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Terça-feira, Agosto 31, 2004
Redescobertas...
Enquanto não tenho tempo para terminar a resenha sobre Fahrenheit 9/11, ou qualquer dos outros trocentos filmes que assisti nas duas últimas semanas (shame on me...), vou enchendo linguiça e mantendo a promessa de não espaçar muito os posts que coloco aqui no smells. Esse fim de semana, um grande amigo uniu-se ao clã dos "brasileiros que invadiram Basel". Chico, um dos meus grandes amigos de faculdade que se tornou um dos poucos a adentrar o seleto grupo de "melhores amigos" dessa pessoa que vos fala, chegou no último sábado depois de quase três dias viajando (a air france pode ser massa, mas ô povo complicado). Tava rolando um tipo de "festa brasileira" no centro de Basel (traduzam como: brasileiros sem noção se juntam com europeus que querem ser brasileiros) e levamos ele pra lá, caminhamos por vinte minutos, vimos como estava e voltamos pra casa, que no momento pareceu a coisa mais sã a fazer. De qualquer forma, o cara chegou trazendo umas encomendas (coisas que mãe, avó, papagaio e o zé da venda, aproveitam para enviar), e no meio de camisas do Brasil e mochilas estavam os meus amados e preciosos cds (que tinha deixado em Recife de bobeira...). Putz, foi ótimo relembrar algumas das músicas que não escutava a meses... me sinto musicalmente revitalizado (mesmo tendo comprado dois dias antes o American Life da Madonna, a coisa ainda não tinha engrenado), escutando o emaranhado de canções que rolam nos cds que gravei que vai de Nickelback até Pink Floyd, passando por Yes (owner for a lonelly heart...), Nicole Kidman (a kiss on the hand...) e Nirvana (you know you're riiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiight...).
Agora, que consegui recuperar minha identidade musical (sem piadinhas e trocadilhos), posso avançar em novos procedimentos. Como abrir caminho para o som de algumas bandas locais (tá certo que é tudo em alemão, mas a vacina já veio). Ramestein na veiaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa... E só pra não ficar na sensação de vazio
How You Remind Me
Nickelback
Never made it as a wise man
I couldn't cut it as a poor man stealing
Tired of living like a blind man
I'm sick of sight without a sense of feeling
And this is how you remind me
This is how you remind me
This is how you remind me
Of what I really am
This is how you remind me
Of what I really am
It's not like you to say sorry
I was waiting on a different story
This time I'm mistaken
for handing you a heart worth breaking
and I've been wrong, i've been down,
been to the bottom of every bottle
these five words in my head
scream "are we having fun yet?"
yeah, yeah, yeah, no, no
yeah, yeah, yeah, no, no
it's not like you didn't know that
I said I love you and I swear I still do
And it must have been so bad
Cause living with me must have damn near killed you
And this is how, you remind me
Of what I really am
This is how, you remind me
Of what I really am
It's not like you to say sorry
I was waiting on a different story
This time I'm mistaken
for handing you a heart worth breaking
and I've been wrong, i've been down,
been to the bottom of every bottle
these five words in my head
scream "are we having fun yet?"
yet, yet, yet, no, no
yet, yet, yet, no, no
yet, yet, yet, no, no
yet, yet, yet, no, no
Never made it as a wise man
I couldn't cut it as a poor man stealing
And this is how you remind me
This is how you remind me
This is how you remind me
Of what i really am
This is how you remind me
Of what i really am
It's not like you to say sorry
I was waiting on a different story
This time I'm mistaken
for handing you a heart worth breaking
and I've been wrong, i've been down,
been to the bottom of every bottle
these five words in my head
scream "are we having fun yet?"
yet, yet
are we having fun yet [3x]
" This five words in my head..." - Nickelback, é pop mas eu gostio
Quinta-feira, Agosto 26, 2004
The book is on the table... (and was made to be followed)
Não há como negar, a mulher aí em cima é um ícone pop. Cheia de controvérsias ao redor de sua carreira e vida pessoal, Britney Spears conseguiu vender uma carradas de discos, colocar um filme (em que foi a estrela) na praça e ainda se mostra com uma coisa que gente como Sean Connery levou anos para conseguir: Uma estrela na calçada da fama. Mas assistindo o filme do Michael Moore, e ela só aparece por dez segundos, consegui concluir minhas teorias sobre a not a girl not yet a woman. Vamos a elas:
1) Britney Spears definitivamente não pensa, mas com o dinheiro que tem foi capaz de comprar um monte de cérebros auxiliares que conseguem manter sua carreira estável e na mídia sempre (méritos de sua mãe, inclusive), isso sem contar com a síndrome de high scholl que ela tem, mas eu comento isso depois.
