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Quinta-feira, Maio 31, 2007
A weekend to remember...
Tou indo amanhã pela manhã pra criança aí embaixo... e podem deixar que depois eu o relato por completo!!! Huahuahauhauahua... ser cruel as vezes é barra...
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" Hate say I told you so..." - By The Hives
Quinta-feira, Maio 24, 2007
The Horizon...
O ano era 2003. E a Disney lançava nos cinemas do mundo um filme baseado em um dos seus mais populares brinquedinhos do parque do pai do Mickey. Loucura? Com certeza. Mas era de se garantir alguma confiança vinda do público, quando um ator gabaritado, um "new star", que caiu nas graças do público (graças a uma bem sucedida trilogia), e uma novata, que posteriormente agarraria uma indicação ao Oscar, resolveram entrar na dança, mesmo com um diretor que nos tinha entregue um fraquíssimo crossover entre Julia Roberts e Brad Pitt (dois grandes atros da época) e uma refilmagem bem mais ou menos de uma fantástica fábula japonesa. O inusitado aconteceu e esse filminho sem muitas pretenções iniciais (OK, OK eu nem estou comentando dos milhões de doletas que ele custou), se tornou sensação coletando fãs ao redor do mundo, e claro rendendo muito mais verdinhas do que se teria imaginado. Com a febre que anda assolando Hollywood, quando qualquer filme de sucesso tem que render uma trilogia (eles sempre acham que estão criando o novo " O Senhor dos Anéis"), era de se esperar que além dos brinquedinhos gerados, cadernos, lápis, camisinha, diafragma e todo e qualquer produto que você imaginar, mais projetos de desenhinhos engraçados e adjacências, seqüências fossem projetadas e, posteriormente, aprovadas, para deleite dos fãs, que simplesmente se encantaram com o pirate way of life, estabelecido com louvor pelo Capitão Jack Sparrow e sua "crew". Apesar de uma segunda parte meio morna, Gore Verbinski retorna ao original, de certa forma, e fecha a trilogia com louvor nos levando até o fim do mundo em Pirates of the Caribbean - At The World's End.
Retomamos a saga de onde havia sido interrompida anteriormente: a) Jack Sarrow morto; b) Lord Beckett de posse do baú de Davy Jones e, por conseqüência, com o controle do Holandês Voador; c) Will e Elizabeth recorrendo a Tia Dalma para recuperar Sparrow e d) O retorno do flamigerado Capitão Babossa. Pois bem, como todo mundo sabe, o fora da casinha do Beckett começou a usar o Holandês Voador para massacrar todas as esquadras de Piratas dos Sete Mares, e os sobreviventes eram levados enfileirados para a forca, não importando o tipo de conexão que tinham com o mundo da pirataria quando foram capturados. Para por um basta nessa festança das capitanias, Os remanecentes do grupo do filme anterior tem que resgatar o personagem de Johnny Depp, que faz parte de um seleto grupo a que deve ser recorrido: Os Sete Lords Piratas. Eles deverâo decidir que rumo deve ser tomado para evitar a extinção dos piratas no planeta. Mas a jornada de resgate a Sparrow no baú de Jones se mostra bem mais complicada do que jamais poderia se mostrar, num universo onde o cruzar com os mortos se torna algo natural e o retorno a mais difícil das jornadas (na verdade com uma explicação bem simples e eficiente). Temo dizer que apesar de ter se saído bem, mas bem, melhor que Homem-Aranha 3, PdC3 comete o mesmo erro de criar milhares de sub-plots que só servem para deixar a história mais confusa, complicar as amarrações do roteiro e de quebra ainda diminuir o rítimo da aventura. Não que o filme seja chato, ou que não se divirta assistindo-o, mas confesso que na cadeira de diretor eu teria limado umas três ou quatro sub-tramas, que começam vazias e se concluem