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Sexta-feira, Novembro 24, 2006

:: Erik Magnus Lehnsherr 4:07 PM

"I am so high. I can hear heaven"

And they say that a hero can save us...


Eu tentei não ser um fanboy aqui, mas não vou conseguir... às favas com o profissionalismo (hã??? profissionalismo??? como assim???), eu fiquei foi tresloucadamente (sim, essa palavra ficou muito brichta, mas não tinha outra...) empolgado desde a primeira vez que li sobre o plot de uma série que visava mostrar seres especiais descobrindo seus poderes e se unindo por uma causa comum. Eu sei, eu sei... a coisa não soava nem um pouquinho original, muito pelo contrário, parecia um filão safado do sucesso dos vários filmes baseados em quadrinhos que pipocaram nos cinemas nos últimos 7 anos, encabeçados pelos mutantes de Xavier (que de certa forma se assemelhava demais ao que havia sido colocado pela sinopse da NBC). Mas eu tinha que conferir, nem que fosse pra falar mal, com cerca de 60% da minha existência dedicada aos quadrinhos, era algo quase religioso... ou seja, coisa de fanboy. Mas eis que o xexelento do Jeph Loeb (que tem como produtor algo que sempre o faltou como roteirista de quadrinhos - o que eu acho é que ele tem idéias fuderosas, mas as executa como se seu cérebro fosse um purê de batatas), não peida na farofa e faz de Heroes, a minha segunda série favorita, em somente 3 episódios (tá certo que eu já vi oito, mas no terceiro eu já comia os dedos e ficava com síndrome de abstinência esperando pela segunda-feira). Empolgação??? Você ainda não viu nada.

A trama é iniciada com o assassinado do genicista indiano Chandra Suresh, que havia puclicado um livro seis meses antes sobre a existência de seres que, possivelmente, seriam o próximo passo na escala evolutiva da humanidade desenvolvendo poderes especiais como indicativo dessa evolução (cópia descarada de X-Men). O livro é fruto de um trabalho de anos do pesquisador, que até então cumina num catálogo interessante sobre todos os superseres existentes no planeta, a partir do trabalho feito em seu paciente zero: Sylar. Este por sua vez, por um motivo que permanece misterioso, começa a assassinar diversos desses seres de uma maneira extremamente peculiar (ele retira os cérebros dos mutantes - errr... desculpem my mistake - e aparentemente absorve os poderes de quem mata) e por isso é perseguido pela agente do FBI Audrey Hanson, cujo policial telepata Matt Parkman passou a auxiliar. Sylar é precursor de um futuro negro, segundo as visões expressas nas pinturas de Isaac Mendez - Santiago Cabrera - (cujas premonições pintadas são colocadas sob efeito de heroína), e confirmadas pelo viajante do tempo Hiro Nakamura - Masi Oka - que salta de Tóquio até New York, cinco semanas a frente, para presenciar o assassinato do artista e o holocausto causado por uma grande explosão na cidade, também expressa nas pinturas. Hiro tenta então entrar em contato com Mendez, que ao mesmo tempo está sendo procurado por Peter Petrelli - Milo Ventimiglia - que se viu em sonho voando, concretizando isso quando salvo por seu irmão, Nathan Petrelli (candidato ao Senado americano, que possui a capacidade de voar). Peter procurava respostas de seus poderes de mímico com Mohinder Suresh (também pesquisador e filho de Chandra - interpretado por Sendhil Ramamurthy), que estava em New York investigando a morte de seu pai. A dupla é visitada pelo mesmo Hiro, que procurava Mendez, mas aqui Hiro vinha de um futuro distante, possuia vestes de combate, com direito a espada e falava um inglês claro e fluente. O japonês do futuro revela a Peter seu destino de líder e diz que o ponto de virada encontra-se na salvação de uma Cheerleader do texas. "Save the Cheerleader, save the world". A líder de torcida em questão é Claire Benett, cujos poderes de regeneração a fazem perguntar, e agir, sobre o que seria necessário para matá-la. Claire é filha do misterioso Mr. Benett, que claramente tem uma ligação com todos os dotados, uma vez que capturou alguns deles para experimentos até então com motivos também obscuros. No meio de toda essa confusão ainda existe o garoto Micah Sanders (Noah Gray-Cabey), que é levado pelo pai Hawkins (Leonard Roberts) com poderes de intangibilidade, a contragosto da mãe, Niki Sanders (Ali Later), que possui uma selvagem e sanguinária segunda personalidade, que fará de tudo para ter o filho de volta.

