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Quarta-feira, Junho 25, 2008
Let it be
Bem, faz tempo que eu não coloco posts mais pessoais e introspectivos por aqui. Isso porque quando acontece é quando eu preciso desabafar, uma vez que por mais que eu passe a imagem de uma pessoa cuca fresca e que não está nem aí para PN (I don't think I need to translate that... :-p), eu tenho meus problemas pessoais e os internalizo em geral e praticamente tenho uma idéia formada antes de sequer mencioná-lo a qualquer pessoa. Pois é... o problema é que muitas coisas novas aconteceram ao mesmo tempo. Umas de um lado positivo, mas ainda assim demandaram bastante do carinha aqui. E outras de um lado negativo que eu tive que priorizar para resolver (ou ainda estou resolvendo). Problemas esses que envolvem outras pessoas e, claro, me deixaram mal pacas. Uns por irresponsabilidade, num momento em que minha vida passa por mudanças em todos os aspectos, outros por uma tentativa de avanço, mas que em diversos apectos se mostraram um retrocesso. Bem, mas como sempre eu não vou ficar aqui de descrições e lamúrias gostaria de externalizar meu sentimento de auto-aceitação e preservação numa música do The Kooks que ando escutando muito ultimamente... e só pelo título eu me sinto melhor, claro que o contexto foi modificado um pouco para me adaptar (mas não é essa a magia da música?).
Always Where I Need To Be
The Kooks
Say whatever you want
Oh, I could never judge you
Be whoever comes into your head
Oh, you know I’ll take you there
You know I’ll take you there
‘Cause I’m always where I need to be
And I always though I would end up
with you, eventually
Do dodo do do do do
Etc
Say whatever you want
Oh, I could never judge you
Say whatever comes into your head
Oh, oh you know I just don’t care
You know I just don’t care
‘Cause I’m always where I need to be
Yeah, and I always thought I would end up
with you, eventually
Do dodo do do do do
etc
I want mine…
I want mine on the sea
Oh let me be, let me be
I want mine on the sea
Let me be, let me be
‘Cause I’m always where I,
where I need to be
I-I-I always, always thought…
I would end up with you eventually!
Always where I need to be
"Say whatever you want. I could never judge you" - Always where I need to be by The Kooks
Quarta-feira, Junho 18, 2008
Under your Spell: The Buffy Dossie – part 01: The conception
"...Into each generation a girl is born, a chosen one. She alone will wield the strength and skill needed to fight the vampires, demons, and the forces of darkness, stopping the swell of their numbers and the spread of their evil. She is the slayer...". Realmente difícil de se levar a sério algo que tem como plot principal uma garota que durante o dia tenta levar uma vida normal no collegial, e durante a noite luta contra vampiros, demônios e outras abominações. Este na verdade se mostra um plot extremamente simplista de um filme de aventura para adolescents, exclusivamente. Na verdade acredito que a primeira vez que se lê algo onde isso escrito, a imediata reação é de virar as costas a qualquer tipo de mídia que o trás, seja ela audiovisual ou impressa. Eu mesmo o fiz. A primeira vez que eu ouvi falar sobre uma série que tinha tudo que descrevi acima, eu tive vergonha da pessoa que me tinha comentado tal heresia, „fala sério, uma menininha peituda no colegial estacando vampiros? Isso tem cara é de filme da sessão privé“ imaginei no meu escondido innerself. Dei aquele sorriso meio sem graça de “sim, sim, quem sabe eu um dia não vejo?“, especialmente quando eu estava megulhado num universo bem mais complexo e categórico que era os dos Arquivos X e o dia e horário em que a série passava (sextas às 21hs alternavam a minha atençâo minhas saídas esporádicas com amigos ou simplesmte um dia relaxado assistindo a C16 (série com Eric Roberts e Angie Harmon que durou somente 13 episódios). Mas desde quê um dia, no já longínquo ano de 1998, eu resolvi dar aquela colher de chá. Destesto ser do tipo “não vi, não gostei”, então eu tinha que assistir para poder meter o pau (ao menos). O episódio em questão era o primeiro da segunda temporada da série, ele envolvia a protagonista num sério caso de choque relacionado a eventos do final da temporada anterior. De imediato ele me pegou pelo modo como os diálogos eram tratados e com aquela pequena profundidade dada a um programa dirigido a adolescentes, mas sem o mesmo melodrama corriqueiro dessas séries. Incrível foi o feito de que com mais alguns episódios, esse mesmo programa cujo o plot tinha me envergonhado, tenha me pego como fã, de modo tal a ter-me feito assistí-la mais de uma vez e ainda acompanhar o desenvolvimento e migração para outras mídias (no momento ela está sendo publicada em quadrinhos). Eu falo da genialidade de Joss Whedon em sua primeira cria. Eu falo de Buffy – The Vampire Slayer.
Como já mencionei antes: Gostar de Buffy não é algo que acontece se a pessoa não olhar fora da caixa de estereótipos que a série se viu envolvida no início para poder se vender. O plot pode ser bastante básico e até meio idiota (como muitos que nunca assistiram ou insistem em não analisar corretamente a classifica), mas a série em nada carrega esses adjetivos. Nada ali, desde o desenvolvimento dos personagens até a montagem das storylines de cada temporada, é gratuito. Tudo tem sua razão de ser e em algum momento sera usado, mesmo que isso não ocorra na mesma temporada. Simbolismos e metáforas da vida ctidiana sâo trazidos a esse mundo fantástico, de maneira profunda e sutil, e as representações de monstros e demônios nada mais são que um extensão dessas “sutilezas”, associando as dificuldades que os personagens passam por, e porque não dizer assim como seus expectadores, em determinados momentos de sua vida, tornando-se cada vez mais complexos a medida que seguem uma etapa de seu crescimento. São os demônios interiores a serem enfrentados, no maior estilo Bram Stoker de conceber personagens. Mas de certo isso é algo para ser melhor abordado mais adiante no texto, que vocês verão estar dividido em cinco partes, abordando a série em si, as temporadas, os personagens e por ultimo, mas não menos importante, a ressurreição no mundo dos quadrinhos.
O criador e a cria
Joss Whedon, é simplesmente brilhante no que diz respeito a elaboração de diálogos. Para os que nunca conferiram o trabalho do cara na tv ou cinema, de certo já verificaram isso em series de quadrinhos como Astonishing X-Men e The Runaways, por exemplo. Ele demonstra, sem sombras de dúvidas como sabe criar histórias longas muitíssimo bem desenvolvidas e fechadas (algo impressionante por si só num mundo de Chuck Austens). Sua linguagem se mostra bastante contemporâneas, não deixando em momento algum (por mais fantástico que o universo em que o cara trabalhe se mostre) de mostrar ao expectador (ou leitor) que aquele é um personagem humano, ou de características humanas… que como tal, ele é capaz de crescer e encarar situações seriamente, ou simplesmente banalizá-las com piadas infâmes, quando se apresentam somente mais um ponto de sua rotina, agora, habitual. Mas não somente os diálogos são seu ponto forte. Como já mencionei anteriormente, o cara é capaz de criar histórias fechadas, empolgantes e em geral extremamente internalistas. Seus geniais plots estão em geral ligados a consequências dos atos de seus protagonistas, em Buffy isso se mostra extremamente presente, quando os protagonistas se mostram inicialmente tendo que enfrentar a si mesmos, seus medos e desventuras, até o ponto de encarar o problema de maneira adulta e eficiente. Quando eles próprios não são os causadores desses problemas, e que naquele instante deverão aprender a como lidar com as consequências e solucioná-los enquanto isso. Extremamente empolgante é como Joss pega pontos comuns a adlescência de um modo geral e superlativa para o mundo fantástico do Buffyverse em metáforas claras e ainda assim empolgantes. Taboos como sexo e drogas são temas constants em especial na segunda e sexta temporadas. Como lidar com o cara com quem você teve a sua primeira experiência sexual e ele se torna mal (literalmente) depois disso ou mesmo com o fato de se deixar entoxicar pelo poder, abusando dele de tal forma a que seja necessária uma intervenção e que te domine a tal ponto a que você se torne uma ameaça em determinado ponto. Todos esses temas, complexos para alguns simples para outros, são abordados de forma original, empolgante e de certo com um cuidado fenomenal não agredindo em momento algum a inteligência do expectador (vejam o quanto eu bato nessa tecla).
É válido dizer que o buffyverse serve também como base para estudos. O Buffy Studies, como é chamado, é um braço do aprofundamento acadêmico em estudos culturais e procura estabelecer parâmetros de tradução, expressão e interpretação dos fatos explorados nos programas criados por Joss Whedon. Mesmo que não seja reconhecido como uma disciplina acadêmica específica, o buffy studies tem diversos seguidores e adeptos. Campos da sociologia, psicologia, filosofia, teologia e estudos femininos apresentam diversas perspectivas a respeito da série e o impacto gerado dentro desses campos. O show chegou a ser foco de não só artigos acadêmicos, bem como dissertações de mestrado, e recentemente de doutorado, em comportamento humano em universidades americanas, inglesas e australianas.
Em estudos de gênero, por exemplo, um dos nomes fortes no campo é Lorna Jowlett que escreveu o artigo Sex and he Slayer: A Gender Studies Primer for the Buffy Fan, que analisa a posição de Buffy num mundo pós-feminista e discute os estereótipos e evoluções de personagens femininos no show de uma maneira geral, não deixando de lado os personagens masculinos. Campos como a discussão da sexualidade em cultura pop (usando o personagem Spike para tal), a série como arte em media, ou até mesmo comportamento familiar, podem ser encontrados artigos que discutem a relevância da série, de modo nocivo ou não. Vale a pena, para concordar, discordar e levantar novos argumentos. Para quem quiser mais detalhes, pode encontrar aqui.