de forma banal. Isso, por si só, já ajudaria a diminuir o tempo do filme (168 longos minutos que chegam a ser sentidos pelo espectador) e deixaria o roteiro mais simples, como esse tipo de filme deveria ter, remetendo de maneira direta ao primeiro volume da franquia. De qualquer maneira, como eu já mencionei, o filme diverte. E Muito. Johnny Depp perde espaço na trama para que os outros personagens ganhem mais importância, em especial Elisabeth Swann, Will Turner e o Capitão Babossa. O capitão cheio de trejeitos, claro, continua sendo um personagem brilhante, em especial pela interpretação de Depp, mas torna-se inevitável achá-lo supérfulo num roteiro que não lhe dá muita atenção. Com tantos personagens sendo desenvolvidos e ganhando imensa importância na trama (o envolvimento de Tia Dalma com Davy Jones é completamente desnecessário, numa tentativa mais que frustrada de humanizar o pirata só se consegue uma sub-trama arrastada e sem muito propósito ao final - a não ser que se queira mostrar quem mija mais longe nos efeitos especiais), claro que o roteiro se perde em alguns momentos e algumas direções tomadas deixam o gosto de "equivoco" em quem está assistindo. Vale pela diversão com certeza, mas meu favorito ainda fica sendo o primeiro, que se preza no que se propõe.
Em matéria de atuações não adianta ficar aqui elogiando Johnny Depp, que continua sendo "O" personagem de toda a franquia, pois eu já fiz isso anos atrás no primeiro e segundo exemplar. Em todo caso ele continua impagável como o capitão mais tresloucado do mundo do cinema. Com a diminuição do tempo de tela de Depp, que cresce e aparece é Geoffrey Rush e seu magnífico capitão Babossa. O cara simplesmente eclipsa todos os outros com quem aparece, faz merecer a volta do seu personagem e só faz a gente lamentar o fato dele não ter estado presente no segundo filme (imperdoável). O cara sacaneia Sparrow sempre que pode, só para descobrir que foi sacaneado pelo mesmo bem, mas bem, antes. De certo grande parte do espírito do primeiro exemplar retorna devido a presença deste personagem. Orlando Bloom passa a maior parte do tempo de filme sob a sombra dos demais ganhando maior importância somente na segunda metade da trama. Mesmo assim, infelizmente ele não dá muita conta do recado, mantendo o mesmo nível de atuação dos anteriores. Não compromete, é verdade, mas está muito, mas muito, longe de me arrancar um elogio. Keira Knighly, que já havia ganho bastante destaque no filme anterior, segue em ascenção nesse final de trilogia. Sua personagem é, de longe, a que mais tempo de tela tem e apesar de muita gente não curtir a atuação da moçoila, eu tenho que dizer que acho que ela melhorou bastante desde o primeiro filme. Para os demais vale chamar a atenção para Chow-Yun-Fat, que como sempre dá um show de interpretação na pele de Sao Fen, e Keith Richards, que tem de certo a mais marcante participação de todo o filme. A cena em que ele aparece enquanto guardião do código dos piratas é hilária... isso sem contar em seu confronto com "Jackie", que é mais que perfeito. Somente essa cena paga totalmente a entrada, de longe. Nos demais eu tenho que dizer que simplesmente detestei a participação de Jack Davenport no filme, não pelo ator em si, que eu acho muitíssimo bom, mas pelo descaso com o único personagem que tinha ganho minha simpatia no filme anterior (Norrington cresceu horrores em Dead Man's Chest) e que encontra seu destino de forma preguiçosa e com a tentativa de se criar um plot que deveria inserir dúvida no espectador e que acaba se saindo como mais que duvidoso. Um verdadeiro fiasco, e uma falta de respeito sem tamanho para com o personagem. De certo meu ponto de maior decepção.