Apesar do imenso número de personagens e tantas histórias paralelas, a série se mantém coesa, revelando aos poucos os mistérios do plot principal e descascando minuciosamente as camadas de cada um dos personagens. Como já citado, em muitos aspectos a série se assemelha aos mutantes da Marvel, mas a narrativa e o desenvolvimento de cada um, lembra muito mais outra série da mesma editora: Supreme Power, ainda na época que se chamava Supreme Squad, criado e escrito até hoje pelo também roteirista de tv (The OC), Michael Strazcinsky. A narrativa mantém a curiosidade do espectador do mesmo modo que transforma uma estória nada original, em algo extremamente interessante de se ver, mas sem que haja linhas complicadas demais para os que descobrirem a série posteriormente fiquem impossibilitados de entender o que se passa naquele universo. A linguagem quadrinesca também é primordial na composição da narrativa, pois mostra todo aquele blá blá blá de "formação de um herói" de uma maneira nada cansativa e partindo de suas fontes e descobertas, exatamente como no início da década de 60, com o surgimento da Marvel como conhecemos hoje. O desenvolvimento dos personagens, inclusive, é um dos pontos altos aqui, mas falar sobre eles de uma maneira mais explícita seria estragar o doce pra quem quer conferir. A fonte usada para apresentar os créditos e os jogos de câmera, apresentação dos quadros e até o guia dos protagonistas (quadros de Mendez e revista em quadrinhos, 9th Wonders, escrita e desenhada pelo mesmo, deixa claro que temos aqui uma história em quadrinhos para a tv. Tim Kring tem a chance de ocupar o vácuo deixado por séries como Buffy, e ainda se ocupar da fatia que anda insatisfeita com os rumos que Smallville e Supernatural andam tomando. Sua criação já é assunto tarimbado em todos os forúns de quadrinhos, sempre curiosos com a edição da semana seguinte. Algo que finalmente respeita a fonte de inspiração dos comic books na tv, mesmo que não tenha sido baseada em nenhuma existente, mas se bem que poderia ser pior, uma série do Blade poderia aportar por estas terras :-p

"And you'll finally see the truth, that a hero lies in you" - Hero by Mariah Carey



Post Script: Galera, eu não sei se está todo mundo sabendo, mas o Smells vai entrar num pequeno recesso. Estou viajando hoje para dar início aos meus estudos de doutorado na Suíça, dessa forma, eu tentarei entrar aqui, mas a escrita longa de postagem do blog pode demorar um pouco a aparecer. Mesmo assim, eu agradeço de antemão a todos que prestigiam o blogoso aqui, valeu mesmo pessoas. Sei que não sou o melhor escritor, colunista or whatever, que existe, mas acredito que os que lêem o fazem porque realmente curtem. Aos meus grandes amigos um forte abraço, e levo vocês comigo (de uma forma ou de outra), aos magníficos leitores, um grande abraço e as cortinas se fecham no momento somente para a preparação do próximo ato. Sem mais delongas, até daqui a uns dias ;-)


Quinta-feira, Novembro 16, 2006

:: Erik Magnus Lehnsherr 12:00 AM

Feel The Magic, Hear The Roar

Thunder, Thunder, Thunder... Thundercats, Hoooooo


Domingo. Onze horas da manhã. Hora de não mais fazer a arrumação do quarto, prometida à mãe desde aquela segunda-feira longínqua da semana anterior. Hora de despedir dos amigos, sair correndo feito louco no meio da rua, deixando inclusive alguns dos carrinhos por lá mesmo, na direção de casa, porque os primeiros acordes da abertura, editada pela globo junto a voz de apresentação do locutor, já ressoava em todas as casas pelo meio do caminho, naquilo que parece uma eternidade junto a ansiedade de se ter somente 7 anos de idade. De repente o mundo pára, vozes já não são ouvidas e a interação ocorre somente entre aquele aparelho transmissor de imagens, localizado na velha estante marrom que combinava com a mesa e cadeiras acolchoadas, e o menino de boca levemente aberta, hipnotizado e perdido dentro da imaginação de habitar o terceiro mundo (mesmo que a metáfora ainda não fosse compreendida...). O ritual dominical de acompanhar os maiores guerreiros do extinto planeta Thundera, o ritual de acompanhar os gatos do trovão, Os Thundercats.