Under your Spell: The Buffy Dossie – part 02: Personagens e personas
Para se ter histórias que se mostrem fortes e plausíveis no decorrer de uma série em que o fantástico reina, uma construção minuciosa de personagens com personalidades muitíssimo bem definidas, se faz extremamente necessária. Whedon já assumiu em diversas ocasiões que a criação e caracterização dos personagens da série foram frutos iniciados em quadrinhos, o que se mostra verdadeiro em varios momentos de comparação inicial, mas que em favor da originalidade os mostra seguindo caminhos completamente diferentes. Estes que deverão ser o fio conductor da saga, foram mostrados de maneira sempre tridimensional de modo a manter a conexão com o público. De maneira análoga, os atores que os interpretam, devem demonstrar a capacidade de expressar os pontos mais fortes desses personagens com veracidade, de modo a permitir a identificação que mencionei acima. Por favor não pensem que vou levanter a bola dos atores dizendo o quanto eles são bons e talz, mas de certo tentarei indicar o porque eles se mostraram perfeitos para tal. Outro fator empolgante na concepção dos personagens de uma maneira geral, se mostra na curiosa forma que seus nomes são escolhidos, sempre dando uma pista de suas características ou o que estaria reservado para eles no decorrer da saga. Intrigante como escolhas como Dawn (amanhecer, o início de um ciclo), Faith (Fé) e Willow (mágico), mostrem como cada personagem se apresenta e se desenvolve. Como devemos encará-los e como seus nomes realmente os definem de uma forma bastante geral. Somente mais um hint para como o universo da caça vampiros é complexo e cheio de simbolismos. Mas partindo para os personagens em si:
Buffy vs Sarah
A personagem principal é sempre a mais visada. Deve ser extremamente carismática a ponto de se identificar com o público e dar espaço, mas não muito, para que os mais secundários apareçam. Buffy, na minha opinião é o perfeito equilíbrio disso. Todos que assistem a série, mesmo que não a elejam sua personagem favorita a respeitam ao ponto de saber que a série é dela. Outras séries já me mostraram o quanto a falta de um personagem carismático e a limitação no seu desenvolver pode afetar a série como um todo. O maior exemplo de um caso desses é Dawson’s Creek (quando o personagem principal – Dawson – se mostrava apenas um coadjuvante ao desenvolvimento da carismática Joey, que tomou a série para si na segunda temporada, ou do problemático Pacey, que empurrou o protagonista para a lama a partir da terceira temporada). Em Buffy isso não acontece, em especial pela construção do caráter da personagem principal. De uma maneira geral ela se mostra ordinária no início, extremamente dependente mental e emocionalmente dos personagens secundários que a cercam. Mas seu desenvolvimento é gradual e sólido, permitindo que eles sempre a acompanhem em sua jornada, mas nunca a eclipsem. Com isso ela passa de uma cheerleader inicialmente fútil, mas que sabe o que tem que enfrentar e sempre entra em conflito consigo mesmo por esse fato (o desejo de ser sempre uma garota normal, quando na verdade ela o é), à uma adulta que inicialmente se vê obrigada a cuidar das funções da casa e mais tarde assume o papel de líder militar e estrategista. Seu desenvolvimento lento, mas sólido, dá base para que a mesma encare o que passou, sem perder em nenhum momento sua personalidade base. Em oito anos essa evolução se mostra natural, em especial dada a vida curta que em geral a profissão da personagem carrega. Na verdade ela é a mais longínqua caçadora a viver até os dias de hoje. Os poderes de Buffy de uma forma geral estão associados a força e agilidades sobre-humanas, além de sonhos precognitivos. Além disso foi dada a ela uma arma no final da sétima temporada televisiva, uma mistura de machado e estaca com poderes até então misteriosos, mas com capacidade de conectar todas as potentials slayers, esta arma foi chamada de Scyte. Para um personagem tão rico a presença da atriz Sarah Michelle Gellar foi crucial. Sei o quanto várias pessoas aqui vão dizer o quanto ela é péssima atriz, sem profundidade (eu discordo desde Cruel Intentions) e o que mais se quiser colocar. Mas o fato é que essa garota egressa de novelas matinais (com direito a um Emmy por isso) foi carismática o suficiente para segurar o personagem de maneira sólida. Gellar consegue passer tudo que Buffy precisa expressar, com o plus de ser extremamente boa em artes marciais e nas outras habilidades que a personagem precisa. Confesso que a achei irritante e obnoxious no início, querendo forçar um carisma inexistente, mas isso muda completamente na segunda metade da segunda temporada (quando acredito que abracei-a definitivamente). Tão perfeita a combinação de ambas, que a atriz ainda acha dificuldades em dissociar a imagem da caça-vampiros da sua, mesmo com um currículo crescente na tela grande atualmente. Gellar foi indicada ao Globo de Ouro pelo papel de Buffy em 2001 (quarta e quinta temporadas). A fonte de criação para Buffy foi Kitty Pryde dos X-Men. O nome Buffy significa “ my God is a vow” relacionando imediatamente a pessoa ao ofício. Uma vez que a personagem apresenta poderes “divinos” e faz o voto de usá-los na luta contra o mal. De maneira análoga as duas outras caça-vampiros de relevância na série apresentam nomes com certa semalhança a divindade (Kendra, que significa filho de Henry – que por sua vez significa “aquele que governa” – e Faith, que significa fé).
Willow vs Alysson
Essa é uma das mais adoradas personagens e, acredito eu, a que mais passou por transformações em toda a jornada da caça vampiros. Inicialmente Willow era somente uma nerd daquelas em que todos tiravam onda, orbigavam a fazer o dever de casa e a usavam ao máximo dada a sua timidez exacerbada (um maior exemplo da tríade nerd-geek-dork), uma vez que se mostrava incapaz de demonstrar o que sentia. Com isso ela mergulha numa procura incessante pelo conhecimento, sempre colocando isso em primeiro lugar. Inicialemente esse conhecimento é procurado somente no campo humano, mas lentamente ele migra para o oculto e todos os elementos fantásticos que cercam a série. Willow passa de uma nerd de computadores à uma bruxa extremamente poderosa e que seria a maior das rivais que Buffy poderia enfrentar, se não estivesse do seu lado. A personalidade da personagem também evolui com o passer dos anos, deixando de ser a tímida garota nerd para uma assumida lésbica que precisa agora enfrentar conflitos internos resultados de seu abuso com magia (uma brilhante analogia ao uso de drogas de uma forma geral). De certo a personagem mais poderosa de todo o buffyverso, mas que como tal encontra suas limitações em questões de caráter (no maior estilo Phoenix Negra, ou Sentry, de ser, que deve despreender um esforço diário inimaginável para permanecer no controle de suas faculdades). A atriz Alysson Hanningan na minha visão inicial era uma das mais fracas do cast da série. Algo que se mostrou totalmente falso no decorrer dos anos com o crescimento da personagem. Hannigan foi brilhante em sua composição, mostrando inicialmente uma personagem com fraquezas visíveis e poderes imensos escondidos em sua timidez extrema, e desenvolvendo isso aos poucos liberando a personagem chegando a alterar completamente sua personalidade, se mostrando natural em todos os sentidos. Tamanha a genialidade de sua atuação e capacidade de interpretar tantas facetas na mesma personagem que ela não encontrou muitas dificuldades em se dissociar de Willow, caindo em produções cinematográficas com personagens muitíssimo diferentes e agora na tv com algo que em nada lembra a personagem que a fez famosa. Ponto pra ela. A fonte de criação para Willow foram as personagens Jean Grey, Scott Summers e Bruce Banner. O nome Willow vem da árvore do salgueiro chorão, que em algumas culturas possui a justiça divina atachada a ele (ele chora pelos desafortunados e pelos que no futuro sofrerão o peso da justiça).
Xander vs Nicholas
Aqui o personagem mais humano da série. A identificação é immediata com um personagens dos quadrinhos: Peter Parker, mas sem poderes. Xander é o tipo de cara que se esconde por trás das piadas que solta de maneira involuntária a cada 30 segundos. É de certo o personagem mais inseguro e perdido, inicialmente, e o que menos mudou no decorrer de toda a série. O porque disso também é extremamente válido, uma vez que ele é um personagem masculino num universo extremamente matriarca. Ele é aquele personagem totalmente averso a mudanças, ele não as acompanha fisicamente sempre se apegando ao certo e seguro. De certo modo ele se torna a âncora para os demais personagens por causa disso, o nexo entre o mundo comum e o fantástico, nunca flertando com os elementos que seduzem tanto aos outros personagens. Por isso ele se torna o mais sólido caráter de toda a série, com o ponto a favor de demonstrar medo (inclusive de forma exagerada às vezes) sempre que lhe é conveninente. Xander adquiriu conhecimento militar de forma fantástica, e a manteve até hoje. Se torna um excelente estrategista quando é necessário e sabe lidar com armas de fogo e equipamentos militares de uma forma geral. Apesar disso nunca seguiu nada nessa area, visto que sua personalidade jamais se adequaria a rígida disciplinaridade requerida a esse ofício. O ator, Nicholas Brendon, foi de certo o que menos se adequou a vida hollywoodiana. Seu trabalho, enquanto ator, limita-se a pequenos filmes e participações em series, mas vale salientar que ele não possuia absolutamente nenhuma prática em atuaçâo até entrar na série de Whedon. Sua composição do personagem foi extremamente acertada, mas que o classifica mais como comediante que como ator propriamente dito. Sua perícia na arte de interpretar se mostra limitada em diversas ocasiões, inclusive quando seu personagem é aprofundado. Nada que comprometa, mas de certo está longe de ser algum tipo de destaque. Xander foi nomeado a partir de Alexander, o grande, e significa “aquele que defende os homens”, uma analogia direta a seu papel na série, uma vez que ele representa o lado totalmente humanos dos personagens.
Giles vs Anthony
O pai, o mentor, o guardião. Essa é a função de Giles na série da caça vampiros. O negócio é que nesse papel o cara passa também por um crescimento emocional intenso e gradativo. O engraçado é que o personagem Giles nos engana inicialmente se parecendo um pacato bibliotecário que em nada lembra alguém que luta contra as forças do mal. Seu jeito goofy de ser inicialmente se mostra também uma arma para nos driblar do foco do personagem, que possui um passado bem mais negro e tridimensional. O engraçado é que Giles sempre ensaia diversas saídas da série, mas sempre retorna em momentos cruciais. Natural o fato de que temos que voar solo em algum momento e sair da saia da mãe ou colo do pai, mas eles se tornam sempre referência e é a eles que recorremos quando não sabemos o que fazer ou simplesmente atingimos nossas limitações. Buffy trata Giles com esse intuito, mas não somente reduzindo-o a isso. Ele em geral é o foco de informações e contatos com o mundo demoníaco. A personalidade de Giles muda no decorrer da série, como já citei, ele abandona o jeito goofy de ser após seu passado ser levemente revelado e sofrer a primeira grande baixa em sua vida (a perda de sua namorada Jenny Calander). Giles se torna mais negro e seguro, mas não deixando de ser a figura paterna que Buffy sempre se apoiou. O ator Anthony Stewart Head é sem dúvida o mais experiente e o mais versátil do time da série. Sua bagagem shakesperiana adquirida em Londres (terra natal) o faz interpretar todas as nuances de Giles sem demonstrar nenhum esforço para essas mudanças. Ele simplesmente é o personagem e o que vemos na tela é o avançar natural dele. Totalemente impressionante. Nevertheless, o ator se mantém bastante recluso somente abordando o teatro de volta a terra da rainha. Giles é livremente inspirado em Charles Xavier (que recentemente num dos arcos de Whedon para Astonishing X-Men, se mostrou tão negro quanto). Giles significa “escudo” analogia direta ao papel de proteção que exerce para com a personagem principal.
Angel vs David
O atormentado personagem que toda série de respeito deve ter. Apesar de ter ficado somente três anos na vida da caça-vampiros, Angel foi o que mais a modificou em profundidade. Ele era o antagonismo em pessoa, uma vez que se mostrou inicialmente um aliado dúbio para se revelar um vampiro na sequência. O problema é que ele náo era qualquer vampiro, mas um que carregava uma maldição de reter sua própria alma e viver com o tormento de todas as pessoas mortas em sua fase demoníaca. O problema é que Angel se apaixona pela caçadora e vice-versa, com o revés de que se ele tivesse um segundo sequer de felicidade plena, sua persona demoníaca retornaria ao comando de seu corpo. A relação sempre conturbada, cheia de antagonismos, amor e ódio se misturando numa enxurrada de emoções fez com que o vampiro se popularizasse e ganhasse sua própria série. Sua ligaçâo com Buffy permanece forte e intensa, mas ambos seguiram caminhos separados, uma vez que verificaram que jamais poderiam viver juntos. É a maneira de Whedon mostrar shakespearemente que o caminho de um vigilante, por mais embasamento que ele tenha, é solitário, contando somente com aliados, mas nunca com parceiros. Todos os personagens da série aprenderam isso à duras penas, e Angel é o símbolo que ainda representa isso, vivendo em separado mesmo que amando a caça-vampiros ainda nos dias de hoje. David Boreanaz, é de certo um dos atores mais limitados que eu já havia visto. No início eu tinha crises de riso quando ele tentava exprimir algo que saísse de sua cara de cera, mas confesso que o cara cresceu no decorrer de ambas as séries. Atualmente o cara surpreende muito na pele de um agente do FBI na série Bones. Angel é claramente inspirado em Bruce Wayne, o que se traduz na escolha de seu nome, que significa Anjo, numa clara alusão ao anjo de aura negra, aquele que carrega as sombras consigo.