Assim fechamos mais uma das trilogias agendadas para este ano (a próxima é a do ogro verde sem boas maneiras). De maneira similar ao filme do aracnídeo, não temos um filme grandioso, mas ainda assim tudo é fechado com aquele gostinho de entretenimento cumprido, ehehehehehe. Falta muito ao novo Piratas? Falta sim, em especial se compararmos com o abra-alas da franquia, mesmo assim, a diversão é garantida e o dinheiro da entrada se sai muito mais que bem empregado. No final das contas, pelo menos. Confesso que o final me deixou em um estado ambíguo, uma vez que é finalizado de maneira similar ao do primeiro, com o Jack na caça de novas aventuras, a simpatia pelo personagem faz você desejar que ele se dê bem num sentido completo, mas isso com certeza mataria o espírito pirata que envolve aquele desfecho, me dizendo que aquele foi o melhor final que poderia ser colocado. Em relação aos outros personagens, fica complicado comentar algo sem entregar um spoiler maior (que eu acredito ter feito aqui em vários momentos do meu pequeno review passional), mas de certa forma todos tiveram desfechos interessantes e alguns até de forma a serem limados, caso a franquia volte a dar sinais de vida daqui a uns poucos anos. Sendo sincero, podem esperar por mais uns três filmes, caso Johnny Depp resolva topar a parada, pois mesmo sem muita atividade no roteiro, o cara é a alma dessa franquia. Aye? No mais é esperar algumas indicações técnicas ao Oscar do ano que vem e que os ventos da inspiração baixem, caso levem mesmo essa história de "mais um, mais um" adiante, savvy?
" Yo-ho, yo-ho, a pirate's life for me" - By Jack Sparrow
Terça-feira, Maio 15, 2007
I Write Sins Not Tragedies
Que o poder corrompe, todo mundo está careca de saber. Quantas histórias cheia de moral foram escritas, encenadas, descritas, datadas, vividas e desenhadas mostrando como o conhecimento de que se tem poder, como tê-lo em mãos pode transformar o mais pacato dos seres num déspota absolutista e o menor escrúpulo numa inversão de valores que a todos espanta, como se não fosse de conhecimento geral que essa predisposição existe em todos nós e o que diferencia cada um dos seres que habitam esse planeta é a capacidade de controlá-los. Pois bem, depois do discurso de deixar o papa orgulhoso, vamos para o lado negro da coisa (seguindo a cartilha Lucas). Imagine que ao invés de corromper alguém, o poder caísse no colo de um ser imaturo, mas de um brilhantismo acima dos padrões. Ser este que se encontra muitíssimo entediado por viver sempre tendo que provar aos outros que é bom, mas sentindo-se desmotivado num extremo sem limites. Claro, uma mente que no auge dos seus 17 anos tem em seu histórico um duplo auxílio à polícia japonesa na construção de perfis e resolução de crimes em série, isso sem ter saído do colegial, carece de desafios dia após dia. E essa carência encontra sempre abrigo na necessidade pelo poder. Mas alguém com essa idade, excetuando os poderosos de berço, tem que esperar a idade apropriada ou rezar que algo desse tipo caia do céu em seu colo, certo? Pois é disso mesmo que se trata um dos mais brilhantes mangás/animes do século 21. Sentem-se caros visitantes, pois eu os convido, da forma mais polida possível (digna de um Lecter), a conhecer Death Note.
Nossa aventura começa na observação do dono do perfil descrito acima. Seu nome? Light Yagami (pronunciado como Raito Yagami). Um estudante exemplar, que apesar de ser extremamente popular (ele é geek, mas uma das coisinhas que ele desenvolve na sua compulsão é a prática da socialização), não sente a menor vontade de fingir o que não é. Ele é inteligente e sabe disso. É arrogante? Sim, ele é. Mas não é por isso que ele sai vomitando esse sentimento menor em todas as ocasiões que dispõe. O negócio é que no auge de sua vida levemente entediada, Light observa da janela de sua sala de aula um caderno cair do céu, literalmente. Ao término do período, ele vai até o local, observa o bloco de notas com cuidado e verifica que nele aparece a descrição de capa " Death Note". Ele rapidamente folheia o caderno, aparentemente, isento de qualquer escrita, exceto pela página inicial donde ele consegue contemplar a seguinte tabela de regras, escritas convenientemente em inglês:
This is the Death Note
- The human whose name is written in this note shall die.