2) Sim, ela é gostosa!!! Podem falar que os peitos são siliconados, que elas de vez enquando está "definida demais", que ela tem essa ou aquela celulite... não interessa, venham com essa conversa quando ela estiver velha e pelancuda... o que nos leva a outro tópico.
3) Como ela não pensa, e não precisa porque é gostosa (comentário totalmente chauvinista, mas em tom de piada - não fiquem irritadas garotas), ela tem que basear sua vida na de outra celebridade que sempre admirou e tem como exemplo de vida, tanto pessoal quanto profissional. Seu exemplo? Claro que a Madonna, mas pra não dar tão na cara ela vem pulando alguns pontos e relocando outros, são eles: ela já foi casada (mesmo que por três segundos) e a "ídola" também; decidiu que pode estar grávida por esses dias, antecipado, ela deveria estar nesse estado somente daqui a 15 anos, depois que fizesse um clipe com um santo negro e queimando cruzes(chocando a igreja), um filme sobre sua turnê mundial, um livro pornô escroto e ganhasse a crítica com um cd de músicas introspectivas e cheias de tecno-"pra que isso". Mas como eu já disse antes ela não pensa, e o pior é que pensa que pode pensar pela cabeça da Madonna (confuso? espera que tem mais).
4) Tô descendo a lenha na mulher, apesar de ter chamado ela de gostosa, mas todo mundo (infelizmente?!?) tem um ponto do passado que reflete em uma música da Britney Spears. Duvido que alguém aqui já não tenha se pegado cantarolando uma música dela, assistindo os clipes e se perguntando se aquilo tudo é mesmo produto do silicone, ou ao menos lendo uma revista e lembrando: "ah, essa é aquela que beijou a Madonna na boca um dia desses"... Não há como se esconder, é uma praga que todo mundo pegou. Eu mesmo tenho uma versão gravada (revelações negras...) com uma amiga de Baby, One More Time... vergonhoso? pode ser, mas está feito e foi massa no momento.
5) Toda essa lenha, veio simplesmente por causa de uma frase que ela falou em Fahrenheit 9/11, os flamigerados 5 segundos de aparição: "I think we shou, trust our president. He do the best for our contry"... Isso com um cabelinho e cara de "sou uma retardada" não funciona como algo dito por um ser pensante, principalmente com um mínimo de senso político (se ela não pensa como pode ter isso??? eu sou muito otário), fiquei revoltado, principalmente pelo que eu já tinha formado sobre o George "cachorro louco" Bush, e ela pagou o pato.
Desculpem os fãs da pobre criatura descrita aqui... Vocês tem razão, ela não pensa, mas tem milhões de dolares em caixa enquanto eu conto minhas migalhas para viver e sobreviver. Talvez eu faça do restante da minha vida algo espelhado na Britney, entrando primeiro para o cast do Clube do Mickey, depois de alguns anos me lançando como cantor, pregando virgindade (yeah, right), tirando as roupas aos poucos em cada clipe que eu faço e atingindo o auge, beijando a Madonna... Adorei a vida da Britney Spears, acho que na verdade eu sou é fã dela... ou não.
" My lonellyness is killing me" - Baby, one more time by Britney
Quarta-feira, Agosto 25, 2004
Tenho dois posts engatilhados, que vou tentar colocar hoje aqui (mas acho que dificilmente vou conseguir...), um é sobre o Fahrenheit 9/11, mas of course, e o outro está diretamente conectado ao filme e a um post colocado no bem vindo a casa de bonecas, sobre uma garota do show biz... acho que todos sabem quem é, mas fica a dica que the taste of her lips are toxic... O motivo de eu não ter acabado os posts é que hoje me dediquei a enviar mails para pessoas que amo, amigos (novos e velhos) que continuam (momento pieguice) no coração... uns com problemas de combraças sérias, outros fazendo aniversários e outros que ficam elogiando minha bem delineada barriguinha, mas isso fica para uma outra ocasião...
" Hate say I told you so..." - The Hives
Terça-feira, Agosto 24, 2004
Como sempre apelamos para verdades populares...(ou frases que traduzem meu espírito pós-Fahrenheit)
"Cabelo ruim é igual a bandido... ou tá preso ou ta armado!!!