Outros personagens
Outros personagens passaram pelo buffyverso deixando suas marcas, muitas vezes profundas, e merecem ser lembrados e caracterizados:
Cordelia (Charisma Carpinter): Ela é tudo que Buffy foi um dia, no momento em que se encontram. O problema é que a segunda teve que assumer o peso de uma responsabilidade que mudou sua vida para sempre. Cordelia permanece como a “cheerleader cabeça de vento” por bos parted as primeiras temporadas da série, até ser definitivamente incorporada no grupo, a contra gosto. Engraçado como ela detesta estar ali e todos detestam a presence dela, mas o fato de dividir o segredo da ca4a-vampiros a insere direta e irremediavelmente no grupo (algo bem Cecilia Reyes em X-Men). Ela seguiu Angel em sua série, mas antes disso foi responsável pelo crescimento de Xander e o aparecimento de outra grande personagem: Anyanka. Charisma Carpinter por sua vez tornou-se uma atriz problemática que foi demitida de angel após o terceiro ano, e ainda hoje faz somente algumas participações em series, nenhuma de grande expressão. O significado do nome Cordelia vem do francês pela expressão “coeur de lion”, que é uma alusão clara àqueles de coração puro (demonstrado pela personagem anos depois de sua primeira apresentação).
Spike (James Masters): Personagem extremamente complexo e rico dentro do buffyverso. Spike apareceu inicialmente como um vampiro sangunário que adorava matar e brincar de gato e rato com suas vítimas e que vivia uma relação “intense” com outra vampira chamada Drussila (louca de jogar pedra que foi vampirizada e enlouquecida por Angel em sua fase demoníaca). Motivado pela paixão, o cara se entrega de corpo e alma a tudo que fez na série, com uma minima variação de personalidade, mas imensa de caráter. Ele passa de um vampire sanguinário a que todos odeia a um personagem que ama de verdade a caça vampiros. A transformação é lenta e leva anos até que o personagem mude definitivamente, mas é assustador o modo como tudo acontece e o quanto ele tem que abrir mão pelo que faz. Engraçado é que sua parte animalesca sempre se mostra presente, não permitindo que nenhum dos outros personagens, a exceçâo de Buffy, confiem nele. Totalmente inspirado em Wolverine. James Masters é um ator interessante, nada possui de genial, mas não é um talento a se ignorar. Atualmente ele faz participações em series televisivas, em especial Smallville.O verdadeiro significado de Spike é referente a agulha, o que caracteriza a personalidade incisive do personagem, mas o verdadeiro nome de Spike é William, que vem das palavras vontade (will) e capacete (helmet), colocando como proteção da vontade, algo associado as características do personagem em sua segunda encarnação de volta a série – quando ele teve, antagonicamente, sua vontade de se alimentar de humanos castrada pelo chip da iniciativa.
Faith (Elisa Dushku): A caçadora renegada. Faith é de certo mais um dos personagens mais intrigantes. Depois da primeira morte de Buffy (morte técnica) uma outra caçadora foi acionada (Kendra), mas devido a sua inexperiência ela foi facilmente assassinada por Drussila e na sequência faith foi acionada. Não tendo um treinamento adequado, seu sentinela foi assassinado pouco depois de iniciado o treino, ela teve que aprender a lidar com uma vida sem valores pela sobrevivência. Claro, que não tarda até que ela seja seduzida pelo poder e torne-se uma renegada, acusada de assassinato. Apesar de tudo isso, Faith não aguenta a carga de culpa e eventualmente se entrega a sociedade, atualmente, entretanto, ela é foragida. Elisa Dushku foi uma atriz que cresceu, e muito, na série. Inicialmente colocada para alguns episódios, sua maneira despachada de atuar garantiu presença na série por uma temporada e ainda participações ocasionais. Depois do sucesso que fez em Buffy ela conseguiu emplacar duas temporadas de uma série chamada Tru Calling e no momento se prepara para estrear a nova séries de Joss Whedon, Dollhouse. O nome Faith, como já mencionado, significa Fé.
Dawn (Michelle Tratchemberg): Amada e odiada, essa é a irmã caçula da personagem principal que surgiu somente na quinta temporada. Mas como isso é possível? Dawn na verdade é uma entidade conhecida como The Key (a chave), que é um conduit mágico capaz de interligar dimensões. Ninguém sabe a extensão de seus poderes, se é que ela tem algum, uma vez que isso nunca foi amplamente explorado na série. Ela foi inserida na vida da caçadora, a partir de seu próprio sangue e imagem, para ser protegida contra a besta (na epoca Glory) e isso ocorreu de modo a nenhuma das duas saberem, através de lembranças inseridas na mente de cada um dos personagens. Michelle Tratchemberg conseguiu fazer uma personagem que todos odiassem. Mimada, chorona e irritantemente problemática, ela conseguiu passer tudo isso sem muitos problemas. Infelizmente até então ela participa de filmes sem muita expressão. O significado de Dawn é “amanhecer”, representando sempre um novo começo, refresh.
Outros personagens como Reiley, Andrew, Johnathan e Anya mereciam também descrições, mas acredito que inserí-los no conteúdo das temporadas seria o mais ideal.
Under your Spell: The Buffy Dossie – part 03: From Beneath you...
Como já mencionei anteriormente a saga de Buffy – a caça vampiros perdurou durante sete temporadas televisivas e atualmente exibe sua oitava temporada em quadrinhos. Muito se passou durante esses oito anos, incuindo um desenvolvimento minucioso dos personagens por sua adolescência conturbada (mas extremamente normal, dada as circunstâncias) e o modo como são obrigados a lidar com o mundo adulto de uma maneira geral, todas as suas nuances e politicagens. A evolução da personagem principal é um dos focos mais interessantes, de certo. Como ela deixa de ser uma garota levemente fútil e abraça sua posição de comandante, nunca mudando sua personalidade central. Novamente uma excelente amostra de como Whedon é capaz de trabalhar personagens respeitando suas características básicas. As temporadas de Buffy são conhecidas por seguirem um protocolo. Em geral ela se desenvolve em pequenos plots em cima de um inimigo maior, que é enfrentado no final de cada temporada. A fórmula permite o desenvolvimento da trama de forma fechada e a inserção de fatores que ajudam ou atrapalham os protagonistas. Esses fatores inseridos, em geral não são esquecidos, servindo de referência para temporadas subsequentes.
Season 01:
Aqui temos aquela tradução básica, mas que funciona totalmente: O colegial é um inferno. Buffy foge de Los Angeles depois de colocar fogo no ginásio do colégio, numa batalha contra vampiros, e perder seu Guardião nessa batalha. Na verdade a mudança envolve uma fuga de suas funções enquanto caçadora, mas ao chegar em Sunnydale ela é confrontada por Giles, que se torna seu novo guardião, e reassume sua tarefa. Não tarda ela a descobrir que Sunnydale foi construída em cima da chamada Hellmouth (boca do inferno numa tradução literal e que é um lugar de imensa concentração mística em que, em geral, mantém as barreiras entre dimensões fracas) e que por isso detém uma larga concentração de seres demoníacos, essencialmente vampiros. Durante os treze episódios, a caça-vampiros encontra Willow e Xander, que se tornam seus fiéis escudeiros, e descobre que deve enfrentar o mestre dos vampiros (uma figura que lembra muito Nosferatu, o primeiro ddos vampiros) que deseja abrir completamente o Hellmouth e liberar as criaturas lá presas na nossa dimensão. Como se não bastasse, um livro antigo profetiza que no confronto Buffy morrerá. O que se concretize, pelo menos tecnicamente (uma vez que ela é afogada pelo mestre e salva por Xander minutos depois). O polt da primeira temporada é bastante simplório e sem muitas alterações (necessário num programa de 13 episódios para o desenvolvimento). Os diálogos são o ponto forte aqui, com várias referências a cultura pop e traduções de dramas adolescentes ocasionais para o fantástico (como o caso da mãe bruxa que controla a vida da filha completamente, ou o estudante que se torna literalmente invisível depois de anos sendo ignorado pelas pessoas de seu convívio social). Em Prophecy Girl, episódio final da temporada, temos os personagens enfrentando seus próprios medos pela primeira vez, o sucesso de seus esforços, mas de maneira análoga as cicatrizes que eles os deixam. E só para constar, vale falar do diretor Snyder, que inicialmente se mostra somente implicante para com Buffy, mais a frente ficamos sabendo que o cara tem uma agenda escondida, dando pistas dessa agenda no decorrer da temporada seguinte.
Season 02:
Passado o primeiro grande desafio, Buffy tem que lidar com um leve caso de choque pós-traumático. O fato de ter sido tecnicamente assassinada no fim da temporada passada a deixa com um comportamento averso e agressivo. Na verdade o problema é logo resolvido, mas o episódio colocado é válido ao ponto de indicar que poderes físicos não afetam a psiquê de nenhum dos personagens, ainda sucetíveis a problemas e traumas decorrentes das aventuras a que se submetem. Com isso Whedon levanta a bandeira do jogo emocional para a segunda temporada. O casal de antagonistas, apresentados logo nos primeiros episódios (Spike e Drussila), são movidos por uma paixão e luxúria incomensuráveis. Ficamos sabendo aqui a capacidade de superlativar emoções quando tomados pelo lado demoníaco da transformação vampiresca, e Spike e Dru são o maior exemplo disso, já que o primeiro é extramente sanguinário e a segunda não tem plena posse de suas faculdades mentais. Eles são apresentados como os antagonistas, mas não passam apenas de fanfarrões que decidem sacudir um pouco Sunnydale, nada que pudessem criar algo apocalíptico. O verdadeiro vilão aparece na metade da temporada, nunm episódio que dá o primeiro grande choque nos espectadores da série. Depois de sua primeira noite juntos a maldição a que Angel foi submetido (reavendo sua alma) é quebrado e seu corpo é novamente tomado pelo demônio vampiresco sanguinário que ele foi 200 anos atrás (eventos ocorridos nos episódios Surprise e Innocence). A superlatividade de emoções é novamente acrescentada a nova personalidade de Angel, com seu personagem se mostrando sádico, perverso e extremamente sanguinário (tudo isso sendo comprovado no jogo de gato e rato a que ele submete Jenny Calander cuminando em sua morte e como ele brinca com Giles colocando o corpo em sua cama coberta de pétalas de rosas). Angelus (nome dado ao personagem em seu caráter maléfico) tenta trazer o caos ao planeta liberando o demônio Acatla de sua prisão, junto com uma outra legião de demônios. Buffy tem que superar o fato de que perdeu Angel totalmente e que encarar que provavelmente terá que exterminá-lo para que isso não aconteça (Becoming part 01 and 02). A temporada termina com Willow flertando com as artes ocultas pela primeira vez (e adquirindo mais auto-confiança com o namoro firme com Oz – um lobsomem), colocando Angel sob sua maldição mais uma vez, só que tarde demais, uma vez que Buffy tem que matá-lo para impeder a vinda de Acatla. Além disso Joyce (a mãe de Buffy) tem que encarar o fato de que a filha é algo que ela não aceita inicialmente (com perfeitas alusões a confissão aos pais de homossexualismo), uma caça-vampiros. E após os eventos da batalha com Angel, Buffy deixa Sunnydale com o coração despedaçado e tentando mais uma vez fugir de seu destino (que só lhe trás dor e desilusão). Uma das principais curiosidades da segunda temporada é a vinda de uma segunda caça-vampiros, Kendra. Dado o fato de que Buffy tecnicamente morreu no final da temporada passada, a potencial caçadora da seqüência foi acionada, e a interação entre as duas se mostra não só interessante, mas de diferente dinâmicas. Kendra é morta por Drusilla no final de Becoming part 01. E Snyder continua a perseguir os Scoobies, com a diferença que aqui ele dá uma pista sobre o big bad da temporada subsequente, com quem ele trabalha bem perto.
