros biológicos foram queimados e gritarias e canções malucas foram cantadas durante toda a terceira noite. E ainda tem mais, mas acredito que chega de meter o pau (no bom sentido da palavra) e vamos falar do som que rolou, que é muito mais interessante.
The Hives
Bem, eu já relatei por aqui no Smells que Howlin' Pelle Almqvist é um verdadeiro entertainer. O cara é cheio das piadinhas, sarcástico com o pessoal da organização, além de brincar com o público de maneiras não muito convencionais algumas vezes. O problema é que dessa vez essa banda sueca muitíssimo carismática, sempre uniformizada de maneira impecável, estava num tipo de carência aguda (talvez ainda pelo excentrismo causado pelo sucesso de “Your Favorite band”), implorando ao público pelo título de melhor banda do festival (yeah, right… como eu estava dizendo…), e com isso compromentendo um pouco o andamento do show. Nada que tenha me impedido, por exemplo, de pular pacas quando os acordes de Hate Say I Told You So foram iniciados. De qualquer maneira um pouco da personalidade e do carisma que tinham me conquistado no festival anterior. O que foi uma pena. De qualquer maneira foi um show, que mesmo com os contras, valeu mesmo a conferida.
Billy Talent
Esse aqui é muito fraquinho de palco. Tinha visto um show do Billy Talent três anos atrás e me perguntava o porquê não conseguir lembrar do show, uma vez que não tenho o costume de esquecer. Bem, depois de ver a três primeiras músicas eu sabia o porquê. Pra começar fica difícil quando o vocalista tem que ficar agachado em algum canto do palco, porque simplesmente não tem resistência nos pulmões pra agüentar a própria gritaria e isso pegou mal pacas. Mesmo quando eles cantaram a música de trabalho atual (Surender) o negócio não empolgou do meu lado. Mas tenho que confessar que o mesmo não veio do lado alemão da coisa, pois a galera cantava a pulmões abertos todas as letras do grupinho (e quando eu digo todas não teve nenhuma exceção mesmo, coisa impressionante). Show fraco mas, o show seguinte tinha tudo para mudar o que estava rolando até então.
Muse
Sabem o album OK Computer do Radiohead? O Muse foi uma banda que nasceu do rico universo criado naquela obra-prima dos anos 90. O som de várias das canções lideradas por Matthew Bellamy lembram imediatamente os acordes de Karma Police, Paranoid Android ou alguma das outras magníficas melodias do grupo de Thom Yorke. Claro que não são todas, uma vez que o Muse constrói, de maneira gradadiva, uma identidade musical sólida, ainda nesse universo, mas se mantendo sempre inventivo e flertando com outros sons que possibilita-os acoplar a essa linha musical já mencionada. Pois bem, um grande passo foi dado com canções como Plug in Baby, mas o último album da banda Black Holes and Revelations arrisca ainda mais nessa self-identity que o grupo parece querer alcançar. Interessante? Muitíssimo. Em especial se for possível conferir a performance ao vivo desse trabalho muitíssimo bom. Eu, particularmente, fiquei boquiaberto com a presença de palco do conjunto. Apesar da clara falta de interação, os acordes emitidos foram capazes de quebrar todas as barreiras erguidas por esse lapso de palavras e interação falada. Canções como a já mencionada Plug in Baby, Bliss, Stockholm Syndrome, Hysteria, Blackout, e as mais novas, Supermassive Black Hole e Starlight, não só levantaram a galera, fazendo-os cantar em coro, como mostrou a potência do vocalista, e sem fazer muito esforço. Perfeito, mas ainda não a cereja do bolo.
My Chemical Romance
Esse aqui não merecia nem ser mencionado, uma vez que eu vi somente um taco do show, e confesso que um taco muito do amargo. Ou povinho choroso e sem graça. Foi fraquinho demais, acreditem que até inferior ao Billy Talent... fazer o quê?