"Os políticos são como as fraldas. Devem ser trocados constantemente. E sempre pelo mesmo motivo."
"Mal por mal, prefiro o de Alzheimer ao de Parkinson. É melhor esquecer de pagar a cerveja do que derrubar tudo no chão".
Meia Idade: É a altura da vida em que o trabalho já não dá prazer e o prazer começa a dar trabalho !!!
"Mulher feia é que nem muro alto, primeiro dá um medo..., mas depois a gente acaba trepando."
"Marido é igual a menstruação: Quando chega, incomoda; Quando atrasa, preocupa"
"Homem é como vassoura: sem o pau não serve pra nada."
"Chifre é igual a consórcio: quando você menos espera, é contemplado."
"Pinto educado é aquele que se levanta pra você sentar. "
"Mulher feia é igual a ventania, só quebra galho."
" Mulher de amigo meu é igual cebola... Eu choro mas como. "
"Sexo é igual vestibular, não importa a posição, o importante é estar dentro!"
"As vegetarianas não gritam quando têm um orgasmo, porque não querem admitir que um pedaço de carne lhes dá prazer...".
"Mulher é igual pênalti mal batido: Um chuta, outro pega"
"Tamanho não é documento. Dinheiro não traz felicidade."
(Acho que, quem inventou essa merda era pobre e tinha pinto pequeno!...)
"Se chefe fosse arquivo teria a extensão .FDP"
'Feliz é o dono de sex shop, que pode dizer: "Pegue suas coisas e vá se f.....!"
E o cliente ainda sai todo feliz.'
"Rio de Janeiro !!!!!! O mar é azul, o Jardim Botânico é verde, a governadora é Rosinha, o comando é vermelho e a coisa tá preta."
"Ironia do destino é quando um jardineiro tem um filho florzinha e uma filha trepadeira..."
"Casamento que começa em motel , termina em "pensão"!
"Não dê risada de tudo, porque quem acha tudo gozado é faxineira de motel"
"Homem é igual a caixa de isopor: é só encher de cerveja que você leva pra qualquer lugar."
"A diferença entre a mulher e o homem????
A mulher está sempre pronta para o que der e vier e o homem está sempre pronto para quem vier e der."
Acharam baixo nível??? Eu também, mas eu saí tão revoltado ontem do filme, chamando o Ramsfield de Asshole pra baixo, que eu precisava dar uma risada, mesmo de nível duvidoso... A discussão política fica para assim que eu tiver mais tempo livre, agora o relógio tilinta...
"E quem é que vai pagar por isso?" - Lobão
Segunda-feira, Agosto 23, 2004
Novidades Basilísticas (ou Scream, baby, scream...)
Não é novidade pra ninguém que Basel é meio cidade do interior... vidinha mais ou menos, com vida social noturna quase inexistente e bilhetinhos na sua caixa de correio pedindo para que a descarga seja evitada depois das dez da noite. Mas, sempre tem algo para movimetar a vida do pacato cidadão brasileiro que nela reside... Vou tentar dar um resumão dos últimos finais de semana...
1) Strasbourg - Fui antes até de Paris, mas falta de tempo, e outras cositas mais, evitaram que eu relatasse algo sobre a sede da comunidade Européia antes... É muito linda a cidade, e como fomos num dia de sábado ela estava agitada, movimentada, com gente vendendo coisas na rua e gritando... Aquele som me lembrou Recife de uma maneira incontestável... me senti em casa, hehehehehehehe. Um dia não é o suficiente para andar pela cidade, preciso de mais um (que será em setembro...), mas o passeio de barco pelos canais foi bastante ilustrativo. A gastronomia francesa dispensa apresentações e ter amigos por perto só ajuda!!!! Muito bom, e acho que é por isso que eu quero voltar (eu nem mencionei que achei a coleção de dvds de Caverna do Dragão, Thundercats e He-Man... depois eu aprofundo isso).
2) Descobri o paraíso das locadoras, com filmes da região 1 (USA, Canadá...) que ainda nem chegaram por aqui!!!!!! Muito massa, já vi nessa historinha Duplex, Girl with the Pearl Earing, Something's Gotta Give, The Cooler... De resto é ter a força de vontade de pagar 8 francos a locação... Mas pra doentes que nem eu, quem liga? Por falar em filmes, meus últimos dois fins de semanas foram dedicados a eles, assisti uma carrada e foi libertador, me senti nos velhos, e aureos, tempos da tv a cabo, hehehehehehehe. Pelo menos parei de comprar mais, mês passado só foram 2...