Season 03
A terceira temporada é caracterizada pela busca pela redenção. No jogo dos acertos e erros do fim da adolescência, com a consequente graduação que daria o passe para o mundo adulto. Esse proesso se mostra ativo a todos os Scoobies (a turma resolve se batizar de Scoobie Gang), que começam a se definir e tentam encontrar seu lugar no mundo. A temporada é iniciada com paradeiro de Buffy em Los Angeles, sozinha e tentando se reiventar usando seu nome do meio, Anne (nome também do episódio). Depois de voltar a Sunnydale tentando mais uma vez lidar com seu destino (da qual não consegue escapar), Buffy encara a vinda da caçadora ativada após a morte de Kendra, Faith. Esta apresenta um passado semelhante ao the Buffy, com a perda do guardião de modo trágico, bem como suas cicarizes. O problema é que Faith não teve a estabilidade dada pelos Scoobies com a qual Buffy se suportou e aos poucos começa a mostrar todas as suas falhas de caráter. Inicialmente mostrando na forma de “espirito livre” e na sequência o não arrependimento por ter acidentalmente matado um humano normal. O modo como as duas seguem juntas e são separadas por esse evento é bastante intenso apesar de linear. Nessa temporada ficamos sabendo que o prefeito de Sunnydale, um homem aparentemente sorridente e de excelente gestão na cidade é na verdade um demônio milenar que deseja “evoluir” a partir de um processo longo e delicado sendo transformado no final em uma serpente demoníaca de mais de 10 metros de comprimento. Ainda em sua forma humana ele sai colecionando aliados, entre eles Faith, que recebe pela primeira vez um tratamento paternal adequado. É engraçado como Whedon joga com os dois personagens, os fazendo extremamente carismáticos e mostrando realmente esse relacionamento em níveis que cria uma empatia imediata com o espectador. Às vezes é simplesmente impossível odiar o prefeito Wilkins tamanha a atenção e devoção que ele dá a Faith. Ela chega a sugerir que eles simplesmente deixem Sunnydale de lado e vivam como pai e filha, coisa que surpreende, uma vez que aquilo é o que ela estava realmente procurando, coisa que nunca conseguiu com a Scoobie-gang, simples e pura atenção. O final da temporada é marcado por uma batalha decisiva entre Buffy e Faith, batalha esta que deixa a segunda em coma. O modo de vencer o prefeito, bem como uma surpresa do que aconteceria duas temporadas seguintes é entregue por Faith em um sonho compartilhado entre as duas caça vampiros. O fim da temporada também marca a partida de Angel, tendo finalmente acertado que ele nunca poderia ser feliz ao lado da caça-vampiros, uma vez que o que ele realmente procura é a remissão de seus pecados. Snyder, capacho do prefeito, acaba sendo morto ao final da temporada (engolido pela versão demoníaca de Wilkins), junto com a escola que é explodida por completo na batalha final contra o prefeito, aparentemente selando a Hellmouth (situada abaixo da escola). A temporada é também marcada pela expulsão de Giles do conselho de guardiões, uma vez que ele falha em colocar Buffy em um teste de vida ou morte, sem seus poderes, sendo distituído da posição de guardião da caça vampiros. Em sua lugar entra Wesley Winder-Price, um excelente teórico, mas sem nenhuma experiência de campo. Aqui também temos um “hint” da opção sexual de Willow, mostrada na temporada posterior, em Doppelgangland (3x16), mais uma indicação de como tudo na série se mostra coeso e fechado, mesmo em realidades alternativas. Outra curiosidade é o episódio Earshot (3x18), que foi vetado em sua exibição incial por tratar de um adolescente com uma arma na escola de Sunnydaly, uma semana após a tragédia americana em Columbine. O episódio foi exibido meses depois pela emissora e guarda um dos melhores momentos da série quando Buffy (com poderes telepáticos) descobre que sua mãe dormiu com seu Guardião, Giles.
Season 04
Na minha opinião a mais fraca de todas as temporadas. Aqui os Scoobies tentam se encaixar enquanto jovens adultos, se disciplinar. Achar o que devem fazer de seu futuro, tando no lado humano quanto no oculto. A temporada é marcada pela presença de um novo interesse romântico para Buffy, que inicialmente se mostra somente um veterano na universidade, mas logo se mostra mais do que isso (diferente do tipo “sou um soldado treinado de uma força tarefa especializada em conter e fazer experimentos com criaturas demoníacas”), na pele de Reiley Finn. A temporada é a única que não mostra um perigo evidente a Buffy ou aos Scoobies, uma vez que o inimigo da temporada é um experimento mal sucedido que age pela lógica, nada demais. Pessoalmente Buffy é a que menos passa por transformações, ela aprende que depois de Angel existem outro caras, mas nem sempre o primeiro é o mais acertado. Curiosa mesmo é a transformação que os outros membros passam. Willow depois de largada por Oz, descobre sua sexualidade em um relacionamento de long data com Tara (outra praticante das artes ocultas). Xander, encontra em Anya (uma ex-demônio, sem a menor noção de como lidar com sentimentos e tratamentos humanos de uma forma geral) uma parceira de longa data e no trabalho de construção um caminho para o futuro – uma vez que ele não abraça a vida acadêmica. E até mesmo Giles, tenta se encontrar depois de perder ambos os empregos (no conselho de guardiões e de bibliotecário da, agora destruída, Sunnydale high). Outra surpresa é o retorno de Spike como regular da série. Este é abduzido pela Iniciativa (organização militar a que Reiley pertence) e impossibilitado de atacar humanos por via de um chip instalado em seu cérebro. A temporada termina com um das maiores e melhores metáforas ao estilo “a união faz a força” quando Giles, Willow e Xander conjuram a essência das caça-vampiros passadas para uni-las a Buffy na batalha final contra Adam (o experimento errado que eu já havia citado, no episódio Primeval – 4x21). Por curiosidade essa batalha final acontece no penúltimo episódio da temporada e não no último como de costume. Isso se dá porque o último episódio é na verdade o prelúdio para a temporada posterior, na minha opinião a melhor de todas televisionadas, com a presença da primeira Slayer, personagem que passa a ser importante na mitologia da série (Restless – 4x22). Apesar de um plot central meio fraco, a série é povoada por episódios ocasionais brilhantes. Um dos melhores da série (sendo inclusive indicado ao Emmy de melhor roteiro) é Hush (4x10), onde cerca de metade do episódio não apresenta diálogos arrancando dos atores suas melhores atuações. A cena onde os Scoobies se reunem para traçar um plano de ataque é fenomenal. Outro grande ponto da temporada é o retorno de Faith, que sai de seu coma e traça um plano de vingança contra Buffy. Ela troca de corpo com a loira com um presente deixado a ela por Wilkins (This Year’s Girl e Who Are You – 4x15 e 16). A série tem seu primeiro crossover efetivo com a série Angel, uma vez que resolvida a confusão Faith foge para Los Angeles e passa a atormentar Angel. Buffy vai em seu encalço tentando neutralizar permanentemente a caça-vampiros renegada.
Under your Spell: The Buffy Dossie – part 04: ...it devours
Season 05
A mais brilhante das temporadas da série, em que Buffy finalmente aceita seu destino enquanto caça vampiros e passa a procurar entender o que isso significa de verdade, se inicia com um episódio de gosto meio duvidoso. Buffy vs Drácula (5x01) relata o encontro da caça vampiros com o mais famoso de seus antagonistas. O episódio é tratado de maneira cômica descaracterizando um pouco o personagem Drácula. De qualquer maneira somos aqui apresentados a irmã de Buffy (alguém que não existia até então), o que confunde os expectadores é que essa irmã não parece ter sido inserida no momento, uma vez que compartilha memórias com todos da Scoobie gang. Ainda no início da temporada ficamos sabendo que Dawn nada mais é que um artefato mágico chamado “the Key” inserido por monges na vida da caça vampiros e humanizada a partir da própria. A temporada marca a verdadeira passagem para a vida adulta enfrentada por Buffy, marcando-a definitivamente por perdas emocionais incomensuráveis. Ela vê seu relacionamento com Reiley falhar por méritos próprios e perde sua mãe de maneira extremamente chocante no melhor episódio da série (IMHO), The Body (5x16). The Body é um episódio onde a dor é palpável, o desespero é completo e absolutamente assustador e ausência de toda e qualquer trilha sonora o torna mais triste e pesado. Nenhum elemento extraordinário é acrescentado em todo o episódio, a excessão de seu final. Somente a dor dos personagens se mostra mais assustadora que qualquer outro vilão, demônio ou vampiro, que algum deles já tenha enfrentado. O grande vilão da temporada é uma deusa demoníaca que procura desesperadamente por “the key” para abrir o portal entre as dimensões para assim voltar a sua, o problema é que isso possibilitaria a entrada de todos os tipos de seres na nossa dimensão colapsando-a por completo (sentido de aranha detectando apocalipse? Pois é). O problema é que the key agora é irmã da caça vampiros e nada consegue passar por Glory (a citada deusa). Após a morte de sua mãe Buffy tenta proteger Dawn a todo custo, uma vez que ela é o único ponto de conforto que ainda lhe apetece, quando Glory consegue capturá-la Buffy entra em choque absoluto. Sendo resgatada por Willow(The Weight of the World – 5x21). Numa busca tentando encontrar uma maneira de vencer a deusa, Buffy encontra-se novamente com a primeira Slayer. Esta lhe revela que a morte é o seu dom (“death is your gift”), mensagem que ela não entende à principio e se mostra ultrajada, achando que o único dom de uma caça-vampiros seria o modo como mata pessoas, ela só vem a compreender a mensagem na season finalle, quando se sacrifica para salvar o mundo e Dawn (The Gift – 5x22). A temporada marca também o desenvolvmento absolutamente fantástico de Willlow no mundo da magia. Esta é a única que consegue conter e machucar Glory com seus feitiços. Novamente temos um hint sobre o que isso representará para a temporada segunte, uma vez que Willow entra no campo da magia negra para enfrentar Grorificus. Outro ponto importante é o desenvolvimento enfrentado por Spike, que muda completamente sua essência, quando se mostra apaixonado por Buffy. Inicialmente provocando a slayer ele não sabe como agir até se declarar totalmente, numa cena que arranca risos descontrolados. Uma temporada forte e de impacto profundo para o que ainda estava por vir, mesmo que a protagonista da série tenha se sacrificado efetivamente no final dessa.