Lembro-me como se fosse hoje a primeira vez que conferi o episódio piloto Exodus, reprisado pela globo uma única vez (total tortura para quem queria completar a coleção em VHS dos episódios gravados com o sacrifício de diversas ida ao Zoológico, parques e adjacências - sim, esse que vos fala já era nerd desde os 7 anos de idade...), com os personagens principais em trajes que os dava a impressão de estarem seminus, e os classificava enquanto meros habitantes do planeta, chamados até então de thunderianos. Tygra, Cheetara, Panthro, Willykit, Willykat e Snarf tinham sido os escolhidos para tornarem-se os tutores da linhagem real thunderiana, levando consigo Lion-o, sob o comando do maior dos guerreiros chamados Thundercats, Jaga. Os felinos enfrentam um abandono turbulento do planeta natal em frangalhos, com direito a ataques provindos de seus maiores inimigos durante a partida, os mutantes do planeta Plun-darr, viagem de anos em cápsulas de suspensão e o sacrifício de Jaga, até chegada no terceiro mundo, aquele que serviria de novo início para a avançada civilização Thunderiana, que tem enquanto símbolo de seu poder o Olho de Thundera, fonte de todo o poder dos guerreiros felinos e que encontra-se incrustado na famosa Espada Justiceira, arma dos maiores guerreiros da linhagem thunderiana, incluindo o "jedi" Jaga e, posteriormente, o futuro mestre dos Thundercats Lion-o. Os aliados são conseguidos com bastante suor pelos colonizadores, os Berbils são os primeiros a se socializarem com os colonos, ursos robóticos extremamente amigáveis que surgem como a salvação para o problema de subsistência e a natureza dócil dos amigos robóticos só auxilia. O mesmo não acontece com as amazonas das árvores, comandados pela rainha Willa, que hostilizam inicialmente nossos heróis antes de se aliarem ao grupo de maneira mais efetiva. Mas não só de aliados o terceiro mundo é povoado, além dos plundarianos (Escamoso, Abutre, Chacal e Simiano, essencialmente...), que os perseguem até o momento que aterrissam no planeta, eles encontram seu maior nêmesis: Mumm-ra, o Eterno. Estes se aliam de maneira a prejudicar ao máximo os guerreiros que lutavam pela Justiça, Verdade, Honra e Lealdade, arquitetando planos mirabolantes (ou não, quando se tratava de Simiano e Chacal) que prejudicavam, mas nunca conseguindo subverter efetivamente os heróis felinos.



Thundercats é de certo um dos desenhos de maiores referências nerds que já ocupou a tv mundial na década de 80. Ele consegue juntar, de maneira convincente, conceitos de Star Wars (quem é Jaga? e Obi Wan Kenobi?), Superman (O que são Krypton e Thundera?), Batman (cintos de utilidades em Willykit e Willykat? Bat-Sinal e olho de Thundera?), que não eram claramente identificados enquanto criança, mas que manteve o interesse desse nerd aqui a medida que ele crescia. O lance de exploradores e colonizadores que eles exercem é também bastante interessante, remetendo a exorcismos históricos em mundos de fantasia (quem não lembra do episódio em que seres em miniatura prendem Lion-o por causa da destruição causada pelos veículos a sua aldeia), criando uma dependência culposa e um interessante discurso sempre trazido pelo jovem líder, que inicialmente inexperiente se mostra bastante familiar com o cargo político, mas isso é uma análise que não cabe muito aqui (come on... huahauhauahua). A maior das referências citadas é de longe a presença de Jaga no auxilio ao chefe dos Thundercats, sempre quando necessário. É claro aqui o emprego do conceito de George Lucas de 1977, não só nas aparições do grande mestre guerreiro ao jovem Lion-o (semelhante ao de Obi-Wan para com o também jovem Luke), mas em todo o treinamento pelo qual o herdeiro do trono tem que passar, em diversos momentos, bem autodidata. Batman também se torna uma referência bem constante, mesmo que não de forma direta, os cintos de utilidades dos kittens se assemelham muito as parafernálias usadas pela dupla dinâmica na década de 60 (e não acho que o fato de aparecerem em dupla também seja uma coincidência), mas a maior de todas é claro o chamado liberado pelo olho de thundera, que é de uma idéia absurdamente idêntica ao bat-sinal usado sob as nuvens de Gotham por tantos anos. Como eu disse o desenho é nerd demais...








