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Quarta-feira, Abril 18, 2007
The Meaning of Numbers
Interessante como um líder não é somente aquele se auto-proclama um. Enconrajar, incentivar e inspirar estão dentre as qualidades desejadas desse ser de imagem tão ambicionada. Qualidades desejadas, mas nem sempre atendidas. Analogamente os seguidores a identificar tais adjetivos, se tornam cegos servidores, não numa representação escravocrata, e sim de uma automática necessidade de fazer parte desse todo organizado pelo nexo que se torna o que lidera. Acredito que é exatamente nesse ponto em que encontro Leonidas. O rei da nação espartana que toma em suas mãos o furor da batalha, e conduz a dança de sangue que posteriormente seria também acolhida por seus suditos. A selvageria coreografada de Leonidas é algo admirável, o modo como ele sempre avança trançando as pernas em movimentos circulares, trazendo consigo a lança que arranca a vida de pelo menos 5 indivíduos. A lança é somente abandonada para dar espaço a espada, num ritual muito menos animalesco, mas ainda assim conduzido sem retrocessos, retornos ou direitos a retiradas. A lâmina tira a vida de mais uma dezena, somente nessa única dança, voltando a descançar nas mãos de seu rei de maneira tranquila e leve, como se o sangue que por nela escorre fosse somente a água do último banho de afrodite. O tratamento de seu dono é equivalente a maestria com que o pesado artefato conduziu a sinfonia. O conjunto é simbioticamente complementar e naquele momento, naquele exato momento, na posição de descanso do ataque, nos segundos que precedem o discurso de encorajamento, no fim da observação que inspira por parte dos seguidores é que o expectador tem a mais absoluta certeza que aquele é o verdadeiro líder e que os 299 homens que o seguem, em momento algum, nem sequer por um milésimo de segundo, o abandonariam. Pois a única certeza que eles tem naquele lugar entre o quebrar das ondas e as elevadas falésias, nas fronteiras do mundo grego, é que por aquele líder e pela nação que ele defende vale a pena morrer, pois tal inspiração para a batalha só poderia trazer o mais glorioso momento de descanso ao lado dos justos nos campos elísios. Foi exatamente com esse sentimento de "pé no bucho, mão na cara" inspirador, que eu assisti extasiado o filme mais cueca desse século 21 (Gladiador, Tróia e Alexandre são piadas de mal gosto), 300.
Zack Snyder cai no gosto dos nerds de uma maneira indescritível. Sendo extremamente feliz ao seguir os ensinamentos de Robert Rodriguez, mantendo uma ambientação extremamente quadrinesca para a adaptação de mais um dos clássicos de Frank Miller, Os 300 de Esparta, Sny se delicia no banho de sangue apresentado na obra e introduz, inovando em artifícios já utilizados por outros diretores, uma nova linguagem de condução cinematográfica. O roteiro eu tenho que concordar que não é dos mais brilhantes, mesmo que mantenha muitos dos diálogos em celulose, em alguns momentos eles simplesmente não funcionam em celulóide. Muita coisa soa um pouco clichê, por mais verdadeiros que possam ser impressos pelos atores que os citam. O pulo do gato do filme foi apostar na linguagem visual, aqui sim, ele é mestre. A fotografia escura e de coloração envelhecida mostra ao espectador que aquilo é um velho livro da grécia antiga ganhando forma e vida. Mesmo que os fatos históricos estejam levemente alterados, e que historiadores e estudiosos sobre o assunto ao redor do mundo esperneiem que é um absurdo ter tamanhos erros condução cronológica, não importa (se fosse pra fazer um documentário a BBC já tinha se encarregado de produzir algo), nada, mas nada mesmo, tira o brilho que cada marmanjão (amante de quadrinhos ou não) sai nos olhos ao final das duas horas de exibição. A linha narrativa de Snyder é interessante, concentrando o máximo que pode no fio principal (de onde tirou até os storyboards em detalhes para a composição da película) e tentando não deixar a peteca cair nas linhas paralelas, criadas especialmente para o filme, e que se mostram cansativas e bem mais agressivas aos fatores históricos, mesmo que em sua conclusão ela se mostre mesmo é extremamente engraçada. Nada que comprometa é verdade, mas ainda assim diminuem, e bastante, o rítimo do filme. Resumindo o que eu venho tentando colocar aqui nessas linhas intermináveis, tecnicamente das film ist fantastischen!!!! (perdoem meu alemão que é uma merda...). O filme é tudo que Troia e Alexandre, juntos, não conseguem.