Season 06
A mais negra de todas as temporadas, coloca em evidência total a questão da eterna luta interna que cada personagem deve passar nas histórias de Joss Whedon. Ele descreve histórias com consequências, envolvendo os personagens em plots em que eles devem lidar com valores como depressão, desistência, vício e altos níveis de tristeza e desilusão. O engraçado é que no meio de tudo isso ele coloque um episódio músical (no maior estilo Broadway) para definir o cada personagem deve passar, enfrentar e, talvez, superar. Buffy é ressucitada (por Willow, Xander, Anya e Tara) no episódio duplo que inicia a temporada (Bargaining part 01 and 02), o problema é o processo de ressureição é traumático e deixa a protagonista em choque até, pelo menos, o terceiro episódio, quando ela revela a Spike que os amigos que a trouxeram de volta a expurgaram do céu. Trouxeram-na ao que, em sua mente, ela considera o verdadeiro inferno (“um lugar cheio de dor, incerteza, tristeza e dúvidas. Onde eu estava não havia dúvidas, tristeza ou dor. Era quente e aconchegante“ – em relato da própria) e por consequência atravessa por uma fase de auto-lamentação, apatia e profunda depressão. Isso se evidencia especialmente no episódio musical e na relação, extremamente sexual, que mantém com Spike (Smashed 6x09), mais tarde assumida pela própria como uma somente uma forma barata de lidar com a dor (ela usava o vampiro para tentar preencher o vazio que a estava tomando). Além disso ela agora deve assumir que é a pessoa a cuidar da casa, que deve assumir as responsabilidades que incluem contas e ser a guardiã legal de sua irmã, Dawn. Com isso ela deve deixar a faculdade e arrumar um emprego, que a coloca num McDonalds like. Engraçado e deprimente ao mesmo tempo, a analogia de como o emprego reflete a fraca auto-estima da personagem no momento é simplesmente fantástico. Um dos mais importantes episódios relacionado a trajetória de Buffy é sem dúvida Normal Again (6x17), quando descobrimos que Buffy no início de sua carreira como caça vampiros, decidiu se abrir com seus pais e contar o que estava acontecendo. Eles encararam isso como um possível breakdown que a garota poderiam estar tendo e resolveram interná-la em uma insituição psiquiátrica, achando que aquilo era somente fruto de sua imaginação. Durante três semanas ela evitou falar sobre o assunto e assim foi liberada, mas o que vemos no episódio é o que talvez ela nunca tenha saído de lá e que o fato da garota ter imaginado todo esse universo fantástico cheio de monstros e demônios, nos parece bem mais plausível e verossímel que alguém com força e agilidades sobre-humanas que extermina vampiros por “diversão”. O episódio termina com a aceitação de Buffy (o início de sua recuperação) de que pertence realmente a Sunnydale e que aquele outro “eu” seria somente fruto de uma contaminação por um demônio. O engraçado é que o episódio termina aberto, deixando na cabeça dos fãs a dúvida de que estariam assistindo realmente os devaneios de uma mente perturbada durante os correntes seis anos. Outra que enfrenta seus demônios interiores além dos limites é Willow. Esta, intoxicada pelo flerte com a parte negra, começa a usar magia de forma excessiva, irresponsável e, porque não dizer, viciante. A analogia de como Willow deve deixar as drogas e como realmente se comporta como uma viciada em drogas ou álcool, tem grande espaço na temporada (com direito a colocar a atriz Alysson Hanningan como co-protagonista da série). Tendo como monstro da temporada seus aspectos psicológicos, assume a parte física três nerds patetas que já haviam cruzado o passado da caça-vampiros dando problemas, e que continuam seu caminho tortuoso, agora de forma mais “organizada”. Warren (I Was Made to Love you, 5x16), Andrew (Real me 5x03) e Johnathan (presente desde o início da série mas com grande destaque nos episódios Earshot, 3x18, e Superstar, 4x17) apresentam problemas inicialmente elementares somente irritando a Scoobie Gang que nunca os leva realmente a sério, mas com o tempo os problemas que os três começam a criar tornam-se cada vez mais incisivos, até todos atingirem um breakdown absoluto que cumina em morte e bastante destruição. O verdadeiro vilão da temporada acabe se mostrando a própria Willow, numa caminho trilhado por um verdadeiro Anakin Skywalker ou Jean Grey (Darth Vader e Phoenix Negra), quando num chocante evento acaba abraçando a magia negra de forma literal e liberando um verdadeiro caos sobre Sunnydale e seus amigos. Xander é outro que passa por problemas pessoais bastante graves, dessa vez tendo que encarar seu medo de compromentimento. No momento em que se preparava para casar com Anya, ele acaba deixando a coitada no altar o que causa uma grande mudança no status quo da personagem posteriormente (ela volta a sua antiga condição de demônio da vingança). Interessante é que Xander se revela o verdadeiro herói da temporada, único capaz de salvar o mundo da enlouquecida Willow e conectar com sua dor. Spike aprofunda ainda mais sua mudança iniciada na temporada anterior, agora tendo uma relação direta com a caça-vampiros. A partir do momento em que ele verifica que está sendo usado, não se importa contanto que esteja do lado da mulher que ama, coisa que Buffy não só não concorda como rejeita qualquer foco de retorno, mesmo que aparentemente demonstre ter sentimentos pelo vampiro. Num ato desesperado de reavê-la, ele discute e chega ao extremo de uma tentativa de estupro, perguntando o porquê dela não conseguir amá-lo (resposta que se torna óbvia tamanha a selvageria do ato, uma tradução a natureza instintiva e animalesca do vampiro). Ele então parte em busca de algo que o faça conseguir a atenção do objeto de sua afeição, ele tenta reaver sua alma. Como mencionei, a temporada é extremamente negra e cheia de simbolismos e referências aos mais negros dos sentimentos humanos. Whedon trás os personagens ao ponto mais baixo em que eles poderiam se envolver, mostrando-os como eles podem ser perigosos a si mesmos (de maneira análoga a seus inimigos) quando sucetíveis a sedução e corrupção de suas almas (um paralelo muito bem orquestrado de “vocês não são melhores que seus inimigos se não fizerem a cada dia a diferença). Brilhante, mas compreendida por poucos.
Season 07
Aqui temos um retorno ao básico. No maior estilo de que para se reinventar e se reaver temos que voltar ao ponto de partida e começar de novo. Buffy volta ao ponto de auto-aceitação da sua condição de slayer e parte para treinar Dawn como efetivo membro dos Scoobies. Willow fica meses com Giles na Escócia aprendendo a controlar o lado negro que agora parte de si e como deixá-lo em modo stand-by (traduza como Rehab). Xander tanta achar-se novamente, agora sem Anya para guiá-lo, quando esta tenta achar seu caminho de volta para sua origem demoníaca, coisa que verifica ser extremamente difícil após suas profundas modificações. E Sunnydale High é reaberta. Mas o que isso tem a ver com os personagens? Para os que não lembram, a escola se situava acima da Hellmouth e resolveram (depois de quatro anos) reerguê-la no mesmo lugar, com isso temos o retorno efetivo às origens e o centro da trama passa a ser novamente a Hellmouth, agora alvo do auto-intitulado First Evil, grande vilão da temporada. Inclusive a primeira aparição desse personagem a Spike é uma das melhores da série, com ele transformando-se em todas as encarnações de grandes vilões enfrentados pela Slayer no decorrer dos seis anos anteriores (Mestre dos vampiros, Drusilla, Prefeito Wilkins, Adam, Glory e Warren), para no final encarnar a própria caça-vampiros com a frase “it’s not about right, it’s not about wrong. It’s about power”, mostrando que mais uma vez a luta é interna a o poder a que ele se relaciona é da vontade, dos fragmentos que restaram do ano anterior. O interessante é que o plano do First Evil, que abandona as regras de não interferir diretamente à sua vontade, devido a quebra na balança do poder estabelecida por Willow com a ressureição de Buffy, é simplesmente exterminar todas as potenciais caça-vampiros enquanto estas não possuem poder algum até no final restarem somente as duas atuais – Buffy e Faith, bem como todas as interligações para com elas (o Conselho dos guardiões é completamente destruído), verificando isso, Buffy se vê obrigada a proteger sua linhagem, recrutando todas as potenciais identificadas ao redor do mundo. A temporada brinca com todos os pontos da rica mitologia da slayer e rende episódios brilhantes como Conversations with Dead People (7x07), em que o First Evil brinca com a psiquê dos personagens fazendo-os conversar com pessoas de seu passado que agora jazem mortas, e Showtime (7x11), em que Buffy mostra as potenciais o significado de ser uma slayer. Mas de certo os últimos cinco episódios da série são os de tirar o fôlego, com o retorno da renegada Faith (trazendo consigo todos os problemas do passado com Buffy) e o contorno político-social que o amontoado de caçadoras acaba tomando, com direito a motin e distituição. O episódio final (Chosen, 7x22), acaba por mostrar a destuição completa de Sunnydale, a morte de queridos personagens e um sorriso enigmático da caça-vampiros quando questionada sobre o futuro. Algo que jamais saberíamos, pelo menos não até quatro anos depois.
Under your Spell: The Buffy Dossie – part 05: The neverending story
Com o fim da série televisiva, muitos fã se sentiram orfãos do universo da caça-vampiros. Muitos se voltaram para acompanhar o ultimo ano da série Angel, mas tendo visto que o conteúdo menos coeso do universo vampiresco não concentrava os mesmos elementos que a série mãe, eventualmente acabaram abandonando-a, o que cuminou em seu cancelamento naquele mesmo ano. Mas Joss Whedon, mesmo com ainda tinha toda uma temporada imaginada para a caça-vampiros, que não se concretizou, especialemente pelo desejo de Sarah Michelle Gellar de se disvencilhar do personagem que alçou sua carreira e se concentrar em papéis cinematográficos, desejava dar a Buffy um final digno da série que foi, e não somente um sorriso dúbio mal-caracterizada. Com isso, em parceria com a Dark Horse, ele trouxe o buffyverse de volta a mídia, mas dessa vez em uma impressa. Em quadrinhos.
Inicialmente planejada para quarenta números, a série começa não exatamente onde a última temporada televisiva foi finalizada, mas num ponto bem próximo. Ela respeita o desenvolvido em Angel e justifica alguns pontos que ficaram soltos ou com lacks of explanation por causa da ausência dos atores (que se negaram a estar nos episódios – novamente Sarah Michelle Gellar) na série. No primeiro arco, Long Way Home (números 01 ao 04), ficamos sabendo o que aconteceu com a Scoobie Gang, ou pelo menos parte dela, com Buffy e Xander (assumindo o papel de Watchers – guardiões) comandando um núcleo de treinamento de caça-vampiros, na Escócia. Verificamos que eles possuem na cidadela em que localizam seu quartel general, um grupo de telepatas e bruxos além de um alto aparato tecnologico. Cerca de 1800 slayers são estimadas ao redor do mundo, e Buffy contabiliza em torno de 600 trabalhando com os Scoobies em aproximadamente 10 facções (onde são revelados que Andrew comanda uma no sul da Itália e Giles outra na Inglaterra). Devido aos eventos ocorridos em Sunnydale no fim da temporada anterior, e outros eventos ainda a serem esclarecidos, a caça-vampiros situou duas cópias ao redor do mundo para trabalhar por sua segurança. Uma em Roma vivendo em uma vida de festas e outra no combatendo o submundo demoníaco de maneira mais direta. Os eventos de Sunnydale chamaram a atenção do exército Americano, identificando Buffy como uma carismática e totalmente destrutiva líder, associando a organização das Slayers com uma facção terrorista. Com isso temos os primeiros inimigos da caça-vampiros sendo apresentados, seres humanos, associados com dois de seus inimigos passados a bruxa Amy (a quem seduziu Willow e a empurrou para o mundo negro da magia) e Warren (a quem todos acreditavam estar morto (teoricamente assassinado por Willow nos episódios finais da sexta temporada). Uma importante informação também transmitida nesse primeiro arco (escrito pelo próprio Joss Whedon) é o fato de Dawn ter se tornado uma gigante, com detalhes ainda a serem esclarecidos.
O segundo arco, No Future for You (números 06 ao 09), trás uma aventura de Faith e Giles tentando identificar e exterminar uma caça-vampiros renegada que pretende assassinar Buffy com a ajuda de um poderoso bruxo, como comparsa. Esse arco é escrito pelo escritor de Y: The Last Man, Ex-Machina, Runaways e roteirista de Lost, Brian K. Vaughan. Genevive, a slayer renegade, é neutralizada, mas como Giles traçou esse plano sem o conhecimento de Buffy isso levou a quebra da relação entre os dois (que no momento não estão se falando). O arco foi finalizado definindo o novo status quo de Giles e Faith, colocando-os como parceiros na caça contra slayers renegades (evitando que cheguem em lugares tâo longes quanto a própria Faith e Genevive chegaram). O interessante desse arco é ver como as coisas funcionam aos olhos de Faith. Por exemplo, temos um flashback da batalha entre Faith e Buffy no final da terceira temporada e vemos como os fatos foram tomados pela renegada. Outro ponto é como a relação da mesma com o Prefeito Wilkins era vista pela garota. Mesmo sabendo que ele era mal e que tinha as piores intenções, ele a amou como uma filha e ela ainda pensa nele com a mesma ternura. O final do segundo arco apresenta alguém que provavelmente se revelará o grande vilão da temporada, mas que até então se limita a observar o andamento das facções, bem como mantém um estreito contato com o governo americano.