3) Outra novidade é que agora estou para ter insônia nos domingos... Venho trabalhar com os olhos vermelhos e com um mal humor terrível (inclusive nesse momento em que digito), vou tomar uma providência e compra um vinho para os domingos, pelo menos álcool tem esse efeito comigo e nada melhor que aproveitar, um dedo de vinho basta pra eu capotar, no próximo fim de semana eu começo... E a razão da insônia? eu nem sei, mas deve ser pq nos últimos dois finais de semana eu dormi como um condenado (é muito bom) e a falta de costume dá nisso. O pior são os sonhos quebrados, sem sentido, e sem nenhum saco pra aturá-los depois que acordo... saco, mas a terapia vem aí.
4) Chega de novidade que eu tenho que trabalhar, como prometi no flog, vou tentar atualizar ao máximo essas webpages (esse negócio de estar escrevendo uma vez por semana, já está dando no meu saco), amanhã eu coloco outro post, quem sabe com os filmes que eu vi atualmente... E que venha o Farenheit 9/11!!!!
" Contra todos e contra ninguém..." - Música Urbana by Capital Inicial
Quinta-feira, Agosto 19, 2004
O que é o amor, senão um amontoado de memórias que não estão no cérebro?
Romantismo. Palavra, e ato, que caiu em desuso atualmente. Muitos acham demodê (vocabulário arcaico esse meu...), outros nem sabem que existem, mas acho que o pior são aqueles que acham que ele já não tem mais lugar no mundo de hoje. Confesso a vocês que não sou o ser mais romântico do mundo, sou desligado e prático demais para ser um romântico nato, mas para todo coração que bate, acho de uma necessidade máxima que as atenções se remetam a ele de tempos em tempos, como uma lavagem da alma, ou a necessidade de se sentir humano novamente. Qualquer que seja o relacionamento, precisa de um certo toque desse que soa até brega tamanha a falta de intimidade que temos atualmente. Aquelas surpresas agradáveis que fazemos, com presentinho significativos ou até mesmo aquela visita surpresa que ninguém esperava, mas que gera um sentimento de bem querer muito bom. Tanto que todas as diferenças (o que são relacionamentos sem elas?) são postas de lado, por maiores que sejam, para dar espaço a essa injeção de vida nova que o sentimento recebe.
É engraçado como todas essas etapas de um relacionamento, entre similaridades e diferenças, são dissecadas de maneira magistral pelo mais novo roteiro de Charlie Kauffman, em Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças. Não me entendam mal, e saibam que, a loucura do roteirista de Quero Ser John Malkovich, Confissões de Uma Mente Perigosa e Adaptação continua lá, mas cheia de simbolismos para traduzir as sutis conexões de um casal que passou por todas as fases de um relacionamento, e no momento encontram-se na pior delas que é a separação. O processo, que consiste em apagar memórias (espinha dorsal que costura a história e conecta todos os personagens), nada mais é do que um pedido de ajuda para o "se pudesse voltar e fazer algo diferente". Não sei se o roteirista encontrava-se exatamente nesse momento de sua vida (um fim de relacionamento) ao escrever o roteiro, mas acho muito difícil alguém que não o tenha vivido escrever algo que soe tão verdadeiro (valendo a pena salientar que em Adaptação, por exemplo, o roteiro surgiu da própria incapacidade do roteirista de adaptar um livro, que realmente existe). Muitas são as análise cabíveis ao que Kaufman mostra nos diálogos, no que significa perder cada uma das lembranças e de como o personagem principal se recusa a eliminá-las. É um jogo de gato magnífico dentro de uma mente cheia de arrependimentos, inclusive do último ato que está cuminando na eliminação de cada um dos previous mistakes, mas que nos fazem crescer e aprender, por mais duros que pareçam no momento (bullshit? maybe...).