Os personagens são de interessantíssimos distribuídos de uma maneira única em suas qualidades e tentando ao máximo mostrar a diversidade de gêneros (bem politicamente correto) dentro do grupo. Lion-ose mostra o imperador em aprendizado, é o herói principal que se desenvolve em paralelo com a série, as qualidades vão sendo construídas e os aconselhamentos dados por Obi-Wan ao coração puro do guerreiro, não dá pra analisar muito. Tygra é o intelectual, o cara que lê, é culto, arquiteto (é dele o projeto da toca dos gatos) e, na minha humilde opinião, totalmente gay. Me desculpem os que não concordam, mas pra mim não dava pra entender como o Tygra estava sempre do lado da Cheetara e a coisa sempre parecia muito fraternal... não era da mesma forma que com Panthro ou Lion, mas como eu disse é um grupo de diversidades e é a MINHA humilde opinião. Sua arma era um chicote com uma ponta tripla composta por esferas, que quando usado para envolver o corpo do thundercat o torna invisível, bem eu poderia brincar com a metáfora, mas acho que já criei muita polêmica. Tygra é um excelente tático, o cérebro do grupo, que planeja e executa de maneira efetiva. Dá a entender que seria o segundo em comando e braço direito de Lion-o. Cheetara foi a única representante feminina adulta por muito tempo (antes da chegada de Pumyra) , era a sensitiva do grupo, exaltando a presença feminina necessária a qualquer sociedade. A guepardo do grupo é, logicamente, a velocista, talvez uma referência as mudanças que as mulheres passavam na época, indo trabalhar mais efetivamente e se desdobrando entre casa e filhos com a velocidade da luz, ehehehehe... Cheetara mostra sua sensibilidade frente a um sexto sentido desenvolvido em contato telepático com uma nave alienígena, expondo significativa o instinto maternal e feminino que tem em relação aos companheiros, em especial os kittens. Sua arma é um cajado expansivo, extremamente efetivo para uma velocista, e com segredinhos acrescidos pro Panthro posteriormente. Panthro era o braço forte do grupo, o executor. Sua qualidade de engenheiro rendeu todos os equipamentos terrestres e aéreos pilotados pelos felinos, bem como os constantes melhoramentos nas armas de luta corporal, uma vez que como visionário sempre via na surpresa uma maneira de vencer aos traiçoeiros inimigos que os cercavam. Panthro tinha um tom de paizão junto ao grupo, sendo sempre o conselheiro nesse plano para Lion-o e, muitas vezes, para os garotos. Wilykit e Wilykat eram os eternos paspalhos, os garotos viviam se metendo em encrencas por causa de suas brincadeiras e se comportavam como verdadeiras crianças, mesmo que tivessem uma idade bem próxima de Lion-o (até hoje, pra mim, nunca explicaram isso direito...). De qualquer forma eles eram as crianças do grupo, o símbolo pelo qual os adultos estavam lutando por. Os garotos simbolizavam a esperança e continuidade da espécie de Thunderianos. Snarf era o responsável pela diversão do grupo, mesmo assim enquanto babá de Lion-o, sempre foi o que mais impôs diretamente uma educação plena ao chefe dos Thundercats (enquanto adulto). Apesar de muitas vezes chato e soar como uma mãe velha, o único felino não-humanóide do grupo, se mostra necessário acima de todos, inclusive colocando sua vida em cheque pela de seu protegido inúmeras vezes. Snarf foi o responsável pela mais interessante linha de relacionamento do desenho, dedicando uma devoção inquestionável, sempre, mesmo quando quase tudo se mostrava muito acima de suas capacidades e perícias. Irreal? Totalmente. Mas ainda assim, extremamente interessante. Eu poderia falar aqui também da segunda geração de Thundercats que aparece no meio do desenho, seriam eles Lynx-o, Pumyra e Bengali, além de Snarfinho (sobrinho do Snarf que tinha mostrado seus bigodes em um desenho anterior), mas prefiro me ater aos clássicos, esses são parte da história, mas não fizeram história, pelo menos na minha opinião... ;-)