Na sequência entre o segundo e terceiro arcos, Whedon escreve dois números soltos de grande importância para a trama de uma maneira geral. Em Anywhere But Here (número 10), temos Buffy e Willow encarando novamente seus medos, mas dessa vez interagindo uns com os outros. Descobrimos que a namorada de Willow, Kennedy, nâo faz parte de nenhuma das facções pelo receio que ela tem de que Kennedy morra, uma vez que ela culpa Buffy pela morte de Tara. Isso afeta de forma profunda a relação entre as duas, mesmo que elas se mostrem cooperando lado a lado em batalhas.
No arco seguinte, escrito por Drew Goddard (roteirista de Cloverfield e de episódios de Lost), Wolves at the Gates (números 12 ao 15), temos o retorno de alguém inesperado: Drácula. Tendo que enfrentar vampiros que atacam o quartel general escocês e roubam a Scyte (poderosa arma de Buffy que assemelha-se com um machado com uma estaca na extremidade posterior). Mas esses vampiros não são comuns, uma vez que conseguem se esvair na forma de fumaça e se transformar em animais (tais como cães). O único ser capaz de fazer isso seria o mais antigo dos vampiros. Xander é enviado para coletar informações do próprio senhor da Transilvânia, que toma o fato de outros vampiros estarem compatilhando suas perícias como afronta pessoal e toma seu lugar no confronto. Mais tarde é descoberto que uma bruxa está entre os vampiros e que o verdadeiro plano deles é desfazer o feitiço de Willow, desativando as potenciais que agora são slayers. Com a ajuda de Drácula, Dawn e Willow o grupo é vencido em Tóquio. Numa das melhores cenas da temporada, temos a gigante Dawn atacando o bairro de Akihabara, tal qual os filme japoneses com monstros extraordinários (em uma analogia clara ao filme de Goddard, Cloverfield), com direito a lines no mais estilo “taí algo que não se vê todos os dias”. Wolves at the Gates é também marcado pelas experiências sexuais que Buffy decide compartilhar com uma outra garota de seu esquadrão, Satsu. Mesmo afirmando que não é homossexual, ela decide curtir o momento, sendo descoberta na sequência por Xander, Reneé, Andrew, Willow e Dawn.
No momento está para ser iniciado o segundo arco escrito pelo próprio Whedon está para ser lançado e deverá fechar as pontas soltas com uma de suas crias quadrinescas com o Buffyverse, Fray (que teoricamente seria a última das caça-vampiros). A história se passa num futuro não muito longínquo da caça-vampiros, mas em universo onde os seres demoníacos foram totalmente expurgados do planeta. O retorno de um deles ativa novamente a presença de uma caça-vampiros. E esta seria Fray. Whedon deseja fechar a história da última das slayers colocando-a no universo canônico de Buffy. Até então não foram divulgados muitos detalhes da trama. Sabe-se somente que o arco seguinte será desenvolvido por Whedon e (temam nerds) Jeph Loeb (escritor de quadrinhos e uma das mentes por trás da série Heroes). Niguém sabe do que tratará realmente a trama, mas no mínimo (conhecendo Loeb) vai ser do assassinato de algum dos personagens, cujo passadinho sujo será revelado e não acrescentará em nada a trama. :-p
E um modo geral a revista mantém viva todo o lote de referências pop e coesão do universo da série. Várias canções e elementos de cultura pop (como o personagem de quadrinhos Nick Fury da Marvel Comics) são citados, homenageados ou descontruídos no decorrer da temporada, exatamente como na série. A profundidade dos personagens continua, inclusive no que diz respeito a enfrentar suas próprias consequências. Num dos números mais recentes descobrimos que não somente a destruição de Sunnydale fez a figura de Buffy ficar temerosa de uma maneira global, mas também um arquitetado assalto a um banco suíço. Tudo foi traçado de modo a não causar nenhum mal (uma vez que Buffy verificou que o banco possuia seguro) mais profundo, mas isso arregalou os olhos do governo americano de modo a pensar que por ter poderes, o grupo poderia agir acima da lei, se colocando além do bem e do mal. De maneira análoga, mesmo que o dinheiro fosse necessário para todo o aparato em que as facções se suportam serem construídos, o estilo Robin Hood de ser quebra totalmente a estigma da personagem, que agora pensa somente enquanto uma estrategista militar, realmente líder de uma facção terrorista. As consequências desses atos ainda deverão cair sobre o grupo de forma pesada e a ser discutido e dissecado em números posteriores. No momento nos aproximamos da primeira metade e coisas deverão começar a ser definidas em breve.
A continuação de Buffy em quadrinhos foi uma das maiores sensações do mundo quadrinesco dos últimos dois anos, colocou uma das editores do time B (que não Marvel ou DC Comics) no tpo de vendas ocupando sempre um espaço entre o top 10 mensal. O relançamento foi descrito em diversas listas como um evento pop de destaque em 2007 e 2008, em revistas como Wizard (especializada em quadrinhos) e Entertainment Weekly (especializada em midias em geral). O sucesso também alcançou o mundo dos prêmios, com diversas indicações para as séries, incluindo Melhor Escritor, para Joss Whedon e Brian K. Vaughan, e melhor série.
No geral, Joss Whedon nos presenteia com mais um espetacular produto de consumo pop. Extremamente interessante para novos viajantes e nostalgico ao extremo para os fãs orfãos desde o fim da série em 2003. Os roteiros continuam com uma qualidade inimaginável (OK, OK, talvez eu desminta isso depois do arco do Loeb), os diálogos afiados como sempre e serviu como experimento para mostrar que a continuação de outras mídias pode sim ter uma nova vida em quadrinhos. Vale pelo produto em si, pelo fato de se ler uma boa história ou somente pelo saudosismo. Vale pelo fato de um cara estar no momento terminando a décima oitava página de um artigo que ele demorou um mês para escrever e ainda acha incompleto. Bem, vale pelo fato de que se alguém se interessar, ler e gostar, terei o fato de dever cumprido. Vale pelo estudo e inclusive vale por me dedicar a algo que acompanho há mais de 10 anos. Fã é algo que não tem explicação plausível, somente dedicação.
“Here is something that you don’t see everyday” - Line in Wolves at the Gates, issue 15
Quinta-feira, Junho 05, 2008
Formula Indy
Sabe aquele lance meio comercial de absorvente ou de camisinha, que trás no slogan algo do tipo “a primeira vez a gente nunca esquece”? Pois é, sabe que é meio verdade. Bem o lance é que me lembro bem daquela tarde em que na primeira série tudo é um saco e a diversão fica limitada ao velho Atari ou à televisão. Como existia uma lenda de que videogames eram totalmente nocivos ao sistema de projeção da tv (coisa jogada por aqueles invejosos que não conseguiam sair da primeira fase do Pitfall), assistir a boa e velha sessão da tarde era coisa corriqueira. Lembro-me bem quando anunciaram “ Os Caçadores da Arca Perdida”, que passaria logo em seguida daquela novela que a sua avó já tinha visto no horário noturno, mas não se incomodava de ver de novo (não sei porquê). E o alarde feito em cima do ator principal e do diretor eram imensos, mas com sete anos eu não entendia mesmo dessas coisas e só esperava que o filme chato acabasse logo para que eu pudesse ver uma das séries da sequência (que acredito era Trovão Azul ou Águia de Aço – desenterradas do fundo do baú somente para vocês – que eu nem gostava tanto também, mas era cool conversar com os amiguinhos e imaginar os seus comandos em ação na mesma onda daquelas series). Mas naquele dia foi diferente, pois o carinha de chapéu engraçado e chicote já começava tudo no auge da ação. Ele se achava o esperto e cai em armadilhas de pedras rolantes, desabamentos e mais o diabo a quatro. Eu lembro que fitei a tragetória do aventureiro, ri com suas piadas e ainda torcia pra ele ficar com a mocinha, de sorriso aberto, no final. E ele ainda era um professor... “Se os meu professores fossem tão legais quanto esse cara, a escola seria um lugar totalmente diferente”. E depois de mais de 25 anos, o cidadão retorna e trás essas memórias todas de volta, que há muito estavam perdidas. Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull é a pauta abordada de hoje, apertem os cintos, por favor.
O diretor da bagaça dispensa apresentações. Entre seus altos e baixos, dentre erros e acertos, Steven Spielberg se coloca naquilo que sabe fazer melhor, e coloca as veias do velho filmão de aventura de volta às telas. A direção do cara é fenomenal, fazendo as piadas chichês do gênero “estou velho demais pra isso” funcionarem como uma engrenagem de memória para um passado glorioso que o personagem já teve. Cai como uma luva, sem soar cansativo ou falso, mesmo que o próprio Indy se mostre incrivelmente hábil para um professor de sessenta anos. O problema se encontra justamente na atuação de Harrison Ford, não que ele esteja mal ou que tenha perdido o personagem da veia durante os 20 anos em que ficou separado dele, mas é necessário acrescentar que a idade avançada pesa em alguns momentos do filme, ficando claro o uso de recursos de câmera, efeitos e dublês para que a movimentação do professor aventureiro se mostre verossímel. Mas não pense que isso fica visível a olhos menos atentos, estou no maior genero cata-piolho, significando que a grande maioria não vai perceber mesmo a diferença e cair em cima da ação e investicação aventureira que o filme tem a oferecer em suas duas horas de projeção.
O roteiro de George Lucas funciona muito bem, apesar de ter a mais plena certeza de que seu co-roteirista foi quem cuidou dos diálogos (apesar de ser um argumentista fenomenal, Lucas é um roteirista de quinta, com diálogos horrorosos- vide a nova trilogia Star Wars). Situar a história no início paranóico da guerra fria coloca o filme no lugar correto, trazendo o personagem de volta ao espírito da época da segunda guerra, sem forçar uma aventura deliberada e sem nenhum embasamento para o gênero levemente paranóico que os períodos de guerra proporcionam. O comportamento dos personagens do FBI, no momento de sua criação e concepção, são bastante verossímeis, em especial para um filme que passeia pelo fantástico num contexto levemente sério. O único problema se encontra justamente nesse “contexto fantástico”. Especialmente no final ele força demais a barra caindo numa irritante hipérbole dos últimos filmes que o próprio Lucas escreveu. Não cai exatamente numa mesmice, mas perde a oportunidade de parafrasear a si mesmo, e seus últimos filmes, com bom humor e genialidade. Uma pena, pois acredito que o filme que tinha engrenado tão bem em sua segunda metade, merecia um desfecho mais interessante.
Como mencionei anteriormente, Ford ainda carrega em si o espírito do Dr. Jones Jr, mesmo que a idade pese um pouco. Mesmo assim o carisma e as peripécias do arqueologista estão lá, sem tirar nem por nadinha. OK, OK confesso que as deduções às vezes me parecem um pouco fantásticas demais, mas o sessentão ainda convence e mostra que seu carisma ainda é invejável. Igualmente carismático se mostra Shia LaBeouf, que mesmo em uma de suas interpretações nervosas e levemente verborrágicas, ainda consegue passar expressões únicas e sair do caricato que o papel lhe proporciona. A única a me chamar a atenção de maneira negativa foi (incrivel como nunca pensei que diria isso um dia) Cate Blanchett. A oscarizada atriz pesa demais a mão no caricato, às vezes dando a impressão de que está se levando a sério demais. Nada que manche sua imagem, mas de certo uma de suas interpretações mais esquecíveis. O restante do elenco de apoio se sai de maneira satisfatória, com impressionantes pontos altos, como foi o caso de John Hurt.