Gerard Buttler é de longe o maior destaque em todo o filme. A descrição dada do Leonidas ali em cima só ganha vida graças a paixão com que ele conduz o personagem. Impressionante como ele se transforma e como seu personagem ganha mais e mais força a cada cena e a cada segundo de exibição. Nada digno de Oscar, mas definitivamente tão inspirador quanto o personagem a quem interpreta. Rodrigo Santoro, pelo menos IMHO, é o segundo nome do filme. Sua expressâo corporal, de um ser extremamente arrogante ao ponto de se auto-intitular "Rei-Deus", é fantástica, mesmo que levemente afeminada, talvez essa seja realmente a intenção uma vez que Xerxes possui um tom extremamente over além de generos e números, ele só apresenta graus de separação. O meu único contra, e na minha opinião maior deslize do Snyder, foi a falta de confiança no ator no que diz respeito a impostação de voz. Ter uma voz alterada por computador é quase o mesmo que ser dublado. Foda-se se o inglês do cara não é perfeito, estamos falando de persas e gregos aqui... não tem que ser mesmo, ele só teria o trabalho de desenvolver uma voz que condissesse com o posto de homem-deus do líder persa, e, me perdoem os mais céticos, eu tenho plena certeza que ele é capaz disso pra caramba. Aqui a única coisa que eu pensei foi: "pronto, é Greestoke mais uma vez" (para quem não sabe a carreira de Andie MacDowell quase acabou antes de começar por ter sido dublada por Glenn Close no filme do Tarzã que traz Christopher Lambert. O elenco de apoio funciona magistralmente de maneira analoga, a excessão de Dominic West. Eu tenho a mais plena certeza que eu jamais tinha visto atorzinho mais canastra nessa minha curta vida de cinéfilo. Fala sério. O cara me fez odiar ele mais pela interpretação capenga que pelo personagem em si, que é um rato. A cena em que ele chantageia a rainha é uma das piores do filme, sem comparação... uma plena decepção. Eu não sei porque esse cara ainda continua sendo contratado pra fazer filmes, é um zero a esquerda. Eu só gostaria deacrescentar mais um pequeno comentário para com as interpretações de David Wenham e Vicent Regan: Fuderosamente Fantásticas!!!! Em especial o segundo nos momentos que sucedem a perda de seu filho... putz!!!! O cara em cólera é tudo que o Wolverine sempre sonhou em ser e nunca conseguiu (OK, OK, exagerei um pouquinho, mas deu pra pegar o espírito a coisa né?)!!! Simplesmente perfeito.