Durante a exibição de seus 130 episódios a série apresentou arcos e plotlines memoráveis. No meu caso, eu sempre fui fascinado pelo arco das provas de Consagração, que eleva Lion-o ao nível de Mestre dos Thundercats. O arco foi dividido em cinco episódios, onde o herdeiro de Claus deveria enfrentar uma série de tarefas diárias, culminando, ao fim de cada dia, uma batalha tática contra um dos seus companheiros de grupo. Assim vemos Lion-o numa sessão de lutas marciais com Panthro, muito bem desenhada por sinal, e com direito a música característica (sim, porque Pantho e Cheetara tinham músicas só deles... ehehehehe), numa corrida de 12km com Cheetara (ela só mantém a supervelocidade por 7km... só...), uma sacaneada básica dos kittens num labirinto bem escroto, numa descida pelos tubos da toca, em alta velocidade, competindo com Tygra, e, finalmente, derrotar seu maior inimigo de uma vez por todas em seu covil. Enfrenta Munn-ra no que deveria ser sua última batalha com o mumificado vilão, mas claro que enquanto o maior dos vilões da terceira terra, ele não iria deixar barato e ludibria até a morte. E pra vocês? Qual o melhor arco/estória?



Thundercats foi ao ar entre 1985 e 1990, distribuída pela rede Lorimar-Telepictures, adquirida pela WB anos depois. E foi um verdadeiro sucesso durante todos esses anos, produzindo incluindo similares (como o desenhos Silverhawks - exibido pelo SBT) e se reproduzindo em outras mídias, como uma série de quadrinhos publicada pela Marvel Comics entre 1985 e 1988 (mais tarde voltaria às bancas pelas mãos da Wildstorm de Jim Lee, agora da DC Comics). Na globo foi inicialmente exibido aos domingos às 11 horas, mudando para a sessão aventura, por volta das 17:30, anos depois... culminando por fazer parte do hall dos desenhos da Xuxa anos depois, mas pra mim não importava, eu só queria assistir de novo, mesmo com a falta de respeito da emissora.. Inúmeros projetos de cinema já serviram de boato na rede, inclusive uma produção do filme estrelada por Matthew McConaughey, Téa Leoni, Wesley Snipes e Ed Harris como Mumm-ra, mas infelizmente isso se mostrou somente um boato infundado. De qualquer maneira fica aqui registrado a força de uma idéia que deveria ter ganho os cinemas há muito tempo, mas que ainda não foi sensibilizou o bolso dos investidores e produtores. Quem sabe em alguns anos... Enquanto isso a gente mata a saudade nos Boomerangs (e SBT, arrrrrrrrrrrrrrgh) da vida e reza pra nenhum louco resolver fazer uma versão high-tech dos trovoados. Imagina ver um garoto de 13 anos gritando "Thundercats HOOOOOOO" e saindo da espada uma representação dos felinos atrás dos amigos dele??? Argh... quero nem pensar!!!!

Mais informações: http://en.wikipedia.org/wiki/Thundercats e http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_ThunderCats_episodes


"Thundercats around the world" - Música Tema


Segunda-feira, Novembro 13, 2006

:: Erik Magnus Lehnsherr 1:29 AM

Never Believe in Your Eyes...

Every great magic trick consists of three acts.
The first act is called "The Pledge";
The magician shows you something ordinary,
but of course... it probably isn't.




Aconselho a todos: olhem atentamente. Não, meus caros, não se baseiem somente nos seus olhos. Olhem. Como se significasse alguma coisa. Olhem. Como se houvesse a necessidade de se olhar além. Olhem. Prestem atenção nos movimentos das mãos, sim, sim... na expressão corporal. Ela é muito importante. Olhem. Pois na noite de hoje, seus olhos o enganarão. Mentirão para vocês sem o mínimo pudor, e ainda perguntando "what you're looking at?". Olhem. É exatamente esse tipo de olhar que mágicos deslumbram ao longo dos anos os olhares deslumbrados de uma platéia sedenta. Uma sede de segredos, que em geral são procurados em lugares muito menos inocentes que um alambrado circense, ou um palco ilusório. Os mágicos são os seres que clamam sempre flertar com o oculto. Eles se tornaram a ponte para o desconhecido, pelo simples fato de consiguirem enganar os nossos olhos de maneira tão eficiente que mesmo ao sabermos que aquilo não é, nem nunca será, real, o dano já está feito, eles nos preencheram com a dúvida, com o poder de seu segredo. É dessa forma que Christopher Nolan conduz sua maior obra até então (IMHO), e nos faz acreditar piamente que o segredo não importa, é a vontade de sermos enganados que nos fascina tanto, tudo isso dito em palavras, gestos e raios elétricos em O Grande Truque (título idiota...), ou The Prestige.

The second act is called "The Turn";
The magician makes his ordinary
some thing do something extraordinary.