A atuação de Jim Carey está excelente, e é pessoalmente incrível como ele passou do mais perfeito idiota para um ator respeitável (pelo menos pra mim) nos últimos anos. Achava o cara um perfeito perdedor, que seria esquecido em poucos anos, até assitir a O Show de Truman de Peter Weir, depois disso ele só cresceu no conceito partindo de ator de sorte em um filme (o próprio Truman's Show), para sortudo no segundo (Man on the Moon), passando para quem sabe ele não sabe atuar (Magestic, que não é lá grande coisa na minha opinião) e, finalmente, ganhando o status de esse cara é um ator com esse filme. Careteiro ele sempre vai ser, e de tempos em tempos terá que fazer comédias para exercitar seus músculos faciais, mas seu introvertido, fechado e contido Joel Barish ganhou muito mais que o meu respeito... ganhou minha admiração. Kate Winslet também dá conta do recado, estando sempre acima da média em suas atuações, sua escolha foi perfeita para o papel, passando uma veracidade inacreditável a sua "mudo de opinião como de cor de cabelo" Clementine Kruczynski. O casal funciona de maneira sensível, com uma química espetacular (a cena em que ele se encontra embaixo da mesa e ela conversa com ele é antológica). O grupo de suporte também não decepciona, com destaque para Tom Wilkinson (Ou Tudo ou Nada, In the Bedroom) que consegue se fazer brilhar com um personagem de pouco destaque. Kirsten Dunst, consegue retirar sua imagem de Mary Jane, mas ainda não consegue captar a profundidade que a personagem necessitaria... Não soa falso, mas ainda sim fica próximo da superficie. E Elijar Wood e Mark Ruffalo não comprometem, mas também não se destacam (o segundo menos ainda que o primeiro), sendo meros peões do jogo mental de xadrez que, mesmo indiretamente, envolve a todos.
Tecnicamente o filme me decepcionou um pouco, acho que a mente humana é complexa o suficiente para dar margem a um trabalho que envolva menos jogo de luz e de câmera e mais uns efeitos especiais sutis. Chega até a funcionar o modo como o diretor Michel Gondry evolui tudo dentro da cabeça de Barish, mas confesso que em muitas situações as imagens ficaram forçadas, por mais que ele tenha tentado passar o sentimento negro que envolve o apagar das memórias. Acho que as mudanças de ambiente, personagens, enfim de tudo, poderia ter sido feito com um auxilio do computador, sem parecer que todos estariam em Wonderland (bem essa é minh opinião que em nada tira o brilho do filme). O trabalho do Gondry na verdade é difícil, pois filmar o complexo roteiro do Kaufman deve ter dado uma baita dor de cabeça no cara, mas ele conseguiu captar todo o sentimento dos diálogos e passar uma verdade estarrecedora em cada uma das cenas, sendo elas reais ou não, destacando seu desempenho. Não foi um trabalho brilhante, mas ele se faz ser notado. A trilha sonora é interessante também, mesmo que um pouco melancólica e o trabalho de figurino e direção de arte, fizeram o impossível dentro da realidade do filme (confesso que acredito no baixíssimo orçamento da película), nada que chame a atenção da academia, mas que certamente, também, se faz notar.
Eternal Sunshine é, de longe, o melhor filme que eu vi esse ano. Posso estar mordendo minha língua e estar esquecendo algum notável trabalho cinematográfico, mas se ele fosse tão notável assim estaria na minha cabeça até agora como este, que já consta na minha lista de dvds compráveis. O revival que ele te trás, junto a melancolia e saudades de um relacionamento terminado, de como seria interessante apagar as memória ruins ao mesmo tempo que nos lembra o desastre que isso seria para nosso crescimento pessoal, e de como um verdadeiro amor continua em nossos corações não importando o número de memória apagadas, retiradas, com amnésia ou o que seja. Um filme romântico que escapa, sutilmente, do clichê de ser brega ou simplesmente mais um. Talvez pegando o vácuo aberto por Sofia Coppola e seu Lost in Translation, mas quem liga se esse na verdade o que esse vácuo faz é arregaçar nossos corações e expor nossos sentimentos de tal maneira que nenhum filme de Meg Ryan jamais conseguiu. Se estou sendo brega? Talvez. Mas quem que se considere um mínimo romântico já não o foi um dia...
" Constantly talking isn't necessarily communicating" - Joel em cena do filme para Clementine
Quinta-feira, Agosto 12, 2004
A Olinda do velho mundo
Bem não é exatamente Olinda... na verdade passa bem longe... Resumindo, o título foi só para chamar a atenção, mesmo assim é impossível não associar o clima em Zurique do fim de semana passado com o carnaval brasileiro... eles tentam, mas estão a anos luz de distância. Enquanto que na terrinha o Carnaval é um coisa mais cultural, aqui temos uma desculpa para todo mundo se embebedar e andar nú pela cidade (não que no Brasil isso não aconteça), mas mesmo assim FOI MASSA!!!!