Como imaginei, escrever sobre 300 seria chover no molhado. Eu, particularmente, não leio críticas antes de escrever sobre algo, mas segundo estatísticas o filme é uma unanimidade nerd sem parâmetros. Ouvi dizer que pouco críticos, mais exigentes (traduza como chatos de galocha), simplesmente ignoraram o fator diversão do filme e tascaram o pau na questâo histórica, bem como no roteiro mais ou menos. Acredito que esse tipo de crítica deve ser descartada, totalmente, uma vez que eles perderam totalmente o ponto a que o filme se propõe: diversão acima de tudo. Os cuecas de certo é quem mais vão gostar do filme, apimentado com muito sangue, muitas frases de efeito, muitos gritos, muitas piadinhas e se eu falei pouco do sangue, tem sempre mais um pouco. As meninas vão adorar pela reação dos namorados mamões que dão aqueles gritos sem noção no meio do filme e tem a mais plena certeza que deveriam ser soldados espartanos ao subir dos créditos, claro que uns pontos a mais para dar uma conferida são os carinhas estarem com pouca roupa e com o abdômem mais bem trabalhado que qualquer escultura de Rodin (se aquilo não for alteração de computador, eu quero ser o patolino). Ou seja, diversão pra todo mundo, inclusive os mais analíticos que podem brincar de dissecar as técnicas usadas para a criação dos efeitos do filme, inclusive nas já citadas fotografia e direção de arte (que são perfeitas e essas sim merecem uma lembrança em fevereiro do ano que vem). E para os nerds eu nem menciono que tem até um bonus a mais da grande produção de Snyder, ou ninguém aqui achou o Jeninho de Watchman no decorrer da projeção? Quem não viu foi uma pena, porque somente a promessa de ver Watchmen no cinema me faz ter calafrios de ansiedade e medo (uma vez que essa obra, com certeza, retém o título máximo de clássico dos quadrinhos). Mas enquanto isso, curtir uma bela adaptação da obra do mestre Miller e poder gritar a toda hora: THIS IS SPARTAAAAAAAAAAAAAAAA!!!! Tá de um tamanho sem igual.
" Remember this day, men, for it will be yours for all time" - By Leonidas
Terça-feira, Abril 10, 2007
Blackbolt Ears...
Não, não... esse não é mais um post sobre quadrinhos. Somente um update mais recente do que eu ando escutando por aqui... coisa pra caramba, que muitas vezes nem chega ao Brasil (ganham-se umas perdem-se outras..), ams de qualquer maneira eu tenho que me preparar para os Festivais que começam a pipocar daqui a pouco mais de um mês. Tão com inveja??? Eu ainda nem disse nada!!! Mas antes de tocar nesse assunto tão delicado, que são os festivais que envolvem bandas como Arctic Monkeys, Travis, The Scissor Sisters, Evanescence, Linkin Park, Good Charlotte e tantos outros, acho que devo apresentar meu parecer pessoal a cada um, e daí vocês baixam, escutam e decidem se eu tou falando abobrinha ou se tem inveja de mim o resto da vida... Aí vai!!!!
The Scissor Sisters
Tudo muito colorido, exagerado e visualmente chamativo... assim como era nos anos 70. É a base dessa banda, nada de Glória Gaynor, mas com umas pitadas de Donna Summer e Shirley Bassey. Mesmo assim o som é interessante, seguindo uma construção exclusiva dentro das regras temporais em que se ancoraram, mas deixando espaço para inovações e flertes com o século 21. Don't Fell Like Dancing é hit por aqui, (sim, ainda, hauhauahuahuauauha), e não há como negar o apelo pop da música, mesmo que ela fuja do convencional, totalmente. Os videoclips seguem o mesmo apelo, em especial o da canção Land of a Thousand Words, que segue a risca as aberturas dos filmes de 007, em especial os protagonizados por Roger Moore. Fuderosamente espetacular... O disco todo (batizado de Ta-Dah), é interessante, melancólico em algumas partes, mas especialmente nostálgico. Vale demais a pena dar uma conferida... eu mesmo gostei e ouço, e nada dessas coisas de "é uma banda gay" ou "quem ouve vai pro inferno" (sim, teve essa também), porque quem nunca escutou Fred Mercury, Elton John, Cazuza ou Legião Urbana e não gostou de ao menos uma música que atire a primeira pedra!!!!
Kaiser Chiefs
Essa aqui foi um achado!!!! Passa um clipe bem popzinho da banda na MTV daqui, de uma música que eu acho pessoalmente bem peroba - Ruby do album Yours Trully Angy Mob, mas daí eu escutei o resto do cd, e de quebra eu baixei o anterior (muitíssimo melhor) chamado Employment. A bagaceira estava feita e eu agora sou fanzoca-tiete da banda... Quem quiser me acompanhar, escute, por favor, Every Day I Love You Less and Less, se identifique com a música (quem nunca teve um momento que esbarra nessa música, que chupe o dedinho aqui pra ver se sai coca-cola...) e se torne fã junto comigo... hauhauahuahuahua!!! Depois desse momento Kaiserete, vale mesmo a pena. Para quem precisa de termos de comparação, pode ser encarado como uma mistura de The Killers e Keane, com uma base fuderosamente forte nos Ramones!!! Bem... pelo menos eu acho. E ainda digo mais, o som é parecido com o de muita bandinha indie por aí, mas no geral o saldo é positivo... encarem e sejam pessoas felizes.