Tecnicamente o filme é simplesmente fantástico, contando a história da amizade destruída por um trágico evento, trnsformado em uma rivalidade sem limites que mergulha de cabeça em obsessão. A camera de Nolan desfila pela história de maneira picotada à princípio, delineando eventos que se misturam num passado distante, num presente ambíguo e num futuro fantástico, na vida dos antagonistas. Dessa forma, os eventos ilustrados no início do filme são somente compreendidos próximo do seu final, mostrando todos os tons de cinza de seus personagens e saindo totalmente dos estereótipos de herói e vilão. Ambos são homens atormentados e, sem dúvidas, obsecados pelo desejo de superação de um em relação ao outro. Com isso uma complexa linha narrativa é trabalhada, determinando que não cabe ao contador da história condenar nenhum dos protagonistas, cada um recebe o castigo como influência direta e antagônica do ato de ataque de seu oponente, para a descoberta dos segredos em questão. Um jogo inicialmente simples, que se torna complexo de se levar a cada tomada, procura se fazer entender em cada uma das mentes envolvidas. Nolan também trabalha de forma espetacular o "ato do mágico" no filme, incitando à platéia a curiosidade para com cada um dos segredos (sejam eles mágicos ou não). Alguns são simples e de fácil solução, que não se fazem escondidos pelo diretor, ele deixa tudo à mostra, fazendo verdadeira a frase final do filme, que afirma que nós quem queremos ser enganados. Um trabalho de gênio, sem dúvidas, no conjunto entre roteiro, direção e direção de arte.

Now if you're looking for the secret...
you won't find it,
that's why there's
a third act called, "The Prestige"




De maneira semelhante as atuações não ficam nada a desejar, mas aqui o show é realmente de Hugh Jackman. O nosso querido Wolverine dá a terceira dimensão necessária a seu Rupert Angier, um homem que vive anos em sua obsessão de superação, e que constantemente se sabota preso a um evento do passado. O terceiro e último ato do filme mostra isso de perto, até onde sua obsessão chega, com a perda da identidade de seu personagem constatada no mais cruel e fantástico exercício de metalinguagem do ano para o cinema. Christian Bale divide os créditos, mas é obscurecido pela atuação expansiva de Jackman, sua função, enquanto personagem é se manter discreto e obscuro, uma vez que em seus atos estão as chaves de vários dos segredos da história. Michael Caine também se mostra igualmente grandioso, a personalidade entregue ao engenheiro Cutter segue a linha dos fiéis escudeiros que tem interpretado nos últimos anos (desde The Cider House Rules, até o mais recente Batman Begins...), a virada sofrida por este personagem é igualmente soberba. Scarlett Johansson se mostra igualmente competente, mesmo que sua participação seja bem pequena. Mas quem rouba realmente as poucas cenas em que aparece é David Bowie em sua encarnação do físico Nikola Tesla, descobridor da corrente alternada, que foi o pivô de toda distribuição de energia mundial, bem como seus principais personagens (televisão por exemplo). É impressionante a veracidade com que Bowie interpreta, de forma contida, mas extraordinária...

This is the part with the twists and turns,
where lives hang in the balance,
and you see something shocking
you've never seen before.


Dirigido enquanto blockbuster, mas de forma espetacularmente fantástica, o filme de Nolan é de certo um dos melhores do ano. A opção de prezar pelo clima engenhoso por trás da mágica convencional, com uma lenta evolução para o fantástico, foi não só acertada como nos dá uma veracidade sem precedentes. Fica claro ao final do filme o porque das palavras de Sir. Michael Caine fazerem tanto sentido, o porque da ironia que o quê o espectador realmente busca nesse espetáculo não é a mágica em si (sabemos que aquilo não é verdade em momento algum...) e sim pelo prazer de nos sentirmos ludibriados, enganados e desafiados. O segredo realmente não importa, tanto que quando se descobre o que ele realmente significa é tudo tão simples e óbvio, o que importa realmente é a dúvida... e nisso a película é muito mais que eficiente. Chris consegue conduzir grandes astros em atuações estupendas, numa direção coesa e muitíssimo acima da média e nos diz que existe vida inteligente em Hollywood, inclusive fazendo pretensos blockbusters. Diversão para os olhos e o cérebro, não importando enquanto os olhos se permitam ser enganados.

"Abracadabra" - Alfred Boden de Christian Bale




The Once and Future King...


I Just Heard That...



Balance of the Week




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