Gosto muito de tecno-music, não sou adorador, mas o rítmo é mais que interessante e serve (muito) para balançar o corpo e espantar umas bruxas que ficam escoradas (antes que as piadas surjam, falei retóricamente e não me refiro a nenhuma louca no meu pé). E o clima multidão na rua, gostando do do som dos caminhões (pais dos trios elétricos, hehehehehe) e do pessoal que fica dançando em cima (achando que estão arrasando!!!) é muito bom. Mas não se enganem, não só de tecno vive a street parade, nas ruas é muito comum ter algumas bandas (tios distântes das troças de Olinda), tocando outros ritmos como Hip Hop, R&B, a antiga dance music e inclusive uma tocando samba (que eu aproveitei ao máximo para mostrar que era brasileiro). Explosão de alegria, musicalmente falando, em mais de 24 horas de festa.
Em relação as pessoas, vou dar um exemplo em mim mesmo, fui de camiseta, bermuda, tênis e boné (roupa mais que comum para quem brinca carnaval) e ao chegar lá me senti um extraterrestre, pois os cabelos estavam de todas as cores, que não as convencionais, as roupas (quando existiam, pois pintar o corpo era uma opção) totalmente high-tech e o povo, eu não vou nem comentar. Apesar de não ser um movimento gay, estritamente falando, o evento está ligado ao movimento (já estou ouvindo as greas) e a presença, desinibida, de seus representantes estava marcando presença na forma de casais (bastante a vontade e sem a necessidade de chocar ninguém) de bichas-loucas, drag-queens e travestis (que pensavam estar no jardim do Éden). Cada um tinha o seu papel por lá, seja para apoiar o movimento, seja para brincar com todos os não "entendidos" presentes, o ineressante é que tudo isso contribuiu para tornar o clima mais leve, sem, em nenhum momento, torná-lo agressivo.
Fiquei um tempo curtinho (das 2 da tarde às 8 da noite), mas valeu muito a pena. Dancei muito, brinquei muito, tirei muita onda e voltei pra casa exausto (fica nisso, vocês estão sabendo demais do que eu ando fazendo). Valeu e se acontecer de eu estar aqui ano que vem... Já serei "figurinha tarimbada" do evento (cara Marianne vai me tirar o couro com esse vocabulário...).
" Biiiicha, tu foi né?" - Marianne no msn quando eu falei do street parade com ela essa semana
Terça-feira, Agosto 10, 2004
Eu tinha acabado de escrever um post do Street Parede de Zurich, mas o Blogger, como sempre, apagou tudo e eu esqueci de copiar... Tava uma merda mesmo, então não tem nem porque lamentar, assim que der eu coloco o relato desse evento e a resenha de Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, que é SENSACIONAL!!!!!
"Hoje não tem frase, não estou com criatividade nem pra isso" - by Kelnner e constava no post perdido
Sexta-feira, Agosto 06, 2004
"Sempre teremos Paris" (ou Parlez-vous Anglais?)
We'll always have Paris. We didn't have, we, we lost it until you came to Casablanca. We got it back last night. Esse texto dito por Humphrey Bogart em Casablanca é perfeita. Dá toda a atmosfera de amor e angústia que o casal vivido pelo próprio e por Ingrid Bergman no momento em que tem que se separar mais uma vez, sempre com a lembrança do amor inesquecível na velha Paris (o cara que escreve aqui no Smells também tem um coração, hehehehehe). É interessante como essa frase, tão copiada e homenageada em tantos outros filmes, ganham conotações tão mais intensas depois que se respira, que se vive Paris, mesmo que por quatro dias... Confesso, o que pode até parecer um exagero, que somente agora, após esses quatro dias inesquecíveis, entendi realmente o significado da expressão do famoso filme de 1942.