- This note will not take effect unless the writer has the subject's face in their mind when writing his/her name. Therefore, people sharing the same name will not be affected.
- If the cause of death is written within 40 seconds of writing the subject's name, it will happen.
- If the cause of death is not specified, the subject will simply die of a heart attack.
- After writing the cause of death, the details of the death should be written in the next 6 minutes and 40 seconds.
Claro que como qualquer pessoa que preza por seu intelecto, o rapaz simplesmente ri do que está descrito e acredita ser nada mais que uma excêntrica brincadeira infantil. Ainda assim, ele fica intrigado e leva consigo o caderno para casa. Chegando no conforto do lar, ele simplesmente resolve matar a curiosidade no momento em que assiste um noticiário de tv, observa uma reportagem sobre uma escola infantil sendo mantida de refém de um homem que tem o nome e imagem noticiados. Tendo escrito a graça do enlouquecido sequestrador, ele aguarda a reação do noticiário. Para sua surpresa, a notícia é encerrada com a comunicação de que aquele com o nome no caderno de notas jaz morto, conseqüência de um ataque cardíaco. Mas, ei... isso pode ser somente uma coincidência, não? Mais uma tentativa me dá parâmetros de pesquisa o suficiente para não mais duvidar. Claro que a segunda tentativa se mostrou igualmente efetiva. O problema é que uma "arma" assim sempre tem dono, especialmente no que diz respeito às fábulas japonesas. E quem logo apareceu clamando a posse do caderninho foi um cidadão que se apresentou com a graça de Ryuk. O "caboco" foi logo dizendo que era um Shinigami e que de maneira similar ao mancebo, estava com uma vida entediada, deixando até bem claro que observar humanos era algo muito mais divertido. Ele advertiu que obviamente ele não era o primeiro humano a usar o notebook e que nenhum dos usuários terminou de maneira feliz, incluindo a incerteza da condução de sua alma depois de sua morte, pois alguém que escolhe brincar com vidas humanas ao bel prazer se usando o Death Note, não alcança céu ou inferno em seu acerto de contas. A reação do adolescente descrevia a mais plena certeza de que ele deveria conquistar seu lugar ao sol como dominante do planeta, exterminando todos os criminosos e tomando conta das ovelhas, que entenderiam no final o verdadeiro significado dos seus atos. Sendo assim ele começa uma matança desenfreada de criminosos inicialmente dentro de sua própria vizinhança, mas estendendo seu raio de ação de maneira rápida e efetiva. Claro que um amontoado de mortes, mesmo que sejam de criminosos, chama a atenção da polícia, não somente local mas também da internacional, e frente a esse assassino serial, que logo se autodenomina Kira (uma variação para o japonês da palavra "Killer"). Um agente da polícia internacional (Interpol) logo se interessa pelo caso atendendo pelo codinome " L", fazendo questão de manter em segredo sua verdadeira identidade e sempre trocando informações com a polícia via computador. Um ser extremamente excêntrico, mas não por isso menos brilhante que seu antagonista. E aqui se estabelece a maior das batalhas entre brilhantes mentes. Num jogo de gato e rato que vai fechando o cerco em torno de Light de maneira cada vez mais intensa, de onde ele consegue magistralmente sair. O problema estão nos artifícios em que ele se utiliza para não ser pego, uma vez que inocentes (ou não tão inocentes assim) são sacrificados em prol do "bem maior".