Good Charlotte
Essa aqui eu acho um pouquinho mais alternativa, e tem muito "ame ou odeie" no processo. O som me lembra muito a sensação da primeira vez que eu escutei Garbage, um som cru, cheio de riffs de guitarra, mas ainda assim dançante e instigante. Está certo que o grupo aqui, na minha opinião faz uma linha bem mais pop que o liderado pela Shirley Manson, mas o som vale demais a pena... A começar pela música de trabalho atual, Keep Your hands Off My Girl!!!! Nada de especial na letra, mas a melodia é fantástica... daquelas que faz você querer pular feito doido no sofá de casa balançando o cabelo longo que não tem e ainda ter todo o agá de uma guitarra imaginária. Pois é... já dei a sugestão, agora caia em cima.
My Chemical Romance
Essa banda aqui não tem nada de muito especial não, mas eu confesso que eu curti pacas o som. É meio paradinho e sem nada de original, mas tem um tom meio melancólico que me agrada... pode ser que eu esteja doido e na verdade descubra em algumas semanas que nâo combina nada comigo... Mas até então está valendo a pena.
Timbaland, Nelly Furtado & Justin Timberlake
Bem no caso desses três o lance é mais complicado. OK, OK, eu explico... Nelly Furtado me deu um susto dos diabos ano passado quando deixou de ser a garota que era " I'm Like a Bird", pra se tornar a " Promiscuous Girl". O pior não é a mudança drástica (numa tentativa muitíssimo bem sucedida de preencher o vácuo deixado por uma Britney Spears drogada, doida, careca e que não canta mais... não que nunca tenha cantado, mas não vamos perder o foco), mas o fato dela ter feito umas músicas que viraram sensação, em especial aqui na Europa. A promiscuous que eu já mencionei toca em todo canto, ainda, ela emplacou outros chicletes com All Good Things Comes to An End e Maneater e agora ela emplacou Say It Right, que eu tou curtindo pacas. Medo??? É eu também tenho pequeno curumim... mas como eu disse ela emplacou bem. Na mesma linha, mas com um histórico mais abrangente, temos o ex-NSYNC Justin Timberlake. O cara é sensação por aqui e a música My Love é sucesso absoluto há mais de 15 semanas. Sabe o que é pior? Eu acho a música fuderosíssima!!!! E tou na galera que curte. Ainda. O cara começou com Sexyback ano passado, emplacou My Love e agora lançou uma que tem no clipe a Scarlett Johansson (a música aqui não interessa muito...). Virei fã do cara... di cum força. Mas aí você vira para esse mestre Jedi e pergunta: " Mas o que o Timbaland tem a ver com essa bagaça toda?" Simples, pequeno padawan, o cara é a mente genial por trás do sucesso desses dois chicleteiros safados que citei acima, produtor com toque de midas. E sabe o que é pior? O cara acabou lançando um cd, com os dois numa mesma música, muitíssimo fuderosa por sinal, chamada Give It to Me, e o cd não fica atrás... ou seja, não tinha como eu falar desses três em separado. Concordo com quem disser "não curto", mas quem falar mal leva um safa no pé das ureiras.
Arctic Monkeys
A cereja do bolo. Eu não lembro mesmo a 'ultima vez que eu fiquei de quatro por uma banda (sem piadinhas de duplo sentido, já viram aí em cima que meu humor tá no mode psycho né?) onde todas as músicas eram simplesmente geniais e as letras me falavam muito mais que qualquer outra coisa, em especiais livros de auto-ajuda (que nunca dizem nada). Bem, o negócio é que aqui eu vou rasgar muita seda para essa banda que tem um pé encavado no indie mais tradicional, mesmo assim pegando referências fuderosas dos anos 60!!!! Músicas como Tales of San Francisco, A Certain Romance, When The Sun Goes Down, Red Lights Indicates The Doors Are Secured, Dancing Shoes, Curtains Closed e Riot Van me deixam simplesmente em êxtase absoluto, enquanto as escuto... ou seja, não perca seu tempo e trate de escutar logo essa coisa preciosa, lembrando sempre que o mestre aqui vai para o show deles no início de junho e ainda deixar aqui uma resenha a respeito... como a vida é injusta!!!!