Mas deixando a estrutura romantica de lado, o fim de semana prolongado foi perfeito!!! Começamos dando uma volta pela cidade, na sexta a tarde. Visitando lugares como a catedral de Notredame, o bairro latino, a estátua de Joana D'arc em frente ao hotel Regina e caminhando pela mais cara avenida de Paris, a Champs Élysées. É perfeito lá e as duas horas que passamos não foi suficente para fazer um apanhado de toda aquela grandiosidade!!!! No sábado, levantamos cedo, havia muita coisa pra ver e pouco tempo!!! Começamos com o Castelo de Versailles, que ficava mais afastado e seria mais interessante ver pela manhã, quando não tinha muita gente. Os quartos dos antigos reis da França são de deixar os olhos de qualquer um brilhando... Todo aquele exagero da realeza do século 16 estava lá, presente inclusive nas belíssimas pinturas que decoravam os quartos e câmaras do imenso castelo. Mas nada se compara ao seu jardim... Não há palavras para descrevê-lo por isso aceitem o meu "é perfeito!!!". Em seguida fomos para o maior símbolo da cidade, e porque não dizer de toda a França, a Torre Eiffel. Como disse no flog, é incrível como uma estrutura de metal tão fria ganha uma conotação tão poética no meio daquela cidade... a harmonia do entrelaçar do metal, com direito aos maiores nomes da França inscritos (de Coulomb a Renoir), e o modo como tudo se torna mais sentimental a medida que se sobe... é único, é uma experiência única. Ver a belíssima Paris lá de cima é um colírio aos olhos, observar o Trocadéro ou até mesmo a Escola Militar, é de deixar qualquer um maravilhado...
Saindo da Torre, seguimos para conhecer o bairro mais avançado da cidade: La Défense. Os prédios, a arquitetura, as lojas, magazines e cinemas (inclusive um IMAX) é tudo grandioso... Fui numa loja que o sonho dos nerds, a fnac, vocês não tem noção da quantidade de cds, livros, mangás, dvds e jogos para computador que tem por lá, se não tivesse tanta coisa pra ver, certamente teria ficado por lá mais umas 3 horas e saido sem um tostão furado. Saimos dali direto para o bairro de Montmartre para conhecer o famoso Moulin Rouge!!! O clube não tem mais a função de apresentar cortesãs a homens poderosos, mas somente pessoas de poder aquisitivo alto adentram a casa de show, para assistir aos seus ousados espetáculos, com mulheres lindíssimas. Saindo do antro de perdição fomos conhecer o famoso Sacre Coeur, é outra imagem capaz de deixar os olhos do mais duro coração, cheio de lágrimas. O próximo passo foi visitar o Arco do Triunfo, belíssimo também, e localizado no final da Champs Élysées... Caminhamos rapidamente por essa avenida novamente para encontrarmos a Praça da Concórdia, com seu artefato egípcio no centro e entre dois outros grandes pontos da cidade a Catedral Magdalene, que infelizmente estava fechada em recuperação, e Parlamento, que exibia a mais nova imagem da mulher parisiense em um desenho ganho em um concurso, bastante bonito por sinal. Em seguida fechamos o dia visitando o Jardim de Luxemburgo. Acho que não é tão bonito quanto o de Versailles, mas está no mesmo nível, com certeza... É magnífico tudo ao seu redor... Inclusive o castelo que é bem mais simples que o do jardim concorrente, mas ainda sim de deixar bocas abertas...
No domingo foi o dia de visitar museus (aproveitando que a entrada era de "grátis", em cada primeiro domingo do mês é assim). O primeiro, obviamente, foi o Louvre, que nem chegamos a conhecer todo, pelo curto tempo que passamos em seu interior: 4 horas. Pelo menos pudemos contemplar as pinturas renascentistas (perfeitas) e esculturas da cultura egípcia, grega e do antigo oriente médio. Três obras se destacam aqui... A Vênus de Milo que é ainda mais impressionante quando vista a menos de dois metros de distância, não dá pra descrever o que se sente vendo a ela ou A Monalisa de Da Vinci. Não se dá nada pela pintura, que deve ter dimensões de 60x40cm, mas analisando melhor, vendo de perto, verificando o sorriso enigmático e os olhos que te acompanham em toda a sala... Só se imagina como um homem pode conceber tal obra. A terceira é a escultura da Vitória, feita na Grécia antiga (espero não estar dando muitos furos históricos)... Foi a única imagem que tirei uma foto junto. Na sequência fomos para o Museu D'Orsay, que guarda as obras dos grandes artistas impressionistas, como Van Gogh, Renoir, Cézane e muitos outros. Vimos esse museu, contruido originalmente como uma estação de