Confesso a todos que não me apaixonava por uma batalha mental deste nivel desde que vi Hannibal Lecter envolver Clarice Starling pela primeira vez. A fórmula que mistura com perfeição suspense e mistério é como não se via desde os tempos de Hitchcock (em especial filmes como Festin Diabólico e Fenezi, quando sabiamos a identidade do assassino e ficavamos tensionados para o quando ele seria pego). É interessante também acompanhar o modo como os protagonistas pensam, verificar a impressionante equivalência entre eles é de excitar qualquer um (claro, uma vez que um está tentando sempre estar um passo a frente do outro). De maneira análoga é extremamente interessante como aliados e inimigos vão se formando no decorrer da história, em especial no que diz respeito a Ryuk. Ele deixa bem claro que está ali somente pela diversão, pois se sente entediado e não tem a mínima intenção de ajudar Light em qualquer momento, a não ser que tenha visto alguma vantagem nisso. O modo como ele vê o circo pegar fogo é absolutamente fantástico, dando risdadinhas sarcásticas ou somente observando e oferecendo tratos não muito vantajosos ao garoto, pelo menos a longo prazo. A criatura, só pode ser vista pelo usuário do notebook e clama ter um segundo em sua posse, uma vez que o jogo de adição de nomes, e mortes sequenciais, funciona como um meio de prolongar sua existência. Usuário de maçãs, que funciona como drogas para estes seres, Ryuk ainda não apresentou toda sua agenda durante a série e se mostra tâo enigmático quanto levemente estúpido. O antagonista de Light, L, é também um caso à parte. Se utilizando de artifícios nada convencionais para trazer Kira à tona, ele flerta com o perigo de maneira calculada, sabendo que a cada passo que dá ao encontro do assassino, sua vida está mais e mais em risco. Quando se revela, L tem uma aparência muitíssimo peculiar. Senta-se de um modo único, alegando que a posição estimula seu modo de pensar, por exemplo, e tem um passado que vai se revelando aos poucos, mas nunca entregando a verdadeira pessoa dentro do personagem. O modo como L vai traçando o perfil de Kira e aos poucos chegando em Light é impressionante. Ele consegue reduzir a lista de suspeitos em poucas semanas, além de conseguir achar brechas em planos construídos de forma única por Light. Mesmo que ele tenha a mais plena certeza de quem seja o serial killer, L, jamais trabalha fora de quaisquer padrões que não envolvam lógica e dados estatísticos. Suas suspeitas elevam ou baixam os valores da percentagem baseados nas informações coletadas, inclusive informações dadas em reações, propostas em seus jogos psicológicos. Só esse trio de personagens já seria o suficiente para adentrar o mundo do Death Note sem arrependimentos, mas outros aparecem cruzando o caminho dos protagonistas, ficando ou não na série afterwards. O importante é salientar que nenhum deles é gratuito e a razão de ser de cada membro, é sempre muitíssimo bem definida pelos roteiristas. Realmente um primor.
Lançada inicialmente como um mangá, publicado de dezembro de 2003 a março de 2006, esta série conquistou outras midias em um curto espaço de tempo. Tornou-se filme, live-action, em junho de 2006, com uma segunda parte aterrissando em cinemas japoneses em dezembro do mesmo ano. Sucessos absolutos na terra do sol nascente, estes filmes já possuem data de estréia em domínio ianque, bem como o mangá (sendo publicado no momento) e o anime (licenciado poucos meses atrás). Este anime tem agendados 37 episódios, uma vez que começou a ser exibido em outubro de 2006, tem data de encerramento em junho deste ano. Outro caminho seguido pela história criada por Tsugumi Ohba (autor de identidade visual desconhecida, especula-se que este seja somente um pseudônimo de um famoso autor - sendo o mais cotado Hiroshi Gamou, mas nada confirmado até então) e ilustrado por Takeshi Obata (conhecido por seu magnífico trabalho em Hikaru no Go), foi a novelização concebida por Nisio Isin em agosto de 2006, num livro extremamente elogiado pela crítica japonesa. No Brasil não existe ainda planos de publicação do mangá, lançamento dos filmes ou exibição do anime, mas frente ao sucesso obtido por onde passa, claro que sempre com uma polêmica aqui ou ali (como o incidente na China, quando pais ficaram preocupados com filhos aparecendo com cadernos escritos Death Note na capa e um monte de regras referentes ao assassinato de pessoas estar atachado a eles - não preciso dizer tudo foi recolhido em poucos dias), não deve tardar a aparecer. Ainda estou acompanhando como se estivesse assistindo a melhor das séries, nessa minha retomada ao mundo da animação japonesa (fazia alguns anos que não acompanhava nada), e confesso que fico mais e mais empolgado a cada episódio (claro que também pondo em prática minhas limitadas capacidades dedutivas, além de tentar 'foresee' o próximo passo dos personagens e o furo no plano de cada um... fuderoso!!!) e já me sinto orfão uma vez que sei que a série encontrará seu final em mais alguns episódios, mas nada que me impeça de dar sempre uma revisitada, ler o mangá, assistir aos filmes, procurar pelo livro...