E só pra terminar em grande estilo, fiquem com a letra de When The Sun Goes Down...
When The Sun Goes Down
Arctic Monkeys
I said who's that girl there?
I wonder what went wrong
So that she had to roam the streets
She dun't do major credit cards
I doubt she does receipts
It's all not quite legitimate
And what a scummy man
Just give him half a chance
I bet he'll rob you if he can
I can see it in his eyes, yeah
That he's got a driving ban
Amongst some other offences
And I've seen him with girls of the night
And he told Roxanne to put on her red light
They're all infected but he'll be alright
Cause he's a scumbag, don't you know
I said he's a scumbag, don't you know!
Although you're trying not to listen
Avert your eyes and starin' at the ground
She makes a subtle proposition
I'm sorry love I'll have to turn you down
And oh he must be up to summat
Want half a chance to show he's more than likely
I've got a feeling in my stomach
I start to wonder what his story might be
What his story might be
Yeh, cos they said it changes when the sun goes down
Yeh they said it changes when the sun goes down
And they said it changes when the sun goes down
Around here
Around
And look here comes a Ford Mondeo
Isn't he Mister Inconspicuous
And he dun't have to say 'owt
She's in a stance ready to get picked up
Bet she's delighted when she sees him
Pulling in and giving her the eye
Because she must be fucking freezing
Scantily clad beneath the clear night sky
It don't stop in the winter, no and...
They said it changes when the sun goes down
Yeh they said it changes when the sun goes down
And they said it changes when the sun goes down
Around here
Well they said it changes when the sun goes down
Over the river, going out to town
And they said it changes when the sun goes down
Around here
Around here
What a scummy man
Just give him half a chance
I bet he'll rob you if he can
Can see it in his eyes that he's got a nasty plan
I hope you're not involved at all
" And the record keeps playing, The same old song. The hipster keeps mugging on me all night long" - Keep Your hands Off My Girl by Good Charlotte
Terça-feira, Abril 03, 2007
Counting Crows
Notícia velha? Com certeza. Mas infelizmente minha veia frente a Civil War não permitiu que eu ficasse calado. E tenho que dizer a vocês que eu tentei, muito. Não sei se todos lembram, ou se mesmo notaram, mas eu não escrevo sobre quadrinhos aqui faz um bom tempo. O porquê disso? Acreditem se quiser: esse mesmo evento da Marvel. Vou explicar. Desde que começou a ser publicada, a controversa megassérie da editora Marvel Comics, me deu um pontada política que eu não sentia há muitos anos... Na verdade isso veio desde House of M, sou um verdadeiro fã dos mutantes (pedras por todos os lados...) e me identifico pacas com o lance social enfrentado por eles, especialmente no quesito minoria. Quando vi a evolução da nação mutante (desenvolvida por Grant Morrison) ser reduzida a idade da pedra dois anos atrás, fiquei extremamente cabreiro... Está certo que todos os eventos fantasiosos criados pela distorção da realidade conduzidos pela Feiticeira Escarlate foi um evento mais conectado ao acaso (estou colocando aqui somente os acontecimentos por si mesmos e não as decisões editoriais) e que no final fica meio complicado de julgar quem realmente foi o culpado (Vanda é uma pessoa perturbada, cansada de não saber realmente em que realidade vive... isso justfica seus atos? Claro que não, mas os torna muito mais compreensíveis frente aos acontecimentos). O problema é que depois desses eventos conectados a Dinastia M (como foi batizada aí no Brasil), o angu engrossou. O governo americano, em especial as agências governamentais, ficaram fulos da vida por terem sido mantidos no escuro (uma vez que uns poucos gatos pingados realmente lembram-se