trem (preservando o seu formato até hoje), com mais calma e de maneira mais analítica... As esculturas lá presentes também são impressionantes, em especial as localizadas no hall principal do museu... fantástico. Saindo do D'Orsay, isso já eram mais de 3:30 da tarde, só tinhamos mais um museu a escolher (eles fecham as 18:00 na cidade), e decidimos ir ao de Pablo Picasso. Acompanhar a evoluução do pintor em suas obras, foi fenomenal, é incrível como se pode ver a influência de fases posteriores ainda em obras mais antigas, foi uma excelente escolha, mas que nos deixou ver somente a estrutura externa no Museu de Arte Moderna - Centre Pompirou. Esse prédio tem de curioso ter todos os canos por fora de sua estrutura, dando uma excelente obra de arquitetura, é bastante curioso, mas só tenho isso a informar sobre ele :-(. E para finalizar a noite e o turismo do domingo, voltamos ao Trocadéro e vimos o show de luzes, novamente da torre eiffel... Fiquei quase 10 minutos conversando sobre a beleza daquilo com uma coreana (cujo o nome não colocarei aqui por medo de errar mesmo), muito lindinha, e sobre o que estava rolando naquele fim de semana
Na segunda pela manhã, nosso trem saia as 3 da tarde, cada um de nós escolheu fazer uma coisa diferente... Eu voltei, como consumista convicto, para a Champs Élysées para dar uma olhada em mais algumas lojas, nos cinemas e ver se realmente dava pra comprar alguma coisa... Acabei não levando nada, pois achei os preços extremamente caros, mas foi muito legal entrar na loja da Disney, visitar outra fnac, entrar na super-loja da Virgin e conferir os guias de filmes das décadas de 50 até a passada (isso sem falar no guia de 2004) - muito pho*%, conhecer uma loja high-tech da Renaut e outra da Mercedes, e isso sem contar nas lojas de roupas e perfumes que são a mão pesada da avenida... Saí correndo, sem comer nada, atrasado e quase perco o trem... me alimentei por quase 3 horas (quando o carinha que vendo comida no trem finalmente chegou) somente das lembranças dessa, que certamente, foi a mais bela, e intensa, cidade que visitei até agora aqui na Europa... Me disse naquele momento "Agora, eu sempre terei Paris".
" She
May be the face I can't forget
A trace of pleasure or regret
May be my treasure or the price I have to pay" - She by Charles Aznavour
Esse é aquele que não deve ser nomeado
O quarto filme da franquia Harry Potter já o principal vilão (quase) escalado. Lord Voldermort será vivido na tela grande por ninguém menos que Ralph Fiennes. O contrato está quase assinado, falta resolver pendências sobre as continuações, já que a Warner quer garantir Fiennes nos filmes seguintes, muitas fontes já dão como certa a presença do ator em O Cálice de Fogo, próximo filme da franquia baseado no quarto livro da série do menino bruxo. Cruzem os dedos, pois esse aí como Voldermort garante um final de filme pra ningu'em botar defeito.
" Harry Potter, our new celebrity" - Snape em A Pedra Filosofal
Quarta-feira, Agosto 04, 2004
Selling the Drama
Somente para por um ponto final na discussão, valeu os que apoiaram, e os que não apoiaram meu último post. Adorei os mails e não pensei que fosse causar tanta controvérsia. Queria somente explicar sobre o paralelo que fiz com o texto do Martin Luther King. Não foi discriminado aqui em momento algum, muito pelo contrário, pelo fato de eu ser um dos poucos negros a me integrar com todos por aqui (os negros aqui na Suíça vivem de maneira mais segregada) sou até bastante lembrado e conhecido... O que quis colocar foi que todos tem direito a liberdade, principalmente a de expressão (foi a que diretamente me referi), o texto do Martin pra mim se aplica a integração não somente de raças, mas de idéias (por mais absurdas e idiotas que elas possam parecer). Pra mim o maior preconceito está em não permitir falar, se expressar (ignorar é outra história), acho que esse é a maior castração que alguém pode receber, e na minha sincera opinião o ponto crucial da verdadeira escravidão. Não sei se todos concordam comigo, mas é assim que penso, não quis causar confusão e me fazer de coitadinho é coisa que eu não curto mesmo, acho que essa seria a pior coisa que eu poderia fazer comigo mesmo e com vocês que lêem o blog. Valeu mesmo e relaxem que eu estou preparando o post dos meus dois últimos finais de semana na França!!!!
"and to love: a god" - Selling the Drama by Live
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