Arctic Monkeys
Podem me chamar de fanboy, eu não me importo, aqui a rasgação de seda vai ser pesadíssima. Imaginem-se na situação de comprar um ingresso para um festival e verificar no momento em que é liberado a grade horária das bandas, que duas das que você estava curioso pra ver batem exatamente no mesmo horário. Se imaginaram? Agora contemplem quando isso acontece com esse ser com uma banda de que ele curtia o som de uma maneira razoável nos últimos anos, e outra que ele ficou completamente fascinado de dezembro passado pra cá. Pois bem, a cagada do festival foi ter colocado o show do Linkin Park exatamente no mesmo horário em que a banda a que o relato se endereça nesse momento. Foi uma escolha foda, mas bem resolvida. E não me arrependi nem um segundo dela. De longe o show dos garotos ingleses foi o melhor de todo o festival. Dos três metros de distância que eu me encontrava do palco eu pude ver eles começarem o concerto (atrasados é verdade) com a arisca Brainstorm, e na seqüência colocarem coisa do naipe de Old Yellow Bricks, I Bet You Look Good on the Dancing Floor, Fake Tales of San Francisco e tantas outras, para se empolgarem tanto ao ponto de serem avisados que eles só teriam direito a mais três músicas e teriam que encerrar o concerto (outrageous!!!). Daí o que eles fizeram? "Vamos dar um presente pra galera" e engataram de uma só vez When the Sun Goes Down, Dancing Shoes e fecharam o show com A Certain Romance. Fuderosoooooo!!!! Interação com o público? Praticamente inexistente, afinal de contas o vocalista Alex Turner, com sua discreta camisa branca básica, sua calça jeans básica, seu jeito nerdoso de ser e tímidez característica não dava abertura pra muita conversa. Mesmo assim, sua música falava de maneira clara e absoluta. Mais perfeito impossível. Linkin quem? Eu nem mais lembrava que eu tinha feito qualquer escolha ao final do show, tamanho o êxtase em que me encontrava. Todo o dinheiro que eu tinha pago para o festival, pode ter certeza que encontrou sua existência ali... naquele momento tava pago. Mas a noite ainda não tinha acabado.
The White Stripes
Bem, confesso que nunca fui de escutar muito essa dupla meio esquisita do cenário musical indie. Mas tenho que admitir que o show deles é muito pereba. Foi a primeira banda de todo o festival que praticou o retorno para o bis. E só cantaram a música mais pedida pelo público, única na verdade (Seven Nation Army), no fechamento do concerto. Bem triste. E ainda tiveram a petulância de não tocar Fell in Love With a Girl, o que é totalmente inaceitável. De qualquer maneira eles ainda ganharam um bônus por ter feito uma regravação mais ou menos de I Don't Know What to Do With Myself. Showzinho peroba, mas ainda assim que valeu a pena. Nada demais, não ganha muito comentário, ou nada muito extenso.
Evanescence
Agá, mas muito, muitíssimo agá. Isso define a presença de Amy Lee e a banda Evanescence no festival como um todo. Pra começar eles foram colocados como Late Night Special (frescura maior impossível), só porque a bagaça começou depois da meia noite. Bem, de todo jeito eles mandaram muito bem, só tiveram o azar de pegar uma galera bagaçada com mais de 12 horas em pé assistindo show e comendo porcaria. De qualquer maneira o balançar de cabelos da vocalista (e nesse caso um balançar de cabelos que lembram o uso de uma arma, no maior estilo Medusa, dos Inumanos) ainda conseguiu levantar a galera por mais uma hora e meia, cantando sucessos como My Immortal e Bring me to Life, mas confesso que nada de muito empolgante, mesmo que eu tenha cantado de longe num local espaçoso e ventilado. Valeu a vista e o show, mas como eu disse, e repito: nada demais.
"And they said it changes when the sun goes down" - By Arctic Monkeys