do acontecido) e não só exagerou no cuidado com os mutantes restantes (onde temos uma clara transformação da manssão Xavier em campo de concentração, mas sem tortura... pelo menos física), como resolveu cair em cima de todo mundo que manifestasse uma faísca nos dedos. Entrou com um projeto de lei no congresso e aprovou uma lei que exigia que todos os superseres fossem registrados e trabalhassem para o governo (OK, OK, essa segunda, teoricamente não é obrigatória... uns dizem que quem quisesse poderia abidicar do manto de herói... sei, sei), tudo isso arquitetado pelo feladaputa do Tony Stark (a.k.a Homem de Ferro), que no alto da sua genialidade resolveu que esse seria um caminho pacífico, especialmente se levarmos em consideração a opinião pública. Pois bem, esse foi o pontapé inicial para a chamada Guerra Civil dos heróis, pois é claro que muitos tomaram esse registro como uma letra escarlate no meio do peito, ou como seria mais facilmente colocado, uma agressão aos seus direitos civis (pois a identidade secreta de cada um estaria atachada a um arquivo de acesso restrito do governo - coisa que ninguém de fora tem acesso... e quem acredita nisso é quem nunca assistiu Alias ou 24 Horas). Acho que quem quiser saber mais vai ter que consultar aqui.
O primeiro a levantar a voz contra o registro foi o Capitão América. Apesar de ser um símbolo icônico para a nação norte-americana, Steve Rogers detestou como tudo se procedeu, inclusive quando ele próprio foi fortemente atacado por ter se recusado a se registrar inicialmente, o detalhe é que a identidade do Rogers já era pública, então porque ele se importaria? Resposta simples: era uma extrema violaçâo ao direito de liberdade de cada um. Mas como assim Bial? Direito de liberdade para vigilantes? Direito de liberdade pra quem sai metendo porrada a torto e a direito no meio da cidade causando destruições ocasionais? O problema é que acima desse pequeno exagero, a lá O Reino do Amanhã, que eu coloquei isso seria algo a ser levado em consideração para um registro de superseres, um controle mais prático das ações super-heroísticas de perto, afim de que no final, tudo estaria sob-controle governamental. Mas aí os pequenos padawans perguntariam: "Mas se no final das contas isso é um benefício, por que fazer tanto alarde e ser do contra?", simplesmente porque é uma violação dos direitos civis de qualquer nação democrática, voltar a isso é um retrocesso e, porque não dizer, uma volta ao uso do controle usado na época que precedeu o absolutismo nazista (sim, porque antes de serem confinados em campos de concentração os judeus, ou pertencente de quaisquer outras minorias, eram registrados e marcados). Não estou dizendo que isso acontecerá com a comunidade heroística, mas esse tipo de registro e lei, em muitos casos, não permitem que os indivíduos pensem, contestar o sistema se torna um ato de insubordinação (ou até traição) e na pré-definição que eu tenho do que é ser um herói, muitas das escolhas certas vão de encontro a ordens colocadas (e um pequeno exemplo disso já foi mostrado em Mighty Avengers 01, quando os pequenos desentendimentos na escolha de uma equipe se torna um precursor de algo bem maior em um futuro próximo). O negócio (pra não divagar demais) é que comportamento militar não funciona muito bem com vigilates, isso já foi provado em diversos especiais, sagas e tantas outras histórias que os fãs de histórias em quadrinhos estão acostumados a ler. Infelizmente pra mim, é esperar quando todo esse angu vai desandar, de certo na próxima grande saga da editora World War Hulk, mas como fiz com Civil War, eu prefiro esperar (di cum força), até porque da última vez que o Hulk foi considerada uma ameaça desse porte aconteceu a formação dos Vingadores, quem sabe o que não surgirá desse evento.