No geral Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal é um filme que atinge seu objetivo: diverte. Elenão inova como em O Templo da Perdição, ou não trás nada de genial, como em a Última Cruzada, mas mesmo assim ainda se insere no contexto e não trai seu personagem em nenhum momento, mesmo que que não se mostre (IMHO) um desfecho digno para a saga do arqueólogo. Como em toda franquia que mostra um fim eminente, este abre uma ramificação para um possível spin-off. Certamente ele não se realizará, mas ainda assim o leque de possibilidades é aberto, ainda que eu me pergunte se ele ocorreu de maneira correta. No mais, vale a ida ao cinema, a conferida e a diversão. Sem análises e sem cobranças, afinal de contas elas não cabem muito bem no momento de se aventurar de verdade, não é mesmo?
"You know, for an old man you ain't bad in a fight. What are you, like 80?" - Mutt Williams (Shia LaBeouf) to Indiana Jones in IJatCSK
Quinta-feira, Maio 01, 2008
Avenging Initiative on the Move
Há muito quadrinhos deixaram de ser infantis. Claro que alguns ainda persistem, mas as nuances e tons de cinza são tão presentes na caracterização atual da grande maioria que a necessidade de se fazer personagens cada vez mais tridimensionais e cada vez mais próximos ao público que os acompanham e fazê-los encarar o cenário mundial atual tornou-se obrigatório. Ninguém sabe realmente onde isso começou. Muitos afirmam que Stan Lee é o culpado com a criação do Quarteto Fantástico, num agora longínquo 1963. Outros que dizem que Chris Claremont quem começou tudo, com um upgrade deveras complexo para o universo mutante que engloba os X-Men, no final dos anos 70. Mas a minha opinião pessoal é que isso se deu realmente na necessidade de se adaptar de maneira satisfatória a arte dos quadrinhos para o mundo do cinema. Mais precisamente no ano 2000, quando trouxeram finalmente os mutantes da Marvel para o cinema. O tratamento de tridimensionalidade dado por Bryan Singer aos personagens foi tão profundo, que a necessidade disso ser refletido na fonte se fez necessário. A marel pagou o preço e trouxe Grant Morrison para roteirizar as aventuras dos dotados do fator X e a partir daí tudo ficou profundo, dúbio e sólido. Sagas como Civil War e Secret Invasion vêm traduzir essa inserção à fonte e a tradução para celulóide atinge o apice em Iron Man.
Antes de começar com qualquer comentário a respeito do filme, venho pro via desta avisar que não vou segurar a língua (ou melhor, as palavras) e o texto tem sim SPOILERS. Peço, encarecidamente, aos que não estão afim de saber do que rola no filme, que parem de ler e sigam para o texto posterior. Avisados? Vamos lá.
Tenho que tirar o chapéu para o trabalho de Jon Fraveau, o cara conseguiu fazer uma das melhores adaptações de quadrinhos para o cinema (e não, isso não é demagogia). Sua nerdice exacerbada conseguiu manter um respeito fascinante pelos personagens. Todos são críveis no mundo real, mas em nada ferem suas personalidades quadrinescas. Mas comentando do início, o mérito do cara já começa por fazer um filme enxuto. Nada em Homen de Ferro é gratuito. Não existem enroladas. Não existem desenvolvimento de mil e uma subtramas paralelas, apesar de estar semeado tudo que engloba o passado do personagens nos quadrinhos, sua relação com as mulheres e o álcool, são o maior exemplo. Fraveau conta a história de Stark, e Stark only, e como ele afeta os que estão ao redor de seu universo. Os personagens, escolhidos a dedo, tem participação fundamental na trama, e em momento algum, nenhum deles soa forçado ou colocados por pressão de produtores. O fato dele ter pego, simplesmente quatro vencedores ou indicados ao Oscar e ter trabalhado-os de forma concisa, sem guerra de egos e, o mais importante, fazendo-os aceitar o papel que desempenham, por menor que seja, com uma dedicação digna de aplausos, se mostrou fantástica. O roteiro se concentra em contar a história de Tony Stark, um playboy mimado, cheio de si mesmo por causa de seu intelecto espantoso. O cara se utiliza do artificio mas fácil (e por isso mesmo o que melhor se aplica) para contar a história de Stark, num belo resumo que precede a entrega de um prêmio (que o próprio não dá a mínima importância) no maior estilo celebridade. Em alguns segundos, Fraveau nos mostra o quão genial, pródigo, fascinante e mimado é Stark. Não que isso não tenha sido mostrado antes, nos primeiros minutos de filme, quando ele se mostra com suas piadinhas geniais, para um grupo de soldados no Afeganistão (mostrando que a ação é sim uma prioridade no filme, mas não é o todo). Um trabalho acima de qualquer repreensão. Genial, espirituoso e sincero. Espero que assim se mantenham os engravatados da Marvel, que agora assumem com este filme, a produção direta de suas adaptações.
Os personagens são um caso a parte. O já citado Tony Stark não seria nada se não tivesse sido encorporado em gênero, número e grau por Robert Downey Jr. talvez tenha sido o seu passado tortuoso que o tenha feito entender tão bem Stark, mas o fato é que talvez nenhum outro ator tenha conseguido fazer uma caracterização tão fiel e ao mesmo tempo original em todas as adaptações cinematográficas para quadrinhos. E sim, eu aqui coloco à prova, também, a interpretação memorável de Christopher Reeve em Superman. O Stark de Downey Jr. é aquele também nos quadrinhos, com todas as suas pomposidades e motivações, todos os defeitos e qualidades, todo o fascinio, inclusive quando ele é um filho da puta egoísta. Sua dedicação a sua ciência, quando se isola de tudo e de todos, seus testes usando a si mesmo como cobaia e o natural jeito com o qual expõe sua genialidade é simplesmente fantástico. Interpretação memorável. A segunda a chamar a atenção é Pepper Potts (sempre achei extremamente engraçado o fato de uma personagem se chamar “potes de pimenta, mas moving on), braço direito, esquerdo e o cérebro prático de Tony fora de seu mundo de fantasia. Gwyneth Paltrol escolheu a dedo o retorno de seu hiato materno, desde que conseguiu fazer uma Potts contida, suave e apaixonada sem ser melosa ou melodramática. Com um senso de humor único (“yes, I do everything that mr. Stark asks me, including take the trash out”) e mostrando uma competência invejável, Paltrow faz de sua personagem um indivíduo essencial ao desenvolver da trama. Sua simbioticidade com Stark é tamanha, que ele precisa dela para completar seu trabalho, independente do que seja. Ela é a única em que ele confia, tanto que é a única das mulheres de seu universo que deixa tocar seu coração, sendo mostrado isso num ato analogamente literal. James Rhodes é nos quadrinhos o mais próximo que Tony já chegou de ter uma esposa e aqui é interpretado fantasticamente por Terrence Howard. O indicado ao Oscar conseguiu chamar a atenção num papel que praticamente é o link que livra Tony de problemas com o governo, mas mesmo com um papel minúsculo o cara manda bem, dá um show de construção de personagem com a veracidade e humanidade dada a Rhodes e ainda ganha o prêmio de crescer no próximo exemplar da série (mas é claro que o filme vai ter uma continuação). E por último, mas não menos importante, temos o Obidiah Stane de Jeff Bridges. Bridges deve ter se divertido bocados ao fazer um personagem mau, que facilmente cairia no caricato, mas que encontra sua veracidade na ganância exacerbada. O cara é mau e mau, sem meio termos e sem desvios. Não falta sobrancelha levantada, piadinhas sarcásticas ou back-stabing no heroizinho mimado em que o mundo gira ao redor. Nada que tire o brilho do herói, mas o suficiente para se manter na memória de quem assiste.
Simplesmente brilhante. Esse é o comentário final em relação a homem de ferro. Não, não vou dizer que é o melhor filme adaptado de quadrinhos que já assisti, mas chega próximo o suficiente para eu querer uma continuação imediata. As cenas de ação são contidas para mostrar um desenvolver mais crível dos personagens, mesmo assim elas são fuderosamente fantásticas. Os testes de vôo dos protótipos são hilários e empolgantes. Os testes com raios propulsores, fenomenais. E a cena da perseguição com os caças e para deixar a apreensão no limite, segurando no braço da cadeira mesmo. Mas o melhor são as referências. Caramba, verificar três protótipos da armadura já foi fantástico, mas ver a S.H.I.E.L.D. não somente citada no filme, mas tendo uma participação ativa, especialmente no final, foi fuderosamente orgásmico para um amante dos quadrinhos. Lamento aos que perderam a cena ao final dos créditos, quando um Samuel L. Jackson, maquiado de forma a como foi caracterizado em The Ultimates, fazendo pouco de Stark após ele ter revelado publicamente que era o Homem de Ferro no final do filme (o que condiz fantasticamente com a personalidade exibicionista do personagem) e o convidando para fazer parte do projeto Avengers - The Iniciative. Caracas, eu parecia ter 5 anos de idade saltando na cadeira tamanho o meu entusiasmo. Foi o primeiro passo para um universo cinematográfico conciso e fenomenal da Marvel. Fico esperando somente quando vai acontecer e torço para que seja o mais rápido possivel. O próximo passo será dado em The Incredible Hulk é esperar pra ver. Enquando isso eu continuo analisando o filme numa segunda investida aos cinemas, gritando sempre internamente “ Avengers Assemble”. Será que um dia a concorrência aprende e faz filmes menos destoantes com seus personagens? É esperar.
"Let's face it, this is not the worst thing you've ever caught me doing" - Tony Stark to Pepper Potts in Iron Man
Segunda-feira, Abril 28, 2008
I Hate to Love you
Bem, respondendo a provocação direcionada pelo meu querido amigo (espírito de porco) Luwig, venho colocar os filmes que público, crítica (ou ambos) odeiam e eu simplesmente os acho sensacional. Sendo sincero, acredito que a minha lista foge um pouco disso, ficou mais numa lista de filmes que a grande maioria acha esquecível e eu simplesmente os acho fenomenais. Bem, lá vem a saraiva e podem encher o balde dos coments que eles estão aqui pra isso. Só um parênteses, antes que eu esqueça, os que vão compartilhar essa mais uma corrente blogosa são: Miguio, Betsy, Yan, William e André Logan, huahauhauhauahua… o bom dessas desgraças é sempre colocar outros em maus lençóis. Mas vamos ao que interessa:
G.I. Jane
Quando todo mundo escuta falar desse filme, pensa que é mais um supercine de uma mulher que come o pão que o diabo amassou para ser reconhecida enquanto minoria, num mundo masculino, machista e chauvinista, e que ainda é passada para trás pelas suas “colegas de trabalho“. Pois bem, apesar da mão pesada de Ridley Scott (que pra mim é um excelente diretor de imagens e histórias fortes, mas que é um verdadeiro retardado quando a questão é nuances), ele consegue passar com suas imagens impactantes mais que simplesmente o cliché, a la supercine, citado acima. Ele envolve uma trama política bem amarrada, com características do individual e coletivo de uma maneira sutil e ainda arranca uma tremenda atuação de Demi Moore. A mulher aproveitou o embalo das cirurgias plásticas, e condicionamento físico, em que se submeteu para fazer (a bomba) Striptease, e conseguiu passar com uma veracidade formidável, todo o sofrimento físico de Jane. Mas esse não é o ponto forte da atuação. Pra mim as nuances em que ela submete Jane são muito bons, o ódio contido num esforço sem limites, a raiva traduzida na vontade de fazer o que era certo, quando todos esperam (inclusive a senadora que a colocou em tudo isso – numa brilhante atuação de Anne Bancroft) que ela falhe vergonhosamente… tudo isso beirando o caricato, mas ainda assim passando por cima dele. Outro ponto interessante é ver Viggo Mortenssen em seu primeiro papel de destaque. Filme que muitos acham esquecível, mas que pra mim teve um grande impacto. Diração forte, mas interessante, roteiro coerente e longe do bla bla bla que sempre fez parte e Hollywood (para isso é só assitir Homens de Honra) e ainda atuações acima da média. Quem sabe todos aqui não o assitam novamente?