" it's much better to face these kinds of things with a sense of poise and rationality" - by Panic At The Disco
Sexta-feira, Maio 04, 2007
The War Within
Alguns anos atrás, uma amiga me indicou um livro, que a princípio achei a maior piada do planeta. Afinal de contas a história era sobre uma menina de cinco anos que mostrava a um homem de meia idade significados e respostas sobre a vida que ele jamais poderia ter imaginado. Se excluirmos o leve melodrama voltado ao fato que a mesma menina tem os dias contados na ficção, ela mostra por A+B como somos vítimas de nossas próprias escolhas, e que não há nada que seja feito sem conseqüências, sejam elas boas ou más. É muito fácil voltarmos sempre para nós mesmos, afinal de contas somos o centro de nossa própria realidade, o mundo gira em torno de cada um de nós, na visão única e que desesperadamente tentamos desvencilhar evitando ao máximo confrontar o lado egoísta, que é simbiótico a nossa natureza. Nossa dor é sempre maior, nossas conquistas sempre têm o gosto mais doce, nossas desilusões são sempre mais intensas e nosso crescimento sempre mais profundo. É errado agir assim? Será que sempre temos consciência de quando cometemos esses "pequenos erros"? Seria exatamente esse o ponto máximo do egoísmo, estar tão absorto em si mesmo que todo resto encontra-se abaixo? Não cabe a mim responder essa pergunta, mas Sam Raimi tenta numa interessante analogia, ao explorar muito mais profundamente a psiquê dos personagens com quem trabalho em duas ocasiões e durante agora, mais de sete anos. É no meio dessas perguntas existenciais que ele nos apresenta a mais nova aventura do Homem-Aranha.
É interessante o quanto Raimi procurou dar toda uma base à aventura construída. Mesmo que tenha se utilizado das escolhas dos personagem Peter Parker nos dois exemplares anteriores, ele escolhe fechar o cerco direcionando ainda mais o fato de que tudo que Peter enfrenta em sua vida é conseqüência de seus atos. Seus inimigos surgem por sua ação direta, ou indireta, de alguma forma, e no final são esses fantasmas que ele tem que enfrentar. Mais interessante ainda é que esses inimigos não são nada frente às adversidades pessoais que ele tem que enfrentar (como sempre), e como ele consegue aprofundar isso sem soar cafona, ou repetitivo. No final a história funciona de maneira palpável e interessante, sem que em nenhum momento se lembre que aquilo é um filme de ficção. Fiquem felizes, pois a identificação com Peter ainda é imediata. O problema é que para um trabalho dessa magnitude, e que ainda carregue uma boa bagagem de ação e porradaria, o filme precisa do desenvolvimento de um certo background e é aqui que Raimi peca. O início da película (diferente dos demais) se apresenta picotado, dando a impressão que talvez a história esteja correndo rápido demais ou que o espectador está perdendo alguma coisa (como o desespero de "desse jeito o filme vai acabar muito rápido"). Não atrapalha, mas como eu sou chato bagarai, senti um certo desconforto. Em contra partida os fãs do aracnídeo vão se deliciar com as referências aos quadrinhos, que são muitas. Só para citar algumas: 1) Não dá pra não ficar com aquele sentimento de "já vi esse cara em algum lugar" quando se contempla Harry Osborn em seu traje de Duende. O problema é que ele tem traços muitíssimo parecidos (inclusive na expressâo corporal do personagem e todo esse jazz) com Ricochet, identidade que o aranha assumiu durante a saga "Identity Crisis", alguns anos atrás; 2) SPOILERS!!! SPOILERS!!!! SPOILERS!!!! (depois não diga que não foi