Mas esse texto, até então colocado como uma introdução ao que foi a saga, tem como principal objetivo analisar o que aconteceu realmente no final da saga, incluindo seu mais intenso e repercussivo evento: A Morte do Capitão América (mesmo sabendo que o texto aqui vai desembocar para outros seguimentos com certeza... my mind can not be in just one line). Eu já devo ter colocado aqui uma penca de vezes, mas não custa nada repetir, eu nunca fui muito com a cara de escoteirão do Caps. Nada pessoal contra o personagem, mas apesar de eu admirar seu senso de justiça obstinado e sua visão de que a lei deve ser aplicada a todos, eu acredito que em muitos casos, em especial para os já citados heróis independentes, sua técnica é pouco prática. O mesmo cai em cima do Superman, na minha opinião, suas escolhas limitam os personagens e, nas mãos de escritores mediocres, temos no final um monte de linhas narrativas que se repetem com escolhas que não se mostram nem um pouco orginais. Apesar disso tudo minha visão do personagem de Steve Rogers teve seus momentos de admiração. O primeiro quando ele abandonou o manto e o escudo estrelado cerca de 17 anos atrás (no Brasil) por não concordar com decisões de seus superiores. Eventualmente, claro, ele voltou a vestir o colante azul, mas curti muito o fato dele colocar seus ideais acima de decisões governamentais, mostrando realmente que o homem era um símbolo de "exemplo a ser seguido" e que ordens nunca devem ser aceitas cegamente. Quando o cara resolveu ser do contra na Civil War eu achei fuderoso, e sabia que essa seria a posição do cara, arfinal de contas ele não ganhou o nickname de Sentinela da Liberdade a toa. Eu sabia que o final da Civil War seria feio, não sei para que lado (não sou vidente ainda), mas que muita coisa não seria mais como antes. Especialmente no que diz respeito a amizade de Tony e Steve, ela já havia sido abalada anos atrás na Guerra das Armaduras (quando Tony foi totalmente rogue procurado destruir sua tecnologia que havia vazado, o que incluia os soldados guardiões da Gruta - antigo centro de detenção), ela jamais seria a mesma, e de certo agora não será mesmo. Eu fiquei meio cabreiro com tudo que aconteceu, especialmente com o lance "tudo-nada" dado aos personagens. O jogo absolutamente extremo das posições que eles assumiram depois da saga se mostraram interessantemente contraditórios e visionários, não somente os personagens mudaram profundamente, como suas imagens se mostraram intrisecamente modificadas. Tony recebeu toda a glória de ter conseguido instituir o registro de maneira efetiva, mesmo com todas as casualidades. O cara construiu uma prisão na zona negativa para os super-seres (com a ajuda de Reed Richards e Hank Pym), com isso ele conseguiu o cargo de Nick Fury como chefão da S.H.I.E.L.D. e ainda ficou totalmente responsável pela divisão de superseres no governo, distribuindo os heróis registrados dentre os estados americanos, matando assim os focos internamente de maneira mais efetiva. Em contra-partida, Ben Urich e Sally Foyd mostraram por A + B, que toda a guerra civil foi arquitetada por Tony, num plano de manipulaçâo que poderia ter dado muito mais errado, no final das contas, mesmo com a visão, o cara é um traidor safado que mostrou não hesitar em passar por cima de quem vai de encontro a ele (lembram da tremenda sacanagem que ele fez com a Jessica Drew???). Pois é, o cara é o foda do poder, mas isolado na sua torre, pois ninguém vai virar as costas pra ele tâo cedo. Com Rogers o negócio foi diferente, ele verificou no meio da última batalha da Guerra Civil (de uma maneira bem tosca eu tenho que concordar) que o dano causado pela luta no final estava sendo muito maior do que o propósito a que ela servia. Ele se entregou, não porque ele achou que seus ideais estavam errados, mas principalmente porque ele sabia que não valia a pena lutar pelo bem de pessoas que estavam saindo tão prejudicadas no final. O cara se entregou, porque o homem "Rogers" tinha que agir da maneira correta, mas deixou bem claro que o Capitão América, jamais estaria preso, uma vez que ele representava muito mais do que o homem