Bringing Out the Dead
Todos aqui sabem que eu detesto Nicholas Cage. O cara é uma atuação com uma cara de “dor de cabeça” constante, que ele pensa que é de homem bonzinho. É simplesmente bisonho. Pra mim ele conseguiu sair disso somente em duas ocasiões: Despedida em Las Vegas (em que ele na verdade estava embriagado o tempo inteiro) e nesse filme de Martin Scorcese (que muitos nem lembram que é dele). A história de Vivendo no Limite (título assombroso que o filme teve por aqui) é bem louca, mas ainda assim um deleite para os amantes do cinema alternative (mesmo que tenha cara de blockbuster wannabe). Cage vive um paramédico chamado Frank, que não consegue mais trabalhar na ambulância em que é designado, simplesmente porque todos a quem ele tenta atender, morrem em suas mãos (por mais simples que o caso possa parecer). Como se isso não fosse o suficiente, ele ainda é atormentado pelos fantasmas de todos a quem ele falha em salvar. Com essa carga em suas costas, ele tenta de todas as maneiras ser despedido, mas nunca é atendido. Então, por que não pedir demissão? Simplesmente porque o personagem não tem força de vontade o suficiente para isso. Sendo sincero, eu acredito que esse seja um dos personagens mais complexos da carreira de Cage, de certo ele exagera em algumas cenas e Scorcese o deixa, mas é um fato inestimável de que outro talvez não desse conta dessa tridimensionalidade bizarra que Frank carrega. Apesar do roteiro traduzir demais o que cada fantasma representa e explicar (mesmo que sutilmente) o porque de cada um estar ali, ele tem um argumento válido, e extremamente interessante, cercando as inseguranças medos e maneirismos do personagem principal. O final é ainda mais interessante, mesmo que durante muito tempo se fique voando em relação ao que realmente aconteceu. Um filme que arranca comentários e discussões ao final da exibição, o que é extremamente válido.
Dancer in the Dark
Amantes do cinema (cinéfilos de plantão) estão carecas de saber quem é o diretor polêmico e de filmes fortes, que se tornou o dinamarques Lars Von Trier. Depois de ter estourado durante o movimento Dogma95, ele resolveu entrar com uma segunda empreitada de tema tão polêmico (talvez até um pouco maior) que seu antecessor (The Idiots). Dancer in the Dark é o deleite dos críticos e o horror do público. De imagens e roteiro fortes, o filme narra a história da inocente imigrante do leste europeu, Selma (vivida de maneira absolutamente brilhante por Björk), que trabalha dia e noite em uma fábrica para tentar salvar seu filho de uma doença genética, a própria a tem, que o deixará eventualmente desprovido de suas capacidades visuais. A história dura e sofrida de Selma é contrabalançada por sua identificação com musicais hollywoodianos. A personagem sofre de um complexo de Alice, em que se draga para um universo ao maior estilo “sete noivas para sete irmãos”, mas os universos colidem no momento em que a história toma um rumo mais drástico e engole completamente o universo fantasioso de Selma a jogando numa realidade feia, dura, agressiva e sem o mínimo de compaixão. É impressionante como Von Trier consegue seu objetivo de violar todo aquele universo fantasioso, que engloba os americanos, na minha humilde opinião, uma maneira agressiva de mostrar a hipocrisia do cinema daquela indústria e como ela é frágil ante a realidade em que muitos vivem dia-a-dia. Intenso e de certo uma obra que não agrada a todo mundo, mesmo que seja genial. O final é tâo chocante que muitos da sessão onde eu estava, oito anos atrás, ficaram estáticos em seus assentos, ou simplesmente debandaram num choro nervoso e de alívio daquela tensão que em nada lembrava o cantarolar de Doris Day. Vale a pena para ser visto em dias masoquistas de extrema felicidade. E algo que eu não mencionei foi a presença sempre marcante de Catherine Deneuve.
Assassins
Sim, sim. Eu sei. É um filme do Stalone e ainda com Antonio Bandeiras. Mas o que eu posso fazer? O filme, IMHO, é simplesmente genial. E sabe o que é engraçado? Só tem peixe grande no filme (ou pelo menos pretensos e propensos). A direção de Richard Donner (Superman), o roteiro é dos irmãos Wachowski (Matrix), e as estrelas (errr..) são Sly Stalone, Antonio Bandeiras e Julianne Moore. Mas onde está a genialidade dessa bagaça, além desse povo todo? Explico. Os Wachowski simplesmente pegaram a mesmice que envolvia todos os filmes de ação dos anos 90 (quem aqui não viu: O Especialista, O Demolidor e Juiz Dread – com o próprio Sly, e mais uma carrada de filmes sem sentido com o Swarza, Steven Segal, Jean Claude Van Damme e adjacencies) e consguiu criar um plot que envolvia espionagem, perseguição, politicagem e ainda explosão a dar com o pau. A genialidade está justamente em envolver todo esse conteúdo num roteiro simples, sem buracos e que não agridiu a inteligência do espectador. Pra mim, um dos maiores exemplares do cinema pipocão já feitos naquela década e prelúdio da virada que esses filmes viriam a sofrer (sutilmente é verdade) no final da mesma década. Comentar mais, seria mergulhar num poço sem fundo.
Secrets and Lies
Bem, o último da lista é um odiado pelo público. Não sei o porquê de todos o odiarem tanto, mas o fato é que todos (sem excessão) os amigos que já conversei sobre Segredos e Mentiras, que viram o filme, o acharam chato, monótono e que não acrescentou nada. Eu discordo sumariamente dessa opinião. O filme de Mike Leigh (Topsy-Turvy e O Segredo de Vera Drake) é de certo bastante analítico. Ele entra no centro de uma família problemática e disfuncional. Uma mãe completamente omissa com um irmão que sempre encoberta seus erros e uma filha mimada beirando seus 30 anos. O negócio é que baixa de parachutes uma segunda filha, fruto de uma aventura da perturbada mãe em sua adolescência, procurando pela família a que sempre esteve curiosa em conhecer. O filme se passa praticamente em um cenário, com esse encontro dentro da casa a personagem de Brenda Blethyn (que aqui recebeu sua primeira indicação ao Oscar) e a claustrofobia do lugar, mesmo que seja amplo e claro (constratando com as reviravoltas e passado aparentemente sujo dos personagens), causa o impacto de enclausuramento dentro de todos os segredos ali contidos e das decepções que cada um deles deve enfrentar a cada minuto que o filme passa. É uma história bonita contada de maneira, talvez, extremamente metódica e por isso se mostre cansativo para alguns. Marianne Jean-Baptiste é a maior das revelações do filme, com uma interpretação clara, contundente e extremamente segura. A atriz recebeu sua única indicação ao oscar de coadjuvante pelo filme, uma pena que ela se limite somente a estar na série Without a Trace atualmente. Vale demais a pena, em especial para os que amam o cinema enquanto arte (cinéfilos viciados como eu… ehehehehehe), mas não aconselho aos aversos a dramas e filmes mais analíticos, pode ser uma leve tortura.
“ Secrets and lies! We're all in pain! Why can't we share our pain? I've spent my entire life trying to make people happy, and the three people I love the most in the world hate each other's guts, and I'm in the middle! I can't take it anymore!” – from Secrets and Lies
Quarta-feira, Abril 16, 2008
“..come on, come on. Jump a little higher...”
Será que devo comentar sobre o lance dos 14 comentários do post anterior? Hummm… melhor não, uma vez que metade deles foi feito por mim… Bem, moving on, faz tempo que eu não falo de filmes aqui. Milhares de perdões, mas está ficando difícil não só ir ao cinema, como sentar e colocar no papel (ou melhor no documento do word) todas as análises que passam à vários quilômetros por hora na minha mente demente. De qualquer forma, mesmo que tardio, eu nunca deixo o lance padecer… dessa forma:
Jumper
Quem aqui nunca se imaginou com super-poderes? Não importa a época, o fato é que todas as pessoas nesse planeta, já se colocaram na pele de algum herói criando aquela sequência de eventos com raios saindo das mãos ou olhos, voando em algum momento ou até mesmo viajando de um lugar para o outro na velocidade do pensamento. Pois bem, um dos mais recentes exemplares cinematográficos nas salas tenta retratar justamente isso. Como seria acordar com o poder de viajar para qualquer lugar com um só pensamento? Como nos comportaríamos? Como usaríamos esse poder? Pois bem, vamos ao monte de perguntas não respondidas que Jumper se mostrou.
O novo de Doug Liman consegue ser bem menor que seu filme anterior (Mr. and Mrs. Smith). O roteiro é fraco e cheio de furos e os protagonistas (infelizmente, exceto por Jamie Bell) entregam um trabalho caricato e cheio de clichés. Culpa do roteiro? Talvez, mas acredito que se Jamie se saiu bem, porque os outros não se sairiam? Pergunta idiota quando a resposta é talento. Mas isso a gente engloba mais tarde. Num mundo onde pessoas conseguem quebrar as leis da física de tempo e espaço, o roteirista (o em geral bom David Goyer, de Batman Begins) se perde numa conjunção de perguntas não respondidas e personagens unidimensionais. E o pior é que Liman aceita. O universo de Jumper é criado ao redor de David (personagem de Hyden Christenssen) e sua recém descoberta habilidade. Ele usa o poder para ganho próprio (como 99.9% da humanidade o faria) e se torna independente aos 14 anos. Claro que isso afeta o caráter falho de um jovem já dono de uma bagagem de rejeição e abusos com uma idade tão pequena. E o problema reside justamente aí. O roteiro em momento algum define se David é mal caráter, um bom jovem debaixo da casca da ferida ou se é mais tridimensional tendo aspectos de ambos. As escolhas morais são feitas em cima de sua sweetheart de infância (vivida pela fraca Rachel Bison) e elas jamais mostram uma indicação para onde David está se movendo (se para frente na recuperação de seu caráter ou para trás adentrando ainda mais o “lado negro da força“. Não que o filme tivesse que abordar isso, mas ele se obriga a todo momento não sendo nunca conclusivo. Com isso a espinha principal do filme se perde e, claro, faz com que todas as estórias secundárias atreladas a ele se tornem desinteressantes. A direção preza pela ação e aventura no final, mas aí o filme já perdeu a meada e já não se presta mais atenção em nada que não seja efeito especial e o fato de que muito foi cortado de última hora na sala de edição e que o filme poderia ter muito mais conteúdo se os produtores tivessem gostado do que viram.
Pode ser que a culpa de Jumper ser tão raso seja do roteiro, mas de certo a equivocada escolha de Hyden Christenssen como protagonista auxiliou no processo de declínio do personagem. O cidadão é extremamente inexpressivo e em momento algum se oferece para dar uma personalidade mais definida a David. Quando é ganancioso Hyden não se mostra sedento pelo que quer, quando quer ser herói ele não encontra o tom para sentir a culpa que um passo desse leva… enfim, o cara é uma porta. Com uma participação menor, mas igualmente importante, Rachel Bison segue pelo mesmo caminho. Ela se contenta com o fato de ser a mocinha em perigo e mesmo quando tenta ter personalidade falha vergonhosamente. Se ela gritasse mais ganharia mais pontos, mas ela consegue ser somente apática… me perguntei várias vezes se a menina sofria da “síndrome do stress pós-traumático”, mas acho que é somente falta de talento mesmo. Um que eu evitei comentar até então, mas que também só está ali pela grana é Samuel L. Jackson. Está certo que o roteiro é fraco e não deixa claro a motivação de seu personagem para caçar os flamigerados jumpers (por que diabos o cara resolve fazer isso? Trauma de um evento passado que o fez odiar os mutantes? Simplesmente um seguidor religioso insano que acredita numa purificação da espécie humana? E de onde vem a grana pra manter tal organização? Os aparatos tecnológicos? Alguma ligaçâo governamental? Por que não usar os caras como espiões ao invest de matá-los? Como eu, disse diversas p |