avisado) A cicatriz com que o mesmo Harry fica no segundo ato do filme é também extremamente quadrinesca. Não porque o personagem também a tinha nas HQs, mas porque ela faz lembrar muitíssimo de um clone, não muito bem sucedido, de Peter Parker chamado Kaine. Foi impressionante como eu imediatamente identifiquei o personagem na primeira cena em que o jovem Osborne aparece com sua deformação facial, conseqüência de uma luta com Peter ( FIM DO SPOILER); 3) Apesar de não ter dado pra colocar as Guerras Secretas no cinema, a origem do traje continuou extra-terrestre. Não deu, claro pra desenvolver toda a história no cinema, mas os blackouts, mudança de personalidade e, inclusive, o modo como o traje foi derrotado (e por conseqüência, Venom) são completamente fiéis a sua origem quadrinesca. E essas são somente para citar algumas... prato cheio para os nerds de plantão. No mais, os efeitos continuam extraordinários, em especial o balançar do aranha por New York.
Chegando no campo das atuações, Tobey Maguire está como sempre, muitíssimo bem. Ele sabe viver a tristeza da vida azarada do Parker como poucos, e conseguiu passar com veracidade extrema o "estar sob influência" do simbionte-uniforme negro. Na verdade eu gostaria muito de destacar essa parta desua atuação no filme. O cara conseguiu colocar camadas no lance do "Peter-Got-His-Groove-Back", no caminhar e nas dancinhas aparentemente ridículas pelas ruas de Manhathan. Fica claríssimo o desconforto naquelas cenas, como aqui não pertence ao personagem, e que muita gente poderia encarar como não pertencer ao ator. Ficou fuderoso o fato dele vestir o comportamento, justamente como uma roupa que não cabe, mas que mesmo assim você usa. É desconfortável, mas ele está gostando, está tentando aproveitar. Pra mim foi o melhor do cara nos três filmes do aracnídeo, isento de qualquer repreenssão. Kirsten Dunst recebe de Raimi um presente bem maior, ela ganha muito mais profundidade na trama. Suas desilusões em especiais as profissionais (completamente diferente do mundo quadrinesco, onde ela é a bem sucedida e o Peter o mané azarado que tem que vender fotos pro estelionatário do Jameson), dão a ela justamente aquilo que eu estava dimensionando no primeiro parágrafo, ela tem suas próprias experiências e Peter ao compará-las com as dele diminui ela de uma maneira incomensurável. Dunst conseguiu passar essa angústia, pelo menos pra mim. Nada de magnífico em matéria de atuação, mas levado de maneira exemplar. Palmas pra ela. James Franco, IMHO, é o elo fraco da trama. O cara se mostra caricato na maior parte do tempo e nem na maior de suas cenas (não vou contar, não vou contar...) o cara conseguiu dar conta. Pra mim ficou pior do que as brincadeiras de "polícia-ladrão" que eu e meus amigos fazíamos uns 20 anos atrás. Um caos!!! Pra não dizer que não falei das flores, o cara conseguiu fazer, pelo menos, as cenas de açâo decentemente, de resto: LOSER!!! Topher Grace não sai muito do Eric Forman de That's 70 Show, não que ele comprometa o personagem. Inclusive na cena em que ele vai a catadral onde o Peter está se livrando do simbionte, ele tem A cena, pedindo a Deus que "por favor mate Peter Parker". Não é o cara que chama mais a atenção, mas é com certeza um dos responsáveis pela boa fluidez do segundo ato. O cara da vez é de certo Thomas Haden Church, acho que o Homem Areia sempre quis ter a profundidade que esse cara impõe no personagem, nos quadrinhos. Ficou fuderoso. Tá certo, tá certo, concordo que ficou um pouquinho melodramático, e que a cena final possui uma