carregava. Tentaram mudar isso tirando todas as honrarias do cara, alguém que lutou pelo país por mais de 60 anos, fazendo ele caminhar em praça pública como um preso comum e traidor absoluto. Infelizmente a caminhada do cara nâo chegou ao topo das escadarias da corte suprema americana, um atirador de elite chamou a atenção atingindo Steve duas vezes, e enquanto todos se dispersavam o cara foi morto a queima-roupa por Sharon Carter, sob o domínio do Dr. Faustus. No fim das contas o cara morreu como mártir, sedimentando seus ideais de liberdade e justiça em diversos seguimentos de heróis, especialmente nos Vingadores Underground comandados agora por Luke Cage. Quando Jessica foi ludibriada, numa das publicações, acreditando que o Capitão poderia ainda estar vivo, Luke foi contra imediatamente, sabendo se tratar de uma armadilha. Mesmo assim, em consenso com os demais, ele foi de encontro a emboscada, pois sabia que se houvesse a mínima chance de ser verdade, ele sabia que o Steve faria o mesmo por qualquer um deles. É esse tipo de ideal que faz com que a balança em cima do final de tudo fique tão equilibrada. Essa coisa de lutar contra um sistema tão errado, que em algum momento será visto e aprovado por todos, criando a anarquia que precede a bonança, no maior estilo V de Vingança.
Mas isso não muda a realidade de que Steve Rogers está morto no momento. Devo dizer que faço parte do grupo que acredita fielmente que ele não ficará neste estado por muito tempo (junto com cerca de 90% da população quadrinesca). Nos últimos anos as editoras de quadrinhos americanos se tornaram mestres em trazer personagens de volta a vida, com as explicações mais abomináveis possíveis (tudo bem que a gente engoliu o retorno de Jean Grey, também o nome dela ser Phoenix faz todo um sentido, mas o que falar do Capitão Marvel, que teve o retorno mais nojento e deplorável dos últimos anos? Isso porque a história que conta a trajetória da sua morte é uma das mais belas e bem escritas por Jim Starlin... jogaram tudo na privada e deram descarga), e esse parece ser o destino do nossso velho Steve daqui há alguns anos. Acima de todos os joguetes políticos inseridos por Mark Milar e colocado em contraste a realidade desacerebrada em que vivem os americanos hoje, Civil War conseguiu ser aquela cornetinha barulhenta que pode até não fazer muita diferença no final, mas que encorajou gente a tentar fazer algo. As mudanças são profundas o suficiente para uns 2 ou 3 anos pelo menos, mas como tantos outros acredito que o universo dos heróis seguem o princípio de Le Chatêlier, de voltar ao equilibrio depois de uma perturbação. A indagação que fica é se o retorno vai ser ao completo esquecimento por parte dos escritores, desconsiderando quaisquer contatos com a saga depois de alguns meses ou se simplesmente vão retornar a cronologia de forma gradativa. Apesar de acreditar na primeira fico naquela infinitesimal esperança de que a coisa vai desandar de maneira desorganizadamente organizada (não entenderam? nâo importa...), e é por isso que eu estou colocando tanta f'é em World War Hulk. Uma vez que o latinha resolveu dividir o poder de fogo, antes concentrado somente em NY, dos heróis teremos agora um verdão raivoso, e se sentindo extremamente traído, cheio de seguidores iguais a ele e caindo em cima de um grupo de heróis organizado, mas totalmente descentralizado. Isso sim vai ser interessante de se ver. Mas enquanto isso não acontece, estamos ainda lidando com as conseqüências finais do evento aqui mencionado, com arrependimentos, com reorganização... Em especial, os eventos da construção de The Iniciative ainda dão pano pra manga. No mais é esperar a chegada do próximo Capitão América (ou vocês realmente acham que a Marvel iria ficar sem um?), o substituto já foi escolhido e a base da substituição definida (alguém aqui também pensou em Crepúsculo Esmeralda?), mas se vai realmente dar certo, só o tempo, ou quem sabe o punho do Hulk, vai responder.
" For the love of God and our human rights, and all these things are swept aside" - Civil War by Guns n' Roses
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