parte do diálogo (no que diz respeito a Peter) completamente desnecessária - às vezes palavras são too much, quando a galera vai aprender isso? - mas ainda assim, ele é o que possui o melhor dos backgrounds de toda a trama. Sem contar que o Haden pipocou na atuação. Palmas de pé pro cara. Na parte dos figurantes de luxo, vale somente destacar o papel de Bryce Dallas Howard (que vale salientar, é uma boa atriz). Sua Gwen Stacy mostra que veio para balançar o coreto da relação Mary Jane e Peter, o mais interessante é ver como o Raimi colocou as personagens com destinos trocados com os dos quadrinhos, quando MJ era uma modelo famosa que volta para se relacionar novamente com Peter. No filme Gwen é a modelo, e que tem uma certa fama na cidade (filha do chefe de polícia e talz). Nada de muito destaque no momento, mas de certo algo que promete ser explorado nas seqüências (sim, porque o único que acredita que a franquia acabou aqui é aquele nerd sem noção que acha que trilogias é o fim de tudo), e Bryce dá o toque certo para isso. Como eu disse, promete, e muito!!!!
Apesar de, tecnicamente, esse terceiro exemplar ser inferior ao segundo, no quesito "desenvolvimento dos personagens" ele ganha com uma pequena vantagem (excetuanto, claro, nosso bom e velho Dr. Otto Octavius de Spider-man 2). O problema do filme passa a ser justamente esse quando todo o roteiro passa a ter algo em cima do crescimento de cada um. Com muita gente isso se torna difícil de se controlar, e a meada perde um pouco do fio. De certo o aranha continua sendo o mais desenvolvido personagem para cinema do universo Marvel até então (mesmo que os mutantes sejam meus favoritos), e mesmo que esse não tenha sido o melhor filme da trilogia, de certo está acima da média no que diz respeito a adaptações (who's the Fantastic Four?). O filme vai agradar todo mundo, claro que nerds como eu vão reclamar bagarai de um errinho aqui e outro ali, mas faz parte do jogo. A película tem tudo pra todo mundo na dose certa (romance, ação, drama, aventura com uma pitada incrível de inteligência). Só um aviso para quem escutar alguns murmuros na passagem dos créditos iniciais: O som, provavelmente, provém de algum nerd que está se deliciando em ver as imagens dos dois primeiros filmes no meio das espaços entre as teias. Nada para se assustar, somente ignore e aproveite o resumão do que aconteceu até então. No mais aproveitar é a palavra para o filme do Spidey, que começou com o pé direito a enxurrada de filmes de verão que vem por aí. Em especial os baseados em histórias em quadrinhos (sensação do momento). E pra terminar, só mais um aviso: Não repreenda aquele nerd que está saindo da sala de exibição olhando para um ponto focado no alto de um prédio ou construção, apontando o punho para esse ponto (com o dedo anular no centro da mão), fazendo um barulho estranho com a boca e claramente fingindo estar expelindo algo que ele segura logo em seguida para cair na real que ele não pode se balançar em uma teia imaginária. É somente efeito do filme, nos mesmos moldes dos doentes que pensam que seus sabres de luz imaginários podem cortar tudo, claro que com direito a barulhinho, no final de qualquer filme de Guerra nas Estrelas. Tudo isso passa em alguns minutos e fica em estado latente por um bom tempo, ou pelo menos até o próximo filme nerd aportar nos cinemas e esse tipo de comportamento compulsivo aflorar novamente. Ou não.
" I'm sure you'll find it within yourself to do the right thing" - May Parker